quarta-feira, 1 de abril de 2009
Monsanto financia bolsa de estudos em arroz e trigo
A empresa já havia feito um "convênio" com a USP. Agora fez um convênio secreto com uma universidade pública de agronomia da Argentina!
Também da Argentina, vem esta entrevista com Marie-Monique Robin, autora do livro O Mundo Segundo Monsanto. Assista o documentário do livro com legendas em português.
A informação é uma forma de defesa!
ATUALIZAÇÃO (2/4/09 - 10:34h)
Também na Universidade de Évora, em Portugal, Monsanto está querendo entrar com testes do milho NK603, proibido para plantio em toda Europa.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Análise dos pontos cruciais de "O Mundo Segundo Monsanto"
O documento traz e analisa vários pontos cruciais do livro. Ótimo para quem ainda não leu e ver o que está perdendo. Para assistir ao documentário com legendas em português, acesse: O Mundo Segundo Monsanto.
Conseguindo que os agricultores sejam obrigados a usar suas sementes e seus herbicidas. A natureza não precisa ser paga por gerar novas sementes, que podem ser utilizadas pelo agricultor. Mas a Monsanto não permite a utilização das sementes produzidas pela plantação de alimentos transgênicos, o agricultor tem de comprar novamente as sementes fabricadas pela Monsanto. Ao comprar pela primeira vez sementes da Monsanto, o agricultor tem de assinar um termo em que concorda com esta exigência. Se ele não cumpre, se por acaso usa as sementes que nascem de sua plantação para nova semeadura, é processado pelo batalhão de advogados da empresa e é obrigado a pagar. Nos EUA, agricultores que não aceitaram isso se viram arruinados em razão do processo que tiveram que enfrentar.
O livro de Marie-Monique Robin, até dezembro de 2008, tinha sido traduzido em 20 países, cem mil exemplares haviam sido vendidos na França e o documentário tinha sido exibido em 13 países.quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
"A Monsanto não é confiável", Marie-Monique Robin
ÉPOCA – Existem outras companhias que também desenvolvem a biotecnologia e possuem patentes sobre sementes. Por que fazer um livro exclusivamente sobre a Monsanto?
Marie-Monique Robin - Há cinco anos, quando trabalhava em três documentários sobre biodiversidade e os organismos geneticamente modificados – e ainda acreditava que eles não teriam problemas – eu acabei viajando muito. Fui para Canadá, México, Argentina, Brasil e Índia, e em todas essas regiões eu sempre encontrava denúncias contra a Monsanto. Foi quando eu decidi buscar quem é essa companhia que agora é a maior produtora de biotecnologia e de alimentos geneticamente modificados do planeta.ÉPOCA – E como seria esse mundo segundo a Monsanto que você descobriu?
Marie - Cheio de pesticidas. Cerca de 70% dos alimentos geneticamente modificados são feitos para serem plantados com uso do agrotóxico Roundup. Ao comer uma transgênico, a pessoa está praticamente ingerindo Roundup. E, ao contrário do que propagou a Monsanto, esse pesticida não é bom ao meio ambiente e muito menos biodigradável. Ele é muito tóxico. Tenho certeza de que nos próximos cinco anos ele vai ser proibido no mundo, tal como aconteceu com outro produto da companhia, o DDT. O mundo segundo a Monsanto também é dominado por monoculturas. O que é um problema para a segurança alimentar, pois concentra a produção de alimentos na mão de poucos. Também considero arriscado deixar a alimentação mundial na mão de companhias que no passado produziam venenos e armas químicas como o agente laranja, despejado por tropas americanas no Vietnã.
ÉPOCA – Os transgênicos são festejados por reduzirem o uso de pesticidas. Eles não teriam ao menos esse lado bom?
A Revista Época também procurou a Monsanto, que em sua defesa até fez uma página no seu site. Lógico, que eles informam que o Roundup não faz mal à saúde humana e nem ao ambiente; que não existem conexões corporativas com governos americanos; que o hormônio de crecimento bovino não é danoso e já foi testado pelo FDA e que não há evidências entre a exposição aos PCBs e o câncer. Enfim, prefiro acreditar nas palavras de Marie-Monique, "A Monsanto não é confiável".
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Le Monde Selon Monsanto - Debate e apresentação do documentário em São Paulo
Após a exibição do documentário houve um debate com a presença da autora, Marie-Monique Robin. O debate foi interessantíssimo e muito rico. Ela contou que fez o documentário sobre a Monsanto por que em todo lugar que ela ia (para fazer um outro documentário) as pessoas falavam sobre a empresa e sugeriam que ela fizesse um documentário.
No início a autora tinha medo de ser processada para se prevenir, cada palavra do livro e do documentário foram analisadas pelo melhor advogado de Paris. Além disso, quem faz as afirmações são pessoas próximas da própria empresa, e não ela, e são comprovadas. Um coisa interessante foi que o filme estava legendado em português, porém, não era o filme oficial. O documentario foi traduzido para o inglês, francês e alemão, oficialmente. Ele ainda não foi traduzido para espanhol e português porque a Marie-Monique Robin disse não haver encontrado um empresa séria na qual ela pudesse confiar aqui na América Latina. O medo dela é que a Monsanto compre essa empresa e detenha os direitos autorais, retirando do mercado o filme. Assim, o filme apresentado foi uma cópia pirata! e ela mesma disse isso. O filme passou numa TV francesa, e mesmo assim, vendeu milhares de cópias... o que é uma coisa inédita para um filme que passa pela TV. As pessoas quiseram tê-lo como um documento.
