quarta-feira, 30 de abril de 2008

CNTBIO aprova pesquisas com OGMs

Foram aprovadas no dia 17 de abril, na terceira reunião deste ano da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), 31 solicitações para pesquisas. Do total, 17 são pedidos de estudos nas áreas vegetal e ambiental e outros 14 para projetos em saúde humana e animal.

Constavam da pauta 12 solicitações para liberação comercial de produtos transgênicos, mas nenhuma foi atendida. "As discussões sobre os pedidos de liberação comercial avançaram, mas ainda não foi possível decidir", disse o secretário-executivo da CTNBio, Jairon do Nascimento.

Entre os pedidos aprovados de liberação planejada no meio ambiente de organismos geneticamente modificados - OGMs - (pesquisa) estão cinco de milho resistente a inseto e tolerante ao glifosato, quatro de milho tolerante ao glifosato, três de milho resistente a inseto, dois de algodão resistente a inseto, um de algodão tolerante a herbicida, um de soja resistente a inseto e tolerante ao glifosato e um de cana-de-açúcar para aumento do teor de sacarose.

Nas áreas de saúde humana e animal, foram aprovados dois pedidos de Certificado de Qualidade de Biossegurança (CQB) para o Laboratório de Microorganismos de Referência do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e para o Laboratório de Biotecnologia e Bioluminescência da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Entre os projetos aprovados de pesquisa nas áreas de saúde humana e animal está o de desenvolvimento de vacinas contra a leishmaniose, a partir de genes do agente causador da doença, o protozoário Leishmania amazonensis.

Além disso, a CTNBio aprovou também a importação de animais, de camundongos e de bactérias por parte da Fiocruz, do Instituto Butantan e da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP).

Fonte: Agrosoft

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A Inflação Mundial dos Produtos Agrícolas, os Transgênicos e o Roundup.

Inflação Mundial dos Produtos Agrícolas: preço do Roundup

O aumento dos preços dos gêneros agrícolas provocou estes últimos meses uma importante elevação do preço do herbicida Roundup da Monsanto. Nos Estados Unidos, onde os OGMs resistentes ao Roundup são cultivados há mais de 10 anos, o preço do herbicida dobrou ao longo do ano passado. Os agricultores reclamaram deste aumento do preço do herbicida, ao qual se acrescenta um sobrecusto da compra das sementes transgênicas.
Monsanto, ao contrário, tira as substâncias benéficas desta inflação e se esconde atrás do contexto mundial para justificar o aumento de preço de seu produto-chave.

Em alguns mercados mundiais, entre os quais o Brasil e a Argentina, o herbicida Roundup é negociado ainda mais caro que nos Estados Unidos. Monsanto aumentou 25% a expansão de Roundup nos Estados Unidos, no entanto, sem aumento de produção, para controlar os preços e as reclamações do agricultores americanos. Monsanto prevê elevar a capacidade de produção de Roundup em suas 2 usinas americanas.

Roundup, marca da Monsanto, não é mais coberto por patente, existe numerosos genéricos, às vezes menos caros, entretanto os agricultores que cultivam as sementes da Monsanto se comprometem à utilizar seu herbicida e não um genérico. Apesar da Monsanto ganhar dinheiro também sobre os genéricos, pois a empresa continua uma das principais fornecedoras de glifosato, o agente ativo do herbicida. Monsanto justifica o aumento de preço do Roundup através de um alinhamento com so preços praticados por seus concorrentes. Mas o rumor diz que a empresa de St. Louis não é mais capaz de produzir glisofato suficiente para cobrir as necessidades de sua própria marca Roundup e fornecer ao mesmo tempo os produtos do herbicida genérico, o que provoca uma limitação da oferta e um aumento do preço.

Mas nada de preocupante para a Monsanto, que espera acumular um lucro líquido sob o Roundup de 1,7 à 1,8 milhões de dólares para 2008, seria mais que o dobro do ano passado.

Nós assistimos à uma crise mundial que é o resultado das aberrações da política agrícola mundial, uma política desde muito denunciada por todos os participantes de uma agricultura sustentável e equitativa. No contexto de globalização, os países do Sul foram encorajados a se especializar na agricultura industrial e na monocultura afim de nutrir o gado do Norte. Países como a Argentina ou o Brasil perderam sua autosuficiência alimentar para o proveito da monocultura de soja transgênica para exportação. Há dezenas de anos, esta cultura intensiva é a causa do desflorestamento e de transtornos ambientais consentidos em nomde do lucro, mas hoje nós estamos abordo de uma catástofre humana.

Adicionando a este lastimoso quadro, os especuladores e outros aproveitadores de crise veêm se enriquecer às custas do aumento dos preços agrícolas que se aceleram ainda mais através de suas manobras financeiras. Se nada for feito para controlar o entusiasmo do mercado, estes especuladores vão provocar a formação de uma bolha artificial sobre o preço dos gêneros agrícolas. Isto terá como consequência a curto prazo o aumento da fome e a médio prazo arruinará os agricultores quando esta bolha especulativa arrebentar provocando o desabamento dos preços. O retorno dos "motins da fome" em numerosos países onde a população, como no Haiti, têm que comer lama, é uma situação inaceitável.

Onde estão as plantas geneticamente modificadas que devem salvar da fome as populações desfavorecidas? Elas estão cruelmente ausentes, ao contrário dos benefícios para a Monsanto e especuladores, que não faltam. Além da propaganda falsamente humanista da Monsanto, os OGMs agrícolas são apenas uma nova etapa da industrialização dos modos de produção agrícolas que se inserem em uma dinâmica puramente mercantil e não durável. O produtivismo incontrolável e o desdém dos organismos internacionais para a agricultura local já provocou a crise atual. Apenas através de uma melhor gestão dos recursos naturais mundiais que nós conseguiremos. Nós devemos encorajar uma agricultura sustentável e responsável visando nutrir pessoas e não mais as contas bancárias de grupos agro-industriais, mas isso requer coragem política.

Fonte: Tradução livre de http://www.combat-monsanto.org/spip.php?article127

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Pesquisa: Impactos Potenciais da Tecnologia Terminator

A Campanha Terminar Terminator publicou uma pesquisa sobre os Impactos Potenciais da Tecnologia Terminator no Brasil. Abaixo o texto:

"Pesquisa: Impactos Potenciais da Technologia Terminator
Angela Cordeiro, Julian Perez, Maria José Guazzelli
Florianópolis, dezembro de 2007

Pesquisa contratada ao Centro Ecológico pelo Grupo ETC

Nas últimas duas décadas, a base tecnológica utilizada na agricultura passou por grandes transformações, colocando sérios desafios para a conservação dos recursos genéticos e para o futuro da segurança alimentar. Entre as inovações, destaca-se a tecnologia de restrição de uso genético (GURT), a qual produz sementes estéreis e/ou inibe funções vitais das plantas, eliminando o direito ancestral dos agricultores multiplicarem suas sementes.

Considerando as sérias implicações que este tipo de tecnologia traz para a produção de alimentos e para a conservação da biodiversidade, o tema vem sendo debatido em diferentes fóruns internacionais. Em 2003, o Grupo Técnico de Especialistas contratado pelas Nações Unidas avaliou os impactos potenciais das GURTs sobre agricultores familiares, camponeses e comunidades tradicionais e concluiu que os impactos negativos superam os impactos positivos, caracterizando-se como uma forte ameaça à soberania e à segurança alimentar destas comunidades. A 8a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, realizada em Curitiba, em março de 2006, reiterou decisões anteriores, mantendo restrições à tecnologia Terminator.

Este documento apresenta o resultado de uma consulta a agricultores brasileiros sobre os impactos da tecnologia Terminator na sua atividade. A primeira parte traz uma contextualização do mercado brasileiro de sementes, incluindo informações sobre o perfil da agricultura brasileira, a evolução do setor sementeiro, os principais atores no mercado e uma estimativa de custo caso os brasileiros fossem obrigados a adquirir 100% da semente necessária para atender à demanda de plantio de milho e de soja.

A segunda parte apresenta sete entrevistas com pequenos e médios agricultores de diferentes localidades das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. Estes produtores cultivam soja e/ou milho, em áreas que variam de 2 a 200 hectares. As entrevistas descrevem o sistema de produção, a origem das sementes utilizadas e a opinião dos agricultores sobre os potenciais impactos da tecnologia Terminator. A terceira parte traz considerações finais quanto aos possíveis impactos da concentração do setor de sementes e, especialmente, da tecnologia Terminator sobre a autonomia e renda dos agricultores, a agrobiodiversidade e a soberania alimentar, em um processo que afeta a sociedade como um todo.

Espera-se que os testemunhos aqui registrados, junto com outros que estão sendo levantados por colaboradores do Grupo ETC em outras países do mundo, sejam fonte de inspiração para a 9a. Conferência das Partes da CDB que será realizada em Berlim, em 2009. Certamente, o tema das sementes Terminator voltará à agenda. Que se ouça a voz dos agricultores."

A pesquisa pode ser baixada integralmente aqui.

"A Argentina é um laboratório a céu aberto da Monsanto"

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

Segundo Marie-Monique Robin, depois do “paro” agrário argentino, promovido fundamentalmente pelos grandes produtores de soja do país, o latifúndio sojeiro deveria ser a principal questão de debate para a sociedade. A Argentina está ameaçada pela soja, disse a jornalista e documentarista à Agência Carta Maior, 13-04-2008. A reportagem é de Clarissa Pont.

