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domingo, 24 de maio de 2009

Para controlar resistência causada pelo glisofato (soja RR), vem aí a soja resistente ao 2,4-D (extremamente tóxico - agente laranja): CTNBio e Dow tentam disfarçar

Abaixo, transcrevo parte do Boletim 442 - Por um Brasil Livre de Transgênicos sobre a resistência da soja transgênica (glifosato) e da nova soja transgênica, resistente a um herbicida muito mais tóxico que o glifosato, o 2,4-D.
Uma matéria publicada no jornal Gazeta Mercantil em 18 de maio informa que a Dow AgroSciences, subsidiária da americana Dow Chemical, vai entrar no mercado brasileiro de sementes de soja transgênica com uma nova variedade tolerante à aplicação de herbicidas. O pedido para testes de campo já foi encaminhado à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
A matéria não informa especificamente a qual herbicida a nova soja será tolerante. O diretor de sementes e biotecnologia da empresa apenas informa que “serão novos eventos tolerantes aos auxínicos, um regulador de crescimento que quando aplicado em doses adequadas atua como um herbicida”. A Dow é fabricante o herbicida 2,4-D, um herbicida auxínico considerado muito mais tóxico do que o glifosato (também tóxico).
Curiosamente, a pauta da 123a reunião ordinária da CTNBio, onde consta o pedido para liberação planejada (teste de campo) para esta soja, também não informa a qual herbicida ela é tolerante. Genericamente, diz apenas “soja geneticamente modificada tolerante a herbicidas”.
Entretanto, um boletim da Frente Parlamentar da Agropecuária informou, em 05 de fevereiro último, sobre a solicitação da Dow à CTNBio para conduzir testes de campo com soja transgênica tolerante ao 2,4-D.
O “lançamento” desta soja tolerante ao 2,4-D é um escândalo! Todos sempre souberam que o uso intensivo de glifosato nas monoculturas de soja transgênica provocaria o desenvolvimento de mato resistente ao herbicida. À época da liberação da soja transgênica no Brasil, alertamos exaustivamente que isto já estava ocorrendo nos países que já cultivavam soja transgênica havia mais tempo, o que estava levando os agricultores a procurar herbicidas mais antigos e mais tóxicos como o 2,4-D.
A empresa e a CTNBio estão agora tentando “disfarçar” que a nova soja é tolerante ao 2,4-D justamente porque sabem que este herbicida é extremamente tóxico!
Para se ter uma idéia, o glifosato, cujos males ao meio ambiente e à saúde humana vêm sendo alerdeados aos quatro ventos, é classificado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como de “Classe Toxicológica IV - Pouco Tóxico”. Já o 2,4-D é um herbicida “Classe I - Extremamente Tóxico”.
O 2,4-D é um dos dois componentes do famoso “agente laranja”, desfolhante utilizado na Guerra do Vietnam que provocou milhares de casos de cânceres, leucemias e patologias neurológicas, além do nascimento de bebês com deficiências físicas e mentais.

A fórmula soja transgênica + glifosato representa um desastre para os agricultores e uma ameaça à saúde dos consumidores (amplamente descrita no livro Roleta Genética, de Jeffrey Smith). E todos sabiam que sua eficácia agronômica duraria poucos anos. Substituí-la por outro pacote tecnológico muito mais nocivo para resolver os problemas causados pelo primeiro seria um crime sem precedentes das autoridades da CNTBio, que sabem, tanto como nós, dos efeitos devastadores que uma produção como estas em larga escala poderá provocar.
Com informações de:
- Gazeta Mercantil, 18/05/2009.
- Pauta da 123a. Reunião Ordinária da CTNBio
Fonte: Boletim 442- Por um Brasil Livre de Transgênicos

domingo, 11 de maio de 2008

Monsanto Claus. Cartoonist: Khalil Bendib

Cartoonist: Khalil Bendib

- This gift was to help to eradicate communism
- (agent orange, 1960s, 1970s, 4 million victims)
- ... this one is to help you eradicate any sustainable self-sufficient agriculture
- (GMO)
Vítimas do Agente Laranja processam Monsanto: http://www.corpwatch.org/article.php?id=11638