Quando a empresa e as pessoas envolvidas são questionadas sobre o documentário a resposta é: "No comments". Ou seja, quem cala consente!
Para entrevistas sobre o livro e sobre a Monsanto, há um artigo no Ecodebate.
Para comprar O Mundo Segundo Monsanto acesse o site da Radical Livros.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
O Mundo Segundo Monsanto (Le Monde Selon Monsanto)
Vai ser em São Paulo, no anfiteatro da Geografia na USP. A entrada é gratuita.
Maiores detalhes em: Outra Agricultura
quarta-feira, 23 de abril de 2008
"A Argentina é um laboratório a céu aberto da Monsanto"
Fonte: Instituto Humanitas UnisinosSegundo Marie-Monique Robin, depois do “paro” agrário argentino, promovido fundamentalmente pelos grandes produtores de soja do país, o latifúndio sojeiro deveria ser a principal questão de debate para a sociedade. A Argentina está ameaçada pela soja, disse a jornalista e documentarista à Agência Carta Maior, 13-04-2008. A reportagem é de Clarissa Pont.
Marie-Monique esteve esta semana na cidade argentina de Corrientes para apresentar o documentário de 2004, "Os esquadrões da morte - a escola francesa" e participar dos processos contra militares locais que atuaram durante a ditadura militar. No entanto, em Resistência, a jornalista francesa falou sobre o “paro” agrário, a produção de soja transgênica em países da América Latina e sobre seu novo documentário, fruto de três anos de investigação, “Le monde selon Monsanto” (O Mundo segundo a Monsanto). O documentário e o livro homônimo contam o avanço do plantio de soja pelo mundo e as perigosas ligações da indústria com governos, cientistas e jornalistas.
O Rio Paraná divide as duas capitais de províncias argentinas, de um lado está Corrientes e do outro, Resistência, no Chaco. Marie-Monique percorreu os poucos minutos que separam as cidades para apresentar trechos de ambos documentários no Museu de Imprensa de Resistência. Na ocasião, falou à Carta Maior. “A soja transgênica chegou ao país por uma debilidade, para não dizer outra palavra, do governo Menem. A Monsanto entrou no país sem nenhuma lei que regulamentasse o plantio, sem estudos, sem nada. No Paraguai, é a mesma situação”, explica.
Hoje, mais da metade da área agricultável da Argentina está coberta pelas sementes transgênicas da Monsanto, regularmente pulverizadas desde aviões por Roundup. “Muitos campesinos estão deixando o campo porque seus cultivos são fumigados, as frutas que comemos aqui estão contaminadas pelo veneno da Monsanto. É terrível, e o governo ainda não entendeu o risco”. Marie-Monique contou que entrevistou o presidente da Federação Agrária em 2006 para a realização do documentário.
“É lamentável o que os grandes produtores estão fazendo aqui. A eles não interessa o futuro da terra. O fato de Eduardo Buzzi ter apoiado o paro assusta um pouco, porque quando eu o entrevistei ele estava preocupado com a situação do país”. Os últimos dados que constam nas documentações de Marie-Monique confirmam que a produção de arroz e de legumes baixou de modo significativo nas terras argentinas.
“Le monde selon Monsanto”, lançado junto a um livro de mesmo nome, ainda não tem previsão de chegar ao Brasil. Segundo a autora, uma editora nacional estaria começando a traduzir a publicação apenas. “Através das patentes da Monsanto, o que se pretende é tomar as sementes do mundo. Por desgraça, a Argentina é, nesse momento, um laboratório a céu aberto”. O documentário ainda cataloga ações da Monsanto para divulgar estudos científicos duvidosos que apóiam suas pesquisas e produtos. Segundo dados da jornalista, em 2007, havia mais de 100 milhões de hectares plantados com sementes geneticamente modificadas, metade nos EUA e o restante em países emergentes como a Argentina, a China e o Brasil.
O documentário anterior de Marie-Monique mostra entrevistas realizadas por ela onde militares argentinos reconhecem ter aplicado técnicas de tortura e de desaparecimento importadas da França durante a Ditadura no país. Com entrevistas, imagens de arquivo e documentos, “Os esquadrões da morte” relata como os franceses ensinaram aos militares da América Latina métodos de tortura desenvolvidos na Argélia e na Indochina. Os depoimentos dos generais argentinos Ramón Díaz Bessone, Reynaldo Bignone e Albano Harguindeguy são impactantes e têm ajudado na incriminação de diversos algozes da Ditadura Argentina.
Quando perguntada como conseguiu que os generais lhe concedessem tais entrevistas, Marie-Monique não deixa sombra de dúvida. “Eu enganei esses senhores”, responde. O documentário é resultado de dois anos de trabalho.