Marie-Monique esteve esta semana na cidade argentina de Corrientes para apresentar o documentário de 2004, "Os esquadrões da morte - a escola francesa" e participar dos processos contra militares locais que atuaram durante a ditadura militar. No entanto, em Resistência, a jornalista francesa falou sobre o “paro” agrário, a produção de soja transgênica em países da América Latina e sobre seu novo documentário, fruto de três anos de investigação, Le monde selon Monsanto” (O Mundo segundo a Monsanto). O documentário e o livro homônimo contam o avanço do plantio de soja pelo mundo e as perigosas ligações da indústria com governos, cientistas e jornalistas.

O Rio Paraná divide as duas capitais de províncias argentinas, de um lado está Corrientes e do outro, Resistência, no Chaco. Marie-Monique percorreu os poucos minutos que separam as cidades para apresentar trechos de ambos documentários no Museu de Imprensa de Resistência. Na ocasião, falou à Carta Maior. “A soja transgênica chegou ao país por uma debilidade, para não dizer outra palavra, do governo Menem. A Monsanto entrou no país sem nenhuma lei que regulamentasse o plantio, sem estudos, sem nada. No Paraguai, é a mesma situação”, explica.

Hoje, mais da metade da área agricultável da Argentina está coberta pelas sementes transgênicas da Monsanto, regularmente pulverizadas desde aviões por Roundup. “Muitos campesinos estão deixando o campo porque seus cultivos são fumigados, as frutas que comemos aqui estão contaminadas pelo veneno da Monsanto. É terrível, e o governo ainda não entendeu o risco”. Marie-Monique contou que entrevistou o presidente da Federação Agrária em 2006 para a realização do documentário.

“É lamentável o que os grandes produtores estão fazendo aqui. A eles não interessa o futuro da terra. O fato de Eduardo Buzzi ter apoiado o paro assusta um pouco, porque quando eu o entrevistei ele estava preocupado com a situação do país”. Os últimos dados que constam nas documentações de Marie-Monique confirmam que a produção de arroz e de legumes baixou de modo significativo nas terras argentinas.

Le monde selon Monsanto”, lançado junto a um livro de mesmo nome, ainda não tem previsão de chegar ao Brasil. Segundo a autora, uma editora nacional estaria começando a traduzir a publicação apenas. “Através das patentes da Monsanto, o que se pretende é tomar as sementes do mundo. Por desgraça, a Argentina é, nesse momento, um laboratório a céu aberto”. O documentário ainda cataloga ações da Monsanto para divulgar estudos científicos duvidosos que apóiam suas pesquisas e produtos. Segundo dados da jornalista, em 2007, havia mais de 100 milhões de hectares plantados com sementes geneticamente modificadas, metade nos EUA e o restante em países emergentes como a Argentina, a China e o Brasil.

O documentário anterior de Marie-Monique mostra entrevistas realizadas por ela onde militares argentinos reconhecem ter aplicado técnicas de tortura e de desaparecimento importadas da França durante a Ditadura no país. Com entrevistas, imagens de arquivo e documentos, “Os esquadrões da morte” relata como os franceses ensinaram aos militares da América Latina métodos de tortura desenvolvidos na Argélia e na Indochina. Os depoimentos dos generais argentinos Ramón Díaz Bessone, Reynaldo Bignone e Albano Harguindeguy são impactantes e têm ajudado na incriminação de diversos algozes da Ditadura Argentina.

Quando perguntada como conseguiu que os generais lhe concedessem tais entrevistas, Marie-Monique não deixa sombra de dúvida. “Eu enganei esses senhores”, responde. O documentário é resultado de dois anos de trabalho.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Transgênicos não são o caminho para atacar a fome


De acordo com o Boletim 389 de 18 de abril de 2008 da AS-PTA:


O IAASTD (Avaliação Internacional sobre Ciência e Tecnologia Agrícola para o Desenvolvimento, na sigla em inglês) publicou na última terça-feira um relatório (http://www.agassessment.org/) atestando claramente que a presente geração de lavouras transgênicas não fornece nenhum caminho para atacar a fome que assola milhões de pessoas em todo o mundo.

O documento foi produzido ao longo de três anos por mais de 400 cientistas de todo o mundo, contando com a contribuição de governos de países ricos e em desenvolvimento, além do setor privado e da sociedade civil,

O relatório também enfatiza a necessidade de se ampliar as pesquisas agrícolas para as funções chave da agricultura, que incluem a proteção do solo, da água e da biodiversidade, bem como a necessidade de se aproveitar o conhecimento tradicional de milhões de pequenos agricultores dos países do Sul. O documento aponta a necessidade de pesquisas visando diminuir as contribuições da agricultura para o efeito estufa e otimizar o papel que a agricultura pode ter na mitigação de alguns dos impactos das mudanças climáticas, e aborda também o fracasso das atuais políticas de mercado para ajudar as pessoas mais pobres do mundo.

Monsanto defende hormônio do leite através de ONG nos E.U.

A Afact, sigla em inglês que significa “Agricultores americanos para o avanço e conservação da tecnologia”, se autodenomina uma “organização de base”, criada para defender o direito dos agricultores/pecuaristas de usar o hormônio de crescimento bovino transgênico, chamado somatotropina (ou rBST, ou ainda rBGH).

O que a Afact não diz é que possui laços estreitos com a Monsanto, que produz o rBGH, comercializado nos EUA com o nome Posilac. O grupo foi organizado pela própria Monsanto e por um consultor de Colorado que tem a empresa na sua lista de clientes. A organização também teve o apoio da firma de marketing Osborn & Barr, que inclui um ex-executivo da Monsanto entre seus fundadores, e trabalhou para a empresa na campanha do Posilac.

Como cada vez mais consumidores americanos estão optando por comprar leite que não contenha hormônios de crescimento artificiais, a Afact começou uma contra-ofensiva buscando impedir que os rótulos de leite informem a ausência do hormônio. Essas informações foram publicadas pelo jornal New York Times, edição de 09 de março deste ano.

O hormônio transgênico desenvolvido pela Monsanto é injetado nas vacas para aumentar a produção de leite. Diversos estudos indicam que o hormônio produz efeitos colaterais nas vacas, como o aumento da incidência de mastite (inflamação nas mamas), e que provoca no leite o aumento do nível de outro hormônio associado ao surgimento de câncer de mama, próstata e colo.

O rBGH é proibido na maior parte dos países, mas liberado nos EUA e no Brasil. Dois produtos comerciais são vendidos aqui: o Lactotropin, da Elanco, e o Boostin, da Schering-Plough. Nenhuma das empresas informa que o produto é transgênico e o Ministério da Agricultura não fiscaliza seu uso.

Fonte: Conselho de Fiscalização do Cumprimento da Lei de Transgênicos

Obs: Essa história de querer impedir a rotulagem de transgênicos se parece muito com a que ocorre aqui no Brasil...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Manifestantes anti-transgênicos presos e depois libertados na Indonésia

De acordo com o Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos - Boletim 389 - 18 de abril de 2008:


Logo após uma manifestação pacífica contra o arroz transgênico organizada pela Rede de Ação Contra Agrotóxicos (PAN Ásia-Pacífico) em 8 de abril, quinze pessoas provenientes de seis países asiáticos foram seqüestradas em seu próprio ônibus pela polícia, que os levou a uma delegacia. Lá foram submetidas a interrogatórios durante várias horas e só foram libertadas às três horas da manhã, mas tendo seus passaportes retidos.

A manifestação aconteceu durante a “Semana de Ação pelo Arroz”, realizada entre 2 e 8 de abril, que reuniu camponeses, agricultores, comunidades rurais e outros setores da sociedade com o objetivo de festejar e proteger a cultura do arroz sob o lema “Não ao arroz transgênico na Ásia”.

As autoridades de governo devolveram os passaportes dos manifestantes de forma incondicional somente após 3 dias, em 11 de abril. Segundo um dos manifestantes, a liberação do grupo só foi possível graças ao enorme apoio e solidariedade que recebeu de diversas organizações asiáticas.

Este episódio ocorrido na Indonésia mostra o poder que as transnacionais exercem sobre os governos, que em sua defesa utilizam o aparato repressivo do Estado para calar todo protesto contra os transgênicos. Mais ainda, mostra uma situação em que aqueles que deveriam ser submetidos a juízo por apropriação indevida dos recursos genéticos e por atentar contra a essência da vida (a semente) gozam de liberdade, enquanto os que defendem a vida e a soberania alimentar dos povos são privados de liberdade e tratados como criminosos.

RAP-AL Uruguay - Red de Acción en Plaguicidas y sus Alternativas para América Latina, 15/04/2008.

Capim massambará é resistente ao glifosato

De acordo com o Boletim 389- Por um Brasil Livre de Transgênicos:

O Sorghum halepense L., no Brasil conhecido como capim massambará ou erva de São João (nos EUA conhecido como Johnsongrass), uma das ervas invasoras mais problemáticas do mundo, se tornou resistente ao herbicida glifosato (princípio ativo do Roundup da Monsanto) em alguns lugares do Arkansas e do Mississipi. O capim massambará é a mais recente em uma lista de ervas invasoras já resistentes que colocam em questão o amplo uso de lavouras transgênicas resistentes a herbicidas.

Este ano os agricultores americanos aplicarão o Roundup em mais de 40 milhões de hectares de soja, milho e algodão geneticamente modificados para tolerar o herbicida. Estas e outras lavouras transgênicas foram vendidas com a promessa de diminuir o uso de agrotóxicos, mas o uso excessivo de qualquer herbicida leva inevitavelmente as ervas invasoras a desenvolverem resistência ao produto, assim como está acontecendo com o capim massambará.

Para saber mais:
FEED - Food & Environment Electronic Digest -April 2008
http://www.ucsusa.org/food_and_environment/feed/feed-april-2008.html#1
Leia mais sobre este caso (em inglês) em:
http://deltafarmpress.com/soybeans/johnsongrass-scott-0319/
Em http://www.weedscience.org há um banco de dados sobre ervas invasoras resistentes ao herbicida em todo o mundo.