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A Tecnologia da Morte, por Mauro Santayana

04/12/2006 - JORNAL DO BRASIL. Indústrias químicas vêem na morte o resultado de um processo lucrativo

A Tecnologia da Morte, por Mauro Santayana

Niño víctima del 'agente naranja'

Vítima do agente laranja (http://www.elpais.com/

articulo/internacional/herida/abierta/Vietnam/

elpepuint/20061202elpepiint_18/Tes/)


Jornal do Brasil, 04/12/2006

Com imagens de crianças sem olhos, sem braços, sem ouvidos, com a espinha dorsal dividida em duas, os membros atrofiados, o crânio piramidal, e relatos sobre recém-nascidos com órgãos genitais na face, volta aos jornais europeus a denúncia contra o mais nefando dos terrorismos. São milhares de seres humanos e, enquanto viverem e continuarem a nascer, representam o libelo mais ácido contra os piores terroristas do século 20: os senhores norte-americanos da guerra. Trinta e um anos depois da derrota dos invasores na batalha final de Saigon, os efeitos da dioxina usada no desfolhante [herbicida] agente laranja continuam na região que compreende áreas do Vietnã, Laos e Camboja. Os resíduos se entranham na terra e nas sementes das plantas, e os que as consumiram e consomem transmitiram e transmitem seus efeitos aos descendentes.

Matéria de José Reinoso, o enviado de El País, de Madri, ao Vietnã - publicada no último sábado - traz o depoimento seco, contundente de médico e dos pais de algumas dessas crianças. Um dos casais ouvidos teve todos os seis filhos horrivelmente deformados.

A história do desfolhante laranja começa na Segunda Guerra Mundial, quando os encarregados das armas químicas sugeriram seu emprego maciço sobre os arrozais japoneses. Ao saber do projeto, que mataria os inimigos de fome, Roosevelt - vítima de paralisia infantil - horrorizado, vetou-o, mas Truman, ao substituí-lo, mandou jogar a bomba atômica sobre Hiroshima.

Estimuladas pelo Pentágono, as maiores empresas químicas do país - tendo à frente a Monsanto e a Dow Chemical - passaram a pesquisar os efeitos do agente laranja contra os seres vivos, não só os da deformação genética, como também os da indução ao câncer. Em 1960, o glorificado presidente Kennedy autorizou o uso do produto no Vietnã.

Hoje, naquele país, além das crianças deformadas, a incidência de câncer de útero é 30 vezes maior que no resto da Ásia.

O Protocolo de 1925 - que integra os seculares acordos de Genebra sobre a conduta na guerra - proíbe rigorosamente o uso de armas químicas nas batalhas. A decisão foi tomada depois do emprego de gases mortais na Primeira Guerra Mundial. Mas 20 anos depois, os nazistas, para extermínio "limpo" dos judeus e outras etnias (incluída a "raça" dos comunistas) encomendaram à IG-Farben a produção do gás Zyklon B, usado em Auschwitz e em outros campos.

É emblemático que a indústria química - essa tentativa de criar uma prótese da natureza, mediante materiais novos, alguns que beneficiam os homens e outros, que os eliminam e os deformam - tenha surgido há menos de 200 anos, na Alemanha, onde o Iluminismo encontrou a perversão política.

Na liderança da civilização ocidental que começa a parecer submersa em nova barbárie, os Estados Unidos são os herdeiros da arrogância nazista. A IG-Farben - que nasceu para produzir anilinas - tem suas sucessoras na Monsanto e na Dow Chemical, orientadas pela mentalidade de que a morte pode ser o resultado de um processo técnico lucrativo, seja na produção de dioxina, ou dos transgênicos, obtidos mediante essa necrotecnologia que condena as sementes à morte, depois de duas ou três colheitas, a fim de que mantenham o monopólio de sua produção. Não lhes importa a possibilidade de que os transgênicos venham a matar os consumidores ou condenar as almas das crianças a habitar corpos deformados nas próximas gerações. O que importa é o preço de suas ações, os dividendos aos acionistas e elevada remuneração de seus quadros executivos.

http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/artigos/a-tecnologia-da-morte
-por-mauro-santayana