Fonte: Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos - Boletim 389 - 18 de abril de 2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Fraude científica em estudo italiano: "Este estudo, tendencioso desde o início para uma conclusão de ausência de riscos..."

Fonte: Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos - boletim 387 - 07 de abril de 2008.

Fraude científica em estudo italiano.

O grupo Cymru Livre de Transgênicos (Cymru é como se chama o País de Gales em galês) divulgou recentemente um comunicado à imprensa revelando as falhas contidas em um estudo italiano em que ovelhas foram alimentadas com o milho transgênico Bt176, visando avaliar a segurança do produto para o consumo -- um verdadeiro caso de fraude científica.

O caso merece ser relatado pois ilustra como são conduzidos os estudos que levam à aprovação dos produtos transgênicos, e aos quais órgãos como a nossa CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) se agarram para alegar que a segurança destes produtos para a saúde e o meio ambiente “está mais do que provada”.

A pesquisa italiana parece ter sido especificamente desenhada e conduzida para confirmar a hipótese da ausência de riscos. Entre 2002 e 2005, cientistas da Universidade de Perugia financiados pelo Ministério da Saúde da Itália conduziram um estudo envolvendo 106 ovelhas em fase de reprodução, das quais um grupo foi alimentado com uma dieta contendo o milho Bt176. No artigo científico que divulgou os resultados faltam informações cruciais.

O preâmbulo do artigo diz que “faltam estudos de longo prazo conduzidos com um alto número de animais durante várias gerações com o objetivo de avaliar os efeitos de alimentos transgênicos na criação de animais”, indicando que o estudo cobriria esta lacuna. Mas ele não o faz. Curiosamente, embora o estudo tenha durado o período de três gerações, apenas uma geração de ovelhas foi alimentada com o milho transgênico, e aos seus filhotes não foi dada qualquer quantidade de milho transgênico. O tamanho real do grupo testado não é informado em nenhum lugar do relatório.

Outro dado curioso, é que a quantidade de milho transgênico dada ao grupo de ovelhas testado foi muito pequena, representando apenas 5,6% de sua dieta, exceto durante o período de lactação, em que a proporção foi aumentada para 19,4%.

Os pesquisadores encontraram diferenças importantes em 4 dos 30 parâmetros de sangue investigados e em alguns itens as diferenças estavam muito próximas de significância estatística. Ainda assim, estes resultados foram efetivamente desconsiderados ou desmentidos. Também as diferenças histológicas encontradas entre o grupo controle e o grupo de ovelhas testadas foram classificadas como “preliminares”, fazendo parecer que os cientistas não tiveram permissão para conduzir estudos detalhados sobre as amostras dos tecidos.

Além de todos estes problemas, identifica-se uma série de falhas na escolha dos métodos de análises laboratoriais escolhidos, na interpretação dos resultados e falta de detalhes na avaliação das causas das mudanças funcionais e celulares encontradas.

Em sua investigação sobre estes resultados, o Cymru Livre de Transgênicos descobriu que os primeiros avaliadores do relatório na revista científica Livestock Science, que publicou o artigo, expressaram preocupação acerca destas mudanças fisiológicas e indicaram que elas deveriam ser investigadas e elucidadas, mas a revista resolveu publicar o estudo assim mesmo.

Segundo o Dr. Brian John, renomado cientista e membro do Cymru Livre de Transgênicos, em 2004, sob forte pressão da Syngenta acerca das mudanças celulares descobertas no estudo, foi tomada a decisão de se abandonar a pesquisa e de se impedir que fosse publicada. Era uma época muito sensível para a Syngenta, logo após a revelação de que vacas que haviam morrido na Alemanha haviam sido alimentadas como milho Bt176. Posteriormente tomou-se a decisão de relatar os resultados da pesquisa e de submetê-los à publicação, possivelmente porque a Syngenta já havia desistido de colocar o Bt176 no mercado.

Mas, conforme observa o Dr. John, desde o começo este estudo, assim como a maioria dos estudos deste tipo, foi desenhado para provar a equivalência nutricional entre o milho transgênico e o não-transgênico, e para demonstrar que a saúde e a performance dos animais não seria negativamente afetada pelo consumo do milho transgênico. Ele tem todos os sinais de um estudo cuidadosamente fabricado para a promoção de uma conclusão aceitável para a Syngenta. Os resultados do estudo foram efetivamente predeterminados quando o componente transgênico na alimentação das ovelhas foi estabelecido em quantidade absurdamente pequena. Além disso, apenas um pequeno grupo de ovelhas em fase de reprodução foi alimentada com a dieta de teste, quando houve a oportunidade de se estudar três gerações. E uma demanda por estudos mais detalhados foi negada quando a evidência de proliferação ativa de células basais foi descoberta.

Este estudo, tendencioso desde o início para uma conclusão de ausência de riscos, é mais um exemplo da influência pérfida das corporações de biotecnologia sobre o trabalho honesto de pesquisa de cientistas em instituições acadêmicas.

O único consolo que se pode tirar deste caso particular é que as evidências deste estudo sobre os danos ao pâncreas, fígado e epitélio ruminal de ovelhas alimentadas com milho transgênico pode ter ajudado a convencer a Syngenta de que o milho Bt176 era uma variedade instável e fundamentalmente perigosa, apressando seu fim.

Maiores informações em:

Bt176 sheep feeding study -- another case of scientific fraud?

Press Notice from GM Free Cymru, 10th March 2008

Margarinas e maioneses devem ser rotuladas

17/04/2008 - 09h42

As margarinas e as maioneses estão na mira do Ministério Público de São Paulo. A suspeita é a de que elas sejam produzidas com matéria-prima geneticamente modificada, sem que isso seja informado ao consumidor nos rótulos. Na mira da promotoria estão as margarinas e maioneses das empresas Cargill e Bunge.
Fonte: BandNews

mais um livro sobre transgênicos!!

Além do livro da jornalista francesa Marie Rodin, surgiu mais um, agora em português: TRANSGÊNICOS: As sementes do mal. A silenciosa contaminação de solos e alimentos.

O livro tem 280 páginas e custa R$15,00. Pode ser comprado no site da editora.

Deve a transgenia eliminar da mesa e das lavouras as plantas e os alimentos tradicionais? Em torno dessa questão se acendeu um caloroso debate na Europa. O acordo de coalizão do governo alemão promete o apoio à transgenia de acordo com os interesses da indústria química. Os consumidores, ao contrário, recusam a “comida de laboratório” e também os agricultores reagem desesperadamente. Nos EUA, no Canadá e na Argentina já há dez anos sementes transgênicas patenteadas foram utilizadas para cultivo em extensas áreas. Ali, tanto os riscos ecológicos e à saúde podem ser pesquisados como as falsas promessas da indústria química. O uso de agrotóxicos aumentou, a produtividade diminuiu e a coexistência entre cultivos transgênicos e não transgênicos é impossível. As plantas transgênicas se expandem de forma descontrolada. Como se isso não bastasse: de acordo com um relatório dos EUA a poderosa indústria de sementes Monsanto parece não se intimidar com nada. Corrupção, pressões, denúncias, investigações, falsificação de contratos e de estudos científicos, bem como a eliminação de pequenos agricultores do processo produtivo integram o arsenal do seu império econômico. Para essas ações a Monsanto emprega, somente em seu departamento jurídico, 75 advogados, que contam com um orçamento anual de 10 milhões de dólares.

O conteúdo do livro:
• A não esclarecida morte de 70 vacas leiteiras após terem sido tratadas por um longo período com milho trangênico.
• O quanto é confiável a pesquisa encomendada a biólogos moleculares?
• Qual é a influência de lobistas sobre a liberação de plantas transgênicas realizada em Bruxelas e Berlim?
• Semente transgênica não rotulada em programas de combate à fome.
• A eliminação de pequenos agricultores nos EUA e a crescente resistência.
• Monsanto: com 75 advogados e um orçamento de 10 milhões de dólares contra os agricultores
• Substâncias alérgicas na soja.
• Alimentos transgênicos e seus efeitos.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

CNTBio se reune hoje, na pauta constam 12 solicitações para liberação comercial

CTNBio - 16/04/2008 - 08:40
CTNBio realiza a terceira reunião do ano
Na pauta constam 12 solicitações para liberação comercial

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) volta a se reunir hoje (16), em Brasília (DF). Esta será a terceira reunião ordinária do ano. Hoje, o encontro será para deliberações nas quatro câmaras setoriais. Amanhã (17), será realizada a reunião plenária.

Na pauta da 112ª reunião ordinária constam 12 solicitações para liberação comercial. A relação inclui pedidos para liberação comercial de variedades de arroz tolerante a glufosinato de amônio; algodão tolerante ao glifosinato de amônio e resistente a insetos; milho tolerante ao glifosato e resistente a insetos; liberação comercial para vacina inativada contra circovirose suína; e soja geneticamente modificada tolerante ao herbicida glufosinato de amônio.

Além das solicitações para liberação comercial, a pauta inclui ainda outros 46 pedidos para pesquisas. As reuniões das câmaras setoriais ocorrem na CTNBio, que fica no setor Policial Sul, área 5, Quadra 3 Bloco B, Brasília(DF). Na quinta-feira, a plenária será das 9h às 18h, no auditório Renato Archer, no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

Veja aqui a pauta.

Rafael Godoi - Assessoria de Comunicação do MCT
Fonte: Agência CT

CNTBio aprova nova resolução que "tornará mais ágil a análise dos pedidos de liberação comercial de OGM"

Biossegurança - 14/03/2008 - 10:15
Resolução da CTNBio detalha procedimentos para liberação comercial

Walter Colli ressalta que a edição do texto não altera procedimentos da Comissão

Resolução da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), publicada ontem (13), no Diário Oficial da União, determina que não será exigida nova análise para emissão de parecer técnico de organismo geneticamente modificado que já tenha sido aprovado na comissão.

A Resolução nº 05 trata das normas para liberação comercial de organismos geneticamente modificados (OMG) no País. Com sua publicação, fica revogada a Instrução Normativa n.º 20, de dezembro de 2001.

Na prática, de acordo com o presidente da CTNBio, Walter Colli, o fim da exigência de nova análise para casos já aprovados, bem como outras determinações contidas no texto, já eram seguidas pela comissão.

A CTNBio baseava suas decisões em pelo menos outras duas instruções, além da nº 20.
De acordo com Colli, parte das determinações previstas no novo texto já constam na IN 03, de 1996, e na IN 10, de 1998. Segundo o presidente da Comissão, a RN 05, na verdade, mantém esses procedimentos, mas traz em seus anexos uma relação detalhada de informações que necessitam ser observadas pelo requerente.

"A nova Resolução, ao explicitar todos os procedimentos, facilitará a apresentação de requerimentos e tornará mais ágil a análise dos pedidos de liberação comercial de OGM", destaca. Walter Colli ressalta ainda que a edição do novo texto não trará alterações aos procedimentos da comissão.

A Resolução nº 05 foi aprovada por unanimidade na primeira reunião ordinária da CTNBio, realizada no dia 21 de fevereiro.

Rafael Godoi - Assessoria de Comunicação do MCT

Embrapa, Epamig e Fundação Triângulo usam tecnologia RR

Uberaba desenvolve novas variedades de soja

Por Fernando Natálio

17/04/2008

Duas novas variedades de soja comercial chegarão aos agricultores da região de Uberaba, para serem utilizadas ainda este ano, prometendo mais vantagens que as já existentes. Os dois tipos são frutos de cerca de onze anos de pesquisas. Todos os anos, são desenvolvidas novidades como essas. "Neste ano, criamos duas e vamos colocá-las nas mãos dos produtores de sementes para que eles possam multiplicá-las. Eles poderão plantar estas sojas já na próxima safra, no final deste ano, colhê-las em 2009 e lançá-las no mercado, disponibilizando-as para os consumidores", ressalta o pesquisador da Embrapa, Neylson Arantes.

Rotatividade. Uma parceria entre Embrapa, Epamig e Fundação Triângulo permitiu a criação de uma semente de soja convencional precoce, voltada para situações de safrinha e renovação de cana: a BRSMG 752S – este S no final é colocado para lembrar que se trata de uma soja que permite a safrinha.

O Programa de Melhoramento executado através dessa parceria possibilitou o desenvolvimento dessa soja, cujo ciclo é de 110 dias na região. Para permitir a plantação de safrinha, o plantio deve começar cedo, conforme explica Neylson. O processo deve ser aberto no início de novembro para que a colheita ocorra em fevereiro. Nesse caso, o produtor poderá aderir a uma safrinha de milho ou sorgo.

Ainda segundo Neylson, essa variação da soja também é ideal para quem tem terras onde é freqüente o cultivo de cana. "Depois de cortar a cana vezes seguidas, o canavial fica debilitado e a terra precisa de novo plantio para ser recuperada. E uma destas novas variedades da soja lançadas por nós possui características para se encaixar neste quadro", revela.
"E ela detém ganho genético. Por isso mesmo, a produtividade desta BRSMG 752S é excelente e supera as variedades tradicionais neste quesito. O seu ganho médio em relação às outras é de 10%", completa.

Resistência. Ainda de acordo com o pesquisador, há uma outra variedade de soja comercial desenvolvida através da parceria. É a BRSMG 811CRR, cuja característica principal é a resistência à praga nematóide cisto, um problema complicado que costuma ser verificado em nossa região. "Ela também é resistente à nematóide de gália e possui produtividade satisfatória, superior à registrada pelas variedades tradicionais plantadas onde existem estas pragas", garante o pesquisador. Conforme Neylson, o RR no final do nome dessa variedade indica soja transgênica resistente ao herbicida glifosato.

Fonte: Jornal da Manhã Online

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Depoimento de Percy Schmeiser - produtor canadense

Depoimento do agricultor Percy Schmeiser - Canadense, produtor de canola que teve sua produção contaminada pelos transgênicos da Monsanto que era produzido por um de seus vizinhos.
O agricultor foi processado em 1998 e ganhou a ação recentemente.
O vídeo tem tradução para o português. Informa como é o contrato com a Monsanto, que é verificado através da "forma policial" da Monsanto.


Uso de transgênicos aumenta o uso de herbicidas

De acordo com o novo relatório da ONG Friends of The Earth International, ao invés de reduzirem o uso de agrotóxicos nas lavouras, conforme promessas das companhias de biotecnologia, os transgênicos, no final, causaram um aumento no uso de químicos”.

O trabalho intitulado “O aumento no uso de pesticidas” mostra dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos de que ocorreu um aumento de 15 vezes no uso do herbicida glifosato entre 1994 e 2005, que é o princípio ativo do herbicida Roundup, da Monsanto.

O pior é que devido a resistência do mato ao glifosato, aumento o uso de herbicidas que antes já estavam abandonados e que são muito mais tóxicos. Herbicidas como o 2,4-D usado em soja transgênica teve um aumento de mais que o dobro em seu uso entre 2002 e 2006, e aplicações de atrazine (um herbicida banido na Europa) nos EUA aumentaram em 12% entre 2002 e 2005. Além do que, a soja transgênica RR não apresentou “produtividade mais alta do que a soja convencional”. Sendo que os estudos mostraram “uma média de produtividade 5 a 10% menor”.

Fonte:
PANNA: Pesticide Action Network North América, 20/03/2008.
Weekly News Update on Pesticides, Health and Alternatives
http://www.panna.org/resources/panups/panup_2008032

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O ano em que a imprensa sentiu o clima

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=465IMQ001


Reportagem do Observatório da Imprensa, sobre como escolhas editoriais a imprensa "não levam em conta a amplitude dos elementos suscitados pelos fatos podem se revelar desastrosas". Tais como os transgênicos, que só interessam àMonsanto. "A imprensa chamou de "ecochatos" aqueles que vislubraram o desastre com décadas de antecedência. O desastre está aí."

BALANÇO 2007
O ano em que a imprensa sentiu o clima

Por Luciano Martins Costa em 25/12/2007


Este foi o ano em que a imprensa descobriu o meio ambiente. Por conta do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês), divulgado em fevereiro, os jornalistas se viram colocados diante da constatação científica, com quase 100% de certeza, de que o ser humano é responsável pelas mudanças climáticas que podem custar o futuro da humanidade. No rastro da questão ambiental, a mídia se aproximou do tema sustentabilidade, e tivemos nos últimos meses um crescimento no número de iniciativas editoriais nesse sentido.

Bons produtos foram colocados à disposição dos leitores e muito dinheiro entrou nos cofres das empresas de comunicação, por conta do interesse de grandes companhias de vincular suas marcas às preocupações com a salvação do planeta. Tivemos cadernos especiais, revistas gordas de anúncios falando da Amazônia, de empresas verdes e empresários motivados pela mais ferrenha responsabilidade socioambiental.

Mas a realidade não mudou. A imprensa não tomou uma posição firme na cobrança dos governantes e do capital globalizado por uma mudança nas políticas públicas e nos paradigmas econômicos, e chegamos a dezembro com índices ainda mais vergonhosos de destruição do meio ambiente.

Congestionamento final

Multidões se acotovelam nas lojas em busca de seus sonhos de consumo, num Natal aquecido por combustíveis poluidores e pela lenha das florestas. No Brasil, o governo comemora um aumento de 11% na arrecadação, e apesar de haver perdido uma receita de 40 bilhões de reais por ano, segue tocando um dos mais ambiciosos projetos de obras já produzido no país – o Plano de Aceleração do Crescimento. O Brasil precisa dessas obras, mas a mídia não questiona que garantias cada uma delas oferece de que o meio ambiente será preservado, ou de que elas representam uma estratégia sustentável de desenvolvimento.

Nesse sentido, o Brasil de 2007 pouco se diferencia do Brasil de 1970, com a importante ressalva de que, hoje, vivemos formalmente numa das democracias mais avançadas entre os países em desenvolvimento. Em termos institucionais, com todas as falhas que o Estado brasileiro possa ter, temos democracia para dar e vender a russos, chineses, indianos e sul-africanos. Mas tendemos perigosamente a recriar a ideologia do "Brasil grande" dos tempos do regime militar, sob os aplausos da imprensa.

Na semana passada, o presidente Lula celebrava o reaquecimento da indústria automobilística, quando uma única empresa anunciou a criação de mil empregos no ABC paulista. São licenciados em São Paulo 700 veículos por dia. Nascem na cidade 500 crianças por dia. "Nasce" mais carro do que gente.

Há cerca de um mês, o urbanista Cândido Malta Campos Filho dizia, no programa Domingo Espetacular, da TV Record, que, pela equação atual, São Paulo vai parar no dia 14 de novembro de 2012, com um congestionamento de 500 quilômetros provocado pelo excesso de veículos. Cândido Malta sabe o que diz. Em mais de 30 anos em cargos importantes do planejamento urbano, ele e seus contemporâneos ajudaram a construir, com políticas públicas equivocadas ou por omissão, o caos que agora denunciam. Talvez ele pudesse publicar neste Observatório um artigo esclarecendo o que mudou em sua visão desde 1978, quando propôs a construção de passarelas sobre o Vale do Anhangabaú, em São Paulo, confinando os pedestres e abrindo espaço para os carros.

O estímulo às soluções individuais em detrimento do transporte coletivo deu no que deu. Isso se chama insustentabilidade. Mas a imprensa ainda celebra números de crescimento, sem atentar para os efeitos colaterais que muitos deles produzem – e que podem inviabilizar nossas grandes cidades e produzir lá adiante um grande congestionamento econômico e social.

Sociedade de consumo

O modelo agrícola vinculado à produção de biocombustíveis, as matrizes de energia definidas hoje, os modais de transporte projetados para as próximas décadas – tudo isso são oportunidades para a construção de um país moderno e ao mesmo tempo comprometido com a preservação do patrimônio de qualidade de vida que precisa ser legado às futuras gerações. Mas não é isso que está acontecendo.

Em geral, nas questões que vão a público, as contestações de grupos dissidentes são apontadas pela mídia como retrocesso, quando se dirigem contra os interesses das grandes empresas. Veja-se, por exemplo, o caso da soja transgênica: desde o primeiro protesto dos movimentos de agricultores e ambientalistas contra a disseminação das sementes manipuladas pela Monsanto, a imprensa se colocou claramente a favor da "inovação". Em parte porque os protestos eram liderados por movimentos populares considerados radicais, como o MST, em parte porque viceja nas redações um natural deslumbramento com novidades tecnológicas sem muitas exigências quanto ao fundamento científico. A imprensa é "novidadeira", o que é diferente de ser inovadora.

Pois bem. Encerra-se o ano de 2007 com a revelação de que a soja transgênica terá para os agricultores um aumento de custo quase 100% superior ao aumento sofrido pelos produtores da soja natural. Ou seja: além dos riscos ambientais apontados por especialistas desde que começou a polêmica, temos a constatação de que a soja transgênica só é boa para a Monsanto.

Esse é apenas um exemplo de como escolhas editoriais que não levam em conta a amplitude dos elementos suscitados pelos fatos podem se revelar desastrosas. A imprensa passou décadas elogiando prefeitos e governadores que construíam viadutos e vias expressas para os automóveis. A sociedade do automóvel está próxima do colapso. A imprensa embarcou nos delírios de grandeza econômica e cobrou crescimento a qualquer custo. O modelo econômico avança para o esgotamento dos recursos naturais, sob a pressão dos enormes contingentes de cidadãos que exigem sua inclusão na sociedade de consumo.

A imprensa chamou de "ecochatos" aqueles que vislubraram o desastre com décadas de antecedência. O desastre está aí.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Produtores processados por plantio de algodão transgênico em MT

03 de abril de 2008 - 13:46h
Autor: Assessoria
Fonte: http://www.sonoticias.com.br/agronoticias/mostra.php?id=21618


Uma família de agricultores da cidade de Alto Taquari responderá na Justiça Federal pelo cultivo de algodão transgênico, organismo geneticamente modificado, não autorizado pela Comissão Técnica Nacionial de Biosegurança (CTNBio).

O processo contra os agricultores foi movido pelo Ministério Público Federal a partir de uma fiscalização realizada pelo Ministério da Agricultura (Mapa) na fazenda, de propriedade da família.

Na fiscalização ficou constatado o cultivo com fins comerciais de cerca de 385 hectares de algodão transgênico, com a presença da proteína CP4-EPSP, não autorizado pela CTNBio e a utilização de sementes não descritas no registro de cultivares do Mapa.

Os agricultores já foram autuados pela fiscalização que proibiu a colheita da lavoura e beneficiamento dos grãos e determinou a suspensão da venda do algodão transgênico cultivado.

O procurador da República Marcellus Barbosa de Lima, explica que a produção de organismos geneticamente modificados sem autorização ou em desacordo com com as normas estabelecidas pela CTNBio é crime previsto no artigo 29 da Lei 11.105/95, que prevê de um a dois anos de reclusão e multa.

A pergunta que fica é.... como eles conseguiram? quem deu essas sementes?

Le Monde Selon Monsanto

O documentário bombástico da escritora Marie-Monique Rodin, "O Mundo Segundo Monsanto" foi ao ar a primeira vez no dia 11 de março.
Ele mosta como a Monsanto se envolveu no Projeto Manhatan, que deu origem à bomba atômica. Fala da participação da Monsanto na Guerra do Vietnã com seu agente laranja. Mostra a relação dos transgênicos da Monsanto e o suicídio de milhares de agricultores indianos. Conta a destruição causada agricultura dos países em desenvolvimento pela Monsanto. Mostra as táticas da Monsanto para calar qualquer voz que ameace falar contra algo que ela produz.

Mandei email para a TNT perguntando se vão passar só na França ou se vão passar no Brasil também!

Quem quiser saber mais sobre o documentário e sobre o livro acesse: http://transgenicosnao.blogspot.com/2008/04/livro-revela-o-lado-obscuro-da-monsanto.html

Trailer do documentário: O mundo segundo monsanto

Para assistir ao trailer do documentário Le Monde Selon Monsanto:


quarta-feira, 9 de abril de 2008

Qual a relação entre o Brasil, a Petrobrás, a privatização e a Monsanto?

Entrevista com FERNANDO SIQUEIRA - Diretor da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás) pela revista Fazendo Média explica porque o Brasil não deixa a Petrobrás investir em energia alternativa, porque há esse desejo obscuro de privatizar tudo e porque a Monsanto quer soja transgênica aqui no Brasil.

http://www.fazendomedia.com/fmoutros/entrevista0017.htm

..."E o preocupante é que a Monsanto, uma das maiores empresas do mundo no ramo dos transgênicos, está firmemente determinada a ganhar o mercado de energia no Brasil e em todo o Terceiro Mundo. Essa questão de ela plantar a soja transgênica e criar uma discussão alimentar é um pano de fundo, que é ter a soja como geradora de energia e biogás e sobre o controle dela"...

Laranja transgênica será testada em Bauru

Maior produtor mundial de laranja e de suco, o Brasil fará também os primeiros testes de plantio no campo de plantas cítricas transgênicas resistentes às doenças, o principal gargalo produtivo do setor. A Alellyx Applied Genomics, empresa de pesquisa da Votorantim Novos Negócios, aguarda parecer da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para iniciar o plantio numa fazenda de Bauru de variedades cítricas geneticamente modificadas.

Essas variedades são resistentes ao vírus da necrose e a bactérias, como as causadoras da clorose variegada dos citros (CVC) e do cancro cítrico. Os dois processos para a chamada liberação planejada no ambiente estão na pauta da CTNBio.

De acordo com a assessoria de comunicação da comissão, o processo relativo à necrose está em fase de diligência e o da resistência às bactérias ainda não foi relatado, mas é provável que eles sejam incluídos na pauta da reunião do próximo mês. "A partir do plantio em campo, começa a reta final até a liberação comercial, mas não dá para prever quando ela vai ocorrer", disse o diretor executivo da Votorantim Novos Negócios e expresidente da CTNBio, Fernando Reinach. Segundo ele, a empresa já conseguiu cultivar plantas geneticamente modificadas de laranja resistentes ao greening, principal praga da citricultura. Em breve, será protocolado o pedido na CTNBio para o plantio delas em campo.

Se o executivo demonstra otimismo em relação aos resultados científicos das variedades transgênicas de laranja, ele admite que irá enfrentar dificuldades para conseguir conquistar os consumidores da fruta. "Mesmo que o Brasil aprove a fruta, ainda não dá para saber como será a reação do consumidor e dos clientes do suco de laranja brasileiro", disse Reinach. Das cerca de 1,4 milhão de toneladas produzidas de suco de laranja concentrado e congelado no País, 98% são exportadas.

Jornal de Limeira-SP, 19/03/2008.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Consea sugere vetos a Terminator


O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional encaminhou ao presidente Lula exposição de motivos na qual se posiciona contrário às tecnologias genéticas de restrição de uso, conhecidas como Terminator. O termo se refere a modificações genéticas feitas nas plantas para produzir sementes estéreis. A Lei de Biossegurança proíbe esse uso no país, mas dois projetos pedem a liberação no Congresso.

Fonte: Correio do Povo-RS, 20/03/2008.

Monsanto perde processo por contaminação

O agricultor canadense Percy Schmeiser conseguiu na semana passada uma vitória nos tribunais contra a Monsanto. Ele e sua esposa, Louise, ficaram mundialmente conhecidos após terem suas plantações contaminadas por canola transgênica e serem processados pela Monsanto acusados de violarem suas patentes biotecnológicas.

No acordo recente, a Monsanto irá pagar 660 dólares canadenses ao casal para pôr fim a uma ação de pequenas causas que eles moveram contra a multinacional em função dos custos que tiveram para remover a canola transgênica de suas lavouras.

“Após dez anos, finalmente justiça foi feita”, disse Schmeiser em entrevista após a decisão. “De fato eu sinto que se um agricultor for contaminado ele tem o direito de ir atrás da Monsanto e cobrar sua responsabilidade e a limpeza da contaminação”.

Já em 2005 a empresa havia concordado em pagar os custos referentes à limpeza da canola transgênica, desde que o casal assinasse um termo de sigilo em que se comprometesse a nunca revelar o conteúdo do acordo. “Esse acordo era uma verdadeira mordaça”, disse Schmeiser. “Jamais abriríamos mão de nossa liberdade de expressão para uma corporação”. De acordo com a negociação feita o casal Schmeiser não está impedido de falar sobre o termo assinado.

Segundo a Monsanto Canadá, 16 agricultores canadenses assinaram o termo de sigilo em 2007. Em 2005, foram 5 casos de agricultores contaminados que procuraram reparação dos danos. Em nota, a empresa afirma não assumir responsabilidade sobre o caso.

A partir de 1995 o cultivo da canola transgênica Roundup Ready (resistente ao herbicida Roundup, assim como a soja transgênica da Monsanto) se espalhou pelo Canadá. E como a canola é uma planta de polinização aberta (como o milho), é impossível conter a contaminação.

Percy alerta que o que está em jogo não são esses 660 dólares, mas sim milhões de dólares em compensação a agricultores que viram suas terras serem contaminadas por material transgênico e o direito dos agricultores de produzir lavouras livres de transgênicos. “Isso poderá custar à Monsanto milhões e milhões de dólares mundo afora”, conclui Percy.

Fonte: Por um Brasil Livre de Transgênicos, nº 386

segunda-feira, 7 de abril de 2008

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Wal-Mart veta leite com hormônio transgênico nos EUA

A rede de supermercados Wal-Mart declarou na última quinta-feira que o leite da sua marca-própria chamada Great Value está sendo adquirido somente de vacas que não tenham sido tratadas com hormônios artificiais de crescimento, como o hormônio transgênico somatotropina (rBST).

A rede varejista disse que a sua cadeia Sam’s Club também está oferecendo apenas leite de fornecedores que garantiram não tratar suas vacas com o rBST.

Embora o FDA (agência governamental americana que regulamenta alimentos e medicamentos) tenha dito que o leite de vacas tratadas com o rBST não apresente riscos para a saúde humana, o Wal-Mart disse que fez a mudança em resposta à demanda dos clientes.

Outra rede varejista, a Kroger Co., com 2.500 lojas nos Estados Unidos, começou no mês passado a vender somente leite produzido sem o uso de hormônios como o transgênico rBST. A Safeway Inc. com mais de 1.700 lojas, também mudou seus produtos de marca própria para oferecer leite sem rBST, embora também venda leite de outras marcas produzido por vacas tratadas com o hormônio. E, desde janeiro, a Starbucks Corp. também só está usando leite sem rBST em suas lojas.

Fontes:
Reuters, 21/03/2008.
ReportonBusiness.com, 22/03/2008.
Figura: John Hannah

Monsanto compra a holandesa De Ruiter Seeds

A empresa espera elevar o volume de negócios da Seminis, sua divisão de sementes, para um bilhão de dólares até 2012.

Redação (01/04/2008)- O grupo Monsanto anunciou nessa segunda-feira (31-03) um acordo para adquirir a produtora holandesa de sementes de legumes De Ruiter Seeds por 546 milhões de euros em efetivo, o que representa US$ 800 milhões, excluídas as dívidas.

Com esta compra deve aumentar o lucro por ação da Monsanto, assim como seu fluxo de caixa e seu volume de negócios no segundo ano depois da aquisição. A Monsanto indicou que, com esta aquisição, espera elevar o volume de negócios da Seminis, sua divisão de sementes, para um bilhão de dólares até 2012.

fonte: AFP

http://www.aviculturaindustrial.com.br/site/dinamica.asp?id=32177&tipo_tabela=negocios&categoria=empresas

Detecção de Sequências de DNA modificado em leite na Itália

Este estudo mostra algo cuja possibilidade era até então negada pelos defensores de transgênicos: o DNA das plantas transgênicas aparece no leite das vacas que foram alimentadas com essas rações.
De 60 amostras de leite, de 12 marcas diferentes, 15 amostras (25%) apresentaram sequências de DNA de milho transgênicos e 7 amostras (11,7%), sequências de DNA de soja transgênica.

O trabalho é intitulado: "Detection of genetically modified DNA sequences in milk from The Italian market". Autores: A. Agodi et al. /Revista: Int. J. Hyg. Environ.-Health 209 (2006) 81–88

http://www.zivilcourage.ro/pdf/Detection_of_GM_DNA_sequenses_in_Milk_Italy.pdf

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Cientistas Suecos Descobrem que Semente Alterada tem Vida Longa


Fonte: Valor Econômico, 03 abril 2008, pg B14


Cientistas suecos descobriram que sementes de algumas culturas geneticamente modificadas conseguem durar pelo menos dez anos no solo. A descoberta, noticiada pelo site da rede britânica BBC, deve aumentar as críticas de grupos contrários à transgenia. para os quais essas sementes não podem ser contidas uma vez plantadas. Isso provocaria contaminações em variáveis convencionais ou orgânicas.

Os cienhsta examinaram um campo experimental com canola transgênica resistente a herbicidas desenvolvido há uma década. O experimento foi interrompido, e funcionários do Conselho Sueco de Agricultura realizaram aplicações intensivas de químicos que deveriam ter erradicado as sementes. Mesmo assim, os cientistas localizaram 15 plantas com os genes modificados.

"Ficamos muito surpresos, disse à BBC Tina D'Hertefeldt, que liderou a equipe de cientistas da Lund University que realizou o plantio experimental há uma década. Os cientistas, no entanto, são cautelosos em afirmar que as plantas transgênicas, por terem sobrevivido, são mais resistentes que as convencionais.

A canola é a quarta maior cultura transgênica do mundo, depois da soja, milho e do algodão.


Monsanto tem forte incremento de receita e lucro líquido globais

Fonte: Valor Econômico, 03 abril 2008, pg B14


A americana Monsanto encerrou os primeiros seis meses de seu exercício 2008, em 29 de fevereiro, com receita líquida global de US$ 5,878 bilhões, 41,7% mais que no mesmo período do ano-fiscal anterior (US$4,148 bil hões), e lucro liquido consolidado de US$1,3835 bilhões, urn salto de 118,8% em igual comparação.

Os resultados foram construidos no segundo trimestre, quando a receita liquida total da múlti sub iu 44,8% sobre o mesmo quarto de 2007, para USS 3,779 bilhões, e o lucro liquido aumentou 107,9% e atingiu USS 1,129 bilhão, conforme balanço publicado ontem.

Entre os principais negócios da empresa, o destaque foi a divisão de sementes e genômica. Neste, a receita liquida semestral somou US$ 3,381 bilhões, 34,7% superior ao valor apurado nos primeiros seis meses do exercício anterior. Na área de produtividade agricola, que inclui defensivos, a receita foi de US$2.497 bilhões, 52,4% maior.

A melhora dos resultados da embalada se deu em um ambiente de aquecida demanda mundial por alimentos e de disparada das cotações internacionais de commodities como milho, trigo e soja nos últimos dois anos, Conforme publicou recentemente o Valor, no Brasil o crescimento da companhia também tem sido expressivo.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Milho transgênico é banido da Romênia por falta de segurança


http://www.transgenicos.pr.gov.br/modules/noticias/
article.php?storyid=96

O governo romeno anunciou nesta semana que vai banir do país o milho geneticamente modificado MON 810 da Monsanto. A decisão é particularmente importante já que o milho é o único cultivo comercial de transgênicos permitido na Europa. Essa variedade é a mesma que foi aprovada em 2007 para plantio comercial no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).


A Romênia é o principal produtor de milho da União Européia em total de hectares plantados, com cerca de 3 milhões de hectares cultivados anualmente. Do milho MON 810 foram plantados 300 hectares no país desde 2007, representando apenas 0,01% do total de produção de milho da Romênia.

Com o anúncio do ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Romênia, Attila Korodi, o maior produtor de milho da Europa se tornará livre de transgênicos. A Romênia é o oitavo país da Europa a banir o cultivo de variedades transgênicas, seguindo os passos da França, Hungria, Itália, Áustria, Grécia, Suíça e Polônia.

Preocupações sobre a segurança do milho MON 810 levaram o governo romeno a agir. Estudos científicos mostram que o milho MON 810 provoca danos à fauna, solo e saúde humana. Sua toxina embutida, programada para matar uma de suas pragas, entra no solo e provoca danos a minhocas, borboletas e aranhas. Provas de sua segurança para a saúde humana e animal são inconclusivas.

Um recente estudo do professor Gilles Eric Séralini, especialista do governo alemão em transgênicos da Universidade de Caen, encontrou sinais de toxicidade nos órgãos internos de animais alimentados com milho transgênico.

No final de 2007, o Comissário da União Européia para o Meio Ambiente, Stavros Dimas, usou estudos similares para bloquear o cultivo de outras duas variedades de milho transgênico, parecidos com o MON 810, na União Européia. Ele também fez referências a novos estudos que mostram que a toxina Bt produzida pelo milho transgênico tem efeitos negativos nos ecossistemas aquáticos.

“Enquanto a Europa proíbe o milho MON 810, da Monsanto, o Brasil está pronto para abrir suas terras a essa variedade transgênica suspeita de causar tantos problemas”, critica Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil. “Esse milho foi aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e autorizada pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), que reúne 11 ministros. Deram às costas para o meio ambiente e à saúde dos brasileiros, privilegiando o agronegócio e uma tecnologia que não consegue comprovar sua segurança”.

CONTAMINAÇÃO GENÉTICA

A contaminação de plantações convencionais por transgênicos é um problema sério. Em 2007 apenas, houve 39 novos casos de contaminação em 23 países. Apesar disso, não há padrões internacionais para responsabilizar as empresas de biotecnologia pelos danos causados e perdas financeiras.

O relatório Registro de Contaminação Transgênica 2007 (sumário executivo em português), produzido anualmente pelo Greenpeace e pelo Gene Watch UK, já constatou 216 casos de contaminação genética em 57 países diferentes, desde que as plantações geneticamente modificadas começaram a ser feitas comercialmente (em 1996).

Milho Transgênico - questões que a CTNBio não respondeu

Confira aqui a análise feita pela AS-PTA e apresentada na audiência pública sobre o mlho transgênico que evidenciam que não há hoje bases científicas que garantam a liberação segura do milho transgênico no País.


Comentários ao pedido de liberação comercial da Bayer CropScience para o milho transgênico Liberty Link® resistente ao herbicida glufosinato de amônio – processo 01200.005154/98-36, Hoechst Shering Agrevo do Brasil Ltda.

Preparado por Gabriel Bianconi Fernandes - AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa – Rua da Candelária, 9 – 6º andar. CEP 20.091-020 – Rio de Janeiro – RJ.

As informações sobre o milho transgênico resistente ao glufosinato de amônio fornecidas pela empresa não permitem que a CTNBio conclua sobre seus riscos nem emita um parecer técnico rigoroso sobre a biossegurança do produto.

Nota: Informamos que obtivemos cópias do mencionado procedimento em agosto de 2006. No entanto, além de não termos acesso aos documentos sob sigilo, também, até o presente momento, 06 dias antes da Audiência Pública designada, não tivemos acesso aos pareceres ad hoc, nem tampouco aos pareceres proferidos nas Comissões Setoriais, conforme solicitado através do Ofício 36/2007, enviado a esta Comissão em 23 de fevereiro de 2007.

Março de 2007
Do pedido
A Hoechst Shering Agrevo do Brasil Ltda., hoje Bayer CropScience, requer da CTNBio “aprovação para o livre registro, uso, ensaios, testes, semeadura, transporte, armazenamento, comercialização, consumo, importação, liberação e descarte do milho Liberty Link – Resistente ao Herbicida Liberty, ingrediente ativo Glufosinato de amônio – referente ao Evento de transformação T25, abrangendo também todas as progênies derivadas de cruzamento de linhagens e populações não transgênicas de milho com linhagens portadoras do Evento T25, bem como todas as progênies derivadas desse Evento com outros para os quais haja autorização semelhante nos termos da legislação brasileira”. (lauda 04)

Esse pedido segue o padrão de “desregulamentação” existente nos Estados Unidos. Segundo este padrão, uma vez aprovado o evento, as linhagens resultantes da introdução do transgene em outras variedades, bem como os cruzamentos resultantes de variedade não-transgênicas com uma transgênica com o evento, ficam automaticamente aprovadas.

Equivalência Substancial
Para a empresa, o pedido de liberação da variedade é dado pela “substancial equivalência (grifo no original) do milho Liberty Link – Evento T25 – em relação ao milho comum”. (lauda 04)
Além de sustentar a biossegurança do seu produto exclusivamente com base em um conceito extremamente criticado no meio científico, a empresa solicitante ainda o faz de forma equivocada. A “equivalência substancial”, apesar de nunca ter sido adequadamente definida, implica em comparar quimicamente um alimento transgênico a seu equivalente natural e daí tirar conclusões sobre a segurança do consumo do primeiro.

Surpreendentemente, a empresa afirma que “foi realizada uma auditoria técnica de avaliação de performance agronômica e ambiental (grifo nosso), pelo professor Dr. José Branco de Miranda Filho”, da Esalq/USP, “no qual conclui-se pela equivalência substancial entre plantas transgênicas e não transgênicas (grifo nosso)” (lauda 15).

“O conceito da equivalência substancial nunca foi adequadamente definido; o grau de diferença entre um alimento natural e sua alternativa transgênica até que suas ‘substâncias’ deixem de ser aceitas como ‘equivalentes’ não está definido em nenhum lugar, assim como não existe uma definição exata acordada por legisladores. É exatamente esta imprecisão o que torna o conceito tão útil à indústria, mas inaceitável aos consumidores. Além disso, a confiança dos tomadores de decisão no conceito da equivalência substancial funciona como uma barreira para a realização de pesquisas mais aprofundadas sobre os possíveis riscos do consumo de alimentos transgênicos”i.

“A equivalência substancial é um conceito pseudo-científico porque é um julgamento comercial e político mascarado de científico. Ele é, além disso, inerentemente anti-científico, porque foi criado primeiramente para fornecer uma desculpa para não se requererem testes bioquímicos e toxicológicos. Ele ainda serve para desencorajar e inibir pesquisas científicas potencialmente informativas”ii.

“Ele deve ser substituído por uma abordagem prática que investigue ativamente a segurança e a toxicidade dos alimentos transgênicos, ao invés de simplesmente confiar neles, e que possa realmente levar em consideração princípios de saúde pública, assim como interesses industriais”iii.

“Infelizmente, os cientistas ainda não são capazes de predizer com segurança os efeitos bioquímicos ou toxicológicos de um alimento transgênico a partir do conhecimento de sua composição química. Da mesma maneira, a relação entre genética, composição química e riscos toxicológicos permanece desconhecida”iv.

A Bayer ainda insiste no uso equivocado do conceito, extrapolando-o para a avaliação de parâmetros ambientais e afirma que “Os eventos de transformação T14 e T25 tem (sic) sido testados em liberações no meio ambiente desde 1992, nas principais regiões produtoras de milho dos EUA. Esses eventos tem (sic) sido também avaliados na Alemanha, França, Itália, Canadá e Chile”. Como conclusão, a empresa afirma que “A performance nesses países é sempre substancialmente equivalente aquela (sic) observada nos EUA” (lauda 15).

Surpreende-nos o fato de este pedido de liberação comercial ter recebido votos favoráveis de membros da CTNBio e pareceres também favoráveis de consultores ad hoc mesmo diante de tamanho primarismo técnico.

O artigo completo apresenta 15 folhas, em formato PDF e pode ser baixado no site:
http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/documentos/
comentarios%20milho%20liberty.pdf/view

Milho transgênico - questões que a CTNBio não respondeu

Milho transgênico a caminho

25/05/2007 - AGÊNCIA CHASQUE. Com a liberação do milho transgênico os casos de contaminação continuarão acontecendo só que de forma muito mais acelerada. Além da mistura no maquinário, o milho transgênico se dispersará muito mais rápido pois sua polinização é aberta e feita pelo vento.


Neste mês de maio o governo liberou uma variedade de milho transgênico para plantio comercial. É o milho chamado de Liberty Link, da multinacional alemã Bayer. A mesma empresa também venderá o herbicida (mata mato) de nome Liberty para ser aplicado sobre o milho. É o mesmo caso da soja transgênica Roundup Ready da Monsanto resistente ao herbicida Roundup (glifosato).

É importante destacar que esta decisão ainda não é final e pode ser alterada. Órgãos como Ibama e Anvisa podem contestar a decisão. E o governo ainda deverá avaliar os impactos sociais e econômicos desta liberação. Depois disso, se for mantida a decisão, o Ministério da Agricultura deverá registrar a semente, o que leva mais de um ano. Ou seja, qualquer plantio de qualquer tipo de milho transgênico hoje em dia é ilegal e deve ser denunciado.

A liberação do milho transgênico coloca em risco toda a diversidade de variedades crioulas que é cultivada e conservada por agricultores e camponeses de todo o país. Não há como evitar que o milho transgênico se misture e contamine as variedades crioulas. Não há nenhum caso conhecido de país que tenha liberado o plantio do milho transgênico e que não tenha prejudicado a agricultura ecológica e mesmo a convencional não transgênica.

Na Europa já foi reconhecido que a contaminação irá acontecer. Agora se discute qual será a porcentagem de transgênicos permitida em produtos orgânicos e convencionais. Aceitar essa situação é um grande desrespeito a consumidores que desejam alimentos mais saudáveis e livres de agrotóxicos e transgênicos. Também é um desrespeito aos agricultores, que têm todo o direito de cultivar suas sementes sem serem prejudicados.

Vários agricultores vêm sofrendo prejuízos no Brasil com a soja transgênica. Mesmo aqueles que não plantam essas sementes. O governo do Paraná já detectou contaminação com até 9% de transgênicos nas sementes convencionais de soja que são comercializadas no estado. E o Paraná vem desde 2003 combatendo o plantio de transgênicos e fiscalizando as lavouras. Também há casos de produtores orgânicos que tiveram que vender a produção como convencional porque ela foi misturada na colhedora ou no caminhão com soja transgênica plantada por vizinhos. Dependendo do nível de contaminação a Monsanto, no caso da soja, ainda pode cobrar uma taxa do agricultor por ele ter usado sua tecnologia.

Com a liberação do milho tudo isso continuará acontecendo só que de forma muito mais acelerada. Além da mistura no maquinário, o milho transgênico se dispersará muito mais rápido pois sua polinização é aberta e feita pelo vento.

A única saída para evitar a contaminação é não plantar o milho transgênico e mobilizar os vizinhos para também não plantarem. Este debate deve ser levado para dentro das associações, sindicatos e demais organizações dos agricultores. Mesmo um canteiro plantado só para conhecer a semente já é suficiente para contaminar plantações vizinhas.

A pressão das empresas e do agronegócio para a liberação dessas sementes é muito grande. Tanto é que o milho Liberty Link foi aprovado mesmo sem estudos para comprovar que ele não faz mal à saúde.

Quando começar a ser plantado, o milho transgênico entrará na nossa alimentação. Isso pode acontecer via farinha, fubá, bolos e outros produtos. Também pode entrar indiretamente através de aves, suínos e outros animais que comeram milho transgênico. Tudo deverá ser rotulado. Mas infelizmente sabemos que pode acontecer o mesmo que acontece com a soja e nada ser rotulado.

Novamente, é importante que essa discussão seja levada adiante. O trabalho de resgate, multiplicação, melhoramento e troca de sementes deve ser reforçado. Além de ser uma fonte mais garantida de sementes este trabalho permite que o agricultor tenha uma produção ecológica pouco ou nada dependente de insumos externos. A semente transgênica é o caminho oposto. Prende o agricultor ao manejo convencional e altamente dependente de insumos caros.

Gabriel Fernandes é assessor técnico da ASPTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa).

Governo libera comercialização de milho transgênico

http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3488

13 fevereiro 2008

NO PRATO DO POVO

Por sete votos a quatro, conselho de ministros decide liberar duas variedades de milho transgênico produzidas por empresas transnacionais. Decisão sacramenta opção do atual governo pelos transgênicos e contraria o movimento socioambientalista.

RIO DE JANEIRO – Reunido na terça-feira (12), o Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) aprovou a liberação comercial de duas variedades de milho transgênico produzidas pelas empresas transnacionais Bayer e Monsanto. Esta é a primeira vez que o milho transgênico é liberado no país. Antes, o governo federal já havia liberado a soja e o algodão transgênicos. Com esta decisão, o CNBS, colegiado composto por onze ministérios, confirma a opção do atual governo pelos transgênicos e coloca o Brasil como um dos poucos países do mundo a se abrir para esse tipo de produção.

O placar apertado da votação no CNBS _ sete votos a quatro _ demonstra que o tema ainda é alvo de intensas divergências no seio do governo Lula. Na reunião, presidida pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, votaram contra a liberação das duas variedades de milho transgênico os ministérios da Saúde, do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente, além da Secretaria Especial da Pesca. A favor dos transgênicos, votaram a Casa Civil e os ministérios da Agricultura, da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento, da Justiça, da Defesa e das Relações Exteriores.

Principal opositora da liberação dos transgênicos no CNBS, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, não pôde comparecer à reunião do conselho, pois havia sido convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acompanhá-lo na viagem à Guiana Francesa, onde o presidente brasileiro foi encontrar o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Do lado pró-transgênicos, o mais entusiasmado era o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende: “Essa decisão histórica vai colocar o Brasil entre os países mais modernos na área agrícola”, repetia, após a votação.

Rezende também dava garantias aos repórteres de que “o milho transgênico é seguro para o consumo humano”. A opinião do ministro é idêntica à da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão subordinado ao MCT, que já havia aprovado a liberação comercial do Liberty Link (Bayer) e do MON810 (Monsanto) há dois anos. A decisão da CTNBio, no entanto, foi contestada na Justiça e também dentro do governo, sobretudo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa, subordinada ao Ministério da Saúde) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama, subordinado ao MMA), fato que fez com que a decisão final fosse remetida ao CNBS.

A Anvisa havia solicitado ao CNBS “a imediata suspensão da liberação do milho MON810”, por avaliar que “os dados apresentados pela Monsanto não permitem concluir sobre a segurança de seu uso para consumo humano”. O Liberty Link, por sua vez, teve a anulação de sua liberação pedida pelo Ibama “em razão da inexistência de estudos ambientais sobre o produto”. O Ibama também alertou aos ministros que “caso a liberação comercial do milho transgênico seja aprovada, a contaminação das variedades crioulas, orgânicas e ecológicas ocorrerá inevitavelmente”.

O fato de os dois ministérios com maior especialização sobre questões ligadas à saúde humana e ao meio ambiente se posicionarem claramente contra a liberação do milho transgênico não impediu a vitória do grupo pró-transgênicos no CNBS. Assim sendo, o governo brasileiro marcha na contramão de diversos outros países que recentemente proibiram o Liberty Link e o MON810 em seus territórios _ como, por exemplo, a Hungria (2006), a Áustria (2007) e a França (2008) _ justamente por considerar que estes produtos podem trazer risco à saúde humana e ao meio ambiente.

“Decisão vai marcar mandato”

Em nota pública divulgada logo após a reunião do conselho de ministros, as organizações do movimento socioambientalista que compõem a Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos afirmaram que “a decisão política do governo Lula, de colocar o agronegócio acima da saúde da população, do meio ambiente e da agrobiodiversidade, é uma grande irresponsabilidade que marcará seu mandato”.

Para Isidoro Revers, que é dirigente da Comissão Pastoral da Terra e da Via Campesina, a decisão do CNBS “foi absurda” e deve ser contestada: “As duas autoridades competentes para avaliar os impactos à saúde humana e ao meio ambiente se posicionaram contra as liberações comerciais. É muito contraditório que os outros ministros, que não têm competência sobre a saúde e o meio ambiente, tenham passado por cima desta decisão”, diz.

Revers também afirma considerar a decisão do governo um ataque aos pequenos agricultores: “Essa decisão atenta contra o direito dos agricultores, que perderão suas variedades tradicionais e crioulas, e dos consumidores, que não terão opção de uma alimentação saudável e não transgênica, já que não haverá controle da contaminação”, diz.

Coordenadora do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Andréa Salazar considera “um absurdo que as empresas de biotecnologia continuem negando-se a realizar os estudos exigidos pelas autoridades da área de saúde”. Ela também promete que a luta contra a liberação do milho transgênico não se esgotará após a derrota no CNBS: “Vamos continuar alertando os consumidores brasileiros sobre os riscos do milho transgênico. A Anvisa deixou bem claro que estas variedades não são seguras à saúde humana”, diz Andréa.

Orgânicos X Transgênicos - A gente não quer só comida

29/10/2006 - FOLHA DE SÃO PAULO. Seria ingênuo supor que a polarização entre transgênicos e orgânicos esteja fundada em uma disputa apenas técnico-científica. Trata-se, mais do que tudo, de uma questão de poder. A agroecologia, por suas características concretas, não facilita a concentração de poder assim como não favorece o estabelecimento de monopólios, patentes e pacotes tecnológicos.

Orgânicos X Transgênicos - A gente não quer só comida

Por JOSÉ AUGUSTO PÁDUA, professor do departamento de história da Universidade Federal do RJ e autor de "Um Sopro de Destruição".

Publicado na Folha de São Paulo em 29/10/2006.


"A ciência descobre, a tecnologia executa, o homem obedece". As palavras escritas no portal da Feira Mundial de Chicago, em 1933, sintetizam a postura submissa que ainda caracteriza a relação de importantes setores da opinião pública contemporânea com as inovações tecnológicas.

No vazio das antigas certezas religiosas, a ciência tornou-se para muitos a única fonte confiável de verdade. É irônico observar, porém, que o próprio movimento da modernidade global age no sentido de dissolver a aura de devoção construída em torno do complexo ciência & tecnologia.

O número cada vez maior de pessoas escolarizadas, a velocidade e a intensidade dos meios de comunicação, o estabelecimento de múltiplos espaços para o confronto de opiniões vêm contribuindo para gerar sociedades que discutem cada vez mais seu presente e futuro.

O que está sendo discutido, na verdade, não são os limites da ciência, mas sim o alcance da democracia na alta modernidade. Nesse sentido, a surpreendentemente forte reação de diversos atores sociais aos alimentos transgênicos, especialmente dos consumidores europeus, representa um caso paradigmático.

A pressão democrática para que a produção de organismos geneticamente modificados seja debatida de forma intensa e transparente, com uma moratória no seu uso, contribui para dar visibilidade aos condicionantes econômicos que controlam grande parte da atual pesquisa técnico-científica.

E serve também para expor o uso da ideologia da pureza do progresso científico como instrumento para justificar decisões empresariais fundadas em objetivos bem menos etéreos, tais como o aumento dos lucros e o controle dos mercados.

Princípio de precaução

Não se trata de coibir a pesquisa acadêmica. O esforço de politização das novas tecnologias, com exceção de algumas poucas vozes especialmente radicais, não passa pela defesa de uma censura da investigação teórica ou experimental.

O problema está na difusão social precoce, por motivos calcados essencialmente na busca por poder econômico, de técnicas perigosas que ainda estão sob intenso debate científico. Ou seja, uma clara violação empresarial do chamado "princípio da precaução", que estabelece, diante da incerteza, que não se devem adotar atividades ou técnicas cujas conseqüências, se negativas, podem ser irreversíveis ou além da nossa capacidade de controle.

Os organismos geneticamente modificados, na medida em que são seres vivos, podem mesclar-se com outros organismos e penetrar nas cadeias ecológicas planetárias, reproduzindo-se de forma descontrolada. É tolice, pois, associar os transgênicos à modernidade e os orgânicos ao arcaísmo.

No setor da produção orgânica, por exemplo, que está crescendo como uma alternativa ao modelo transgênico, existe hoje um grande investimento científico. Não se trata de aceitar passivamente os movimentos da natureza, mas sim de buscar ativamente, por meio de um conhecimento ecológico fino e sofisticado, formas de potencializar a produtividade e a capacidade de sustentação das lavouras.

Mas seria ingênuo supor que a polarização entre transgênicos e orgânicos esteja fundada em uma disputa apenas técnico-científica. Trata-se, mais do que tudo, de uma questão de poder. A agroecologia, por suas características concretas, não facilita a concentração de poder assim como não favorece o estabelecimento de monopólios, patentes e pacotes tecnológicos.

A gestão ecológica da agricultura requer desenhos locais, que dialoguem com as condições específicas de cada domínio do território. Seus insumos, além disso, são renováveis e recicláveis.

No núcleo da pressão pelos transgênicos se encontra a fome de poder de um número restrito de enormes conglomerados empresariais, que, no limite, buscam usar as novas tecnologias para dominar a oferta de sementes e reduzir a autonomia dos agricultores e, por extensão, das sociedades.

É assustador imaginar um futuro em que algo tão vital como as sementes -assim como as fontes da alimentação em geral- estejam nas mãos de pouquíssimas corporações. O consumidor, ao optar pelo que comer e por qual modelo favorecer, pode estar fazendo política no mais alto grau.

http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/artigos/organicos-x-
transgenicos-a-gente-nao-quer-so-comida-artigo-de-jose-augusto-padua