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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Curitiba tem o 1º mercado público de orgânicos


"O primeiro mercado público de produtos orgânicos do país foi inaugurado no início deste ano na capital paranaense. A partir daí, começou uma nova fase na comercialização de produtos agrícolas e agroindustriais diversificados, onde certificação é a palavra-chave, diz o diretor-geral da Secretaria Estadual de Abastecimento, Luiz Gusi. 
Todo o circuito de comércio dentro desse mercado tem certificação orgânica: uma para os produtos e outra para as lojas. “O nosso controle reforça e garante a procedência de produtos industrializados e naturais, além de certificar o espaço onde eles são comercializados.” A Rede Ecovida de Agroecologia, que atua nos três estados da Região Sul, é uma das principais certificadoras.


No projeto, consta a capacitação de técnicos e estudantes para atuar como consultores e auditores, fazer acompanhamento, análise e avaliação de estudos de caso de unidades familiares de produção orgânica. Orçado em R$ 2,5 milhões, o projeto prevê, ainda, a criação da Rede Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos.
De acordo com Gusi, o mercado oferece mais de mil tipos de produtos sem agrotóxicos e aditivos químicos. 
O mercado foi construído com recursos da prefeitura de Curitiba e do Ministério do Desenvolvimento Agrário. O custo total foi de R$ 2,51 milhões".
Para saber mais acesse a Agência Brasil.

Michelle Obama comemora aniversário em restaurante orgânico


"O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, organizou uma festa surpresa para a mulher Michelle no último sábado (16). A primeira-dama, que completa 46 anos neste domingo, foi levada para um jantar de aniversário em um famoso restaurante orgânico de Washington. Ela chegou ao Nora sem as filhas, Malia e Sasha, com um vestido preto de manga comprida e sentou em uma mesa ao lado de parentes e amigos.
O Nora, que se descreve como o primeiro restaurante orgânico certificado dos Estados Unidos, tem um menu do chef de R$ 117 (cerca de US$ 66)."

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Mais vitamina A? Não precisa de transgênicos... melhoramento convencional resolve

A Embrapa lançará dia 4 de novembro, a cenoura Planalto. Apresenta comportamento similar a cultivar Brasília, sendo indicada para plantio de verão. Ela apresenta resistência à queima-das-folhas, nematóides e ainda tolerância ao florescimento, o que permite maior período de plantio.
Além disso, apresenta uma coloração alaranjada intensa das raízes. O que significa alta concentração de beta-caroteno, um antioxidante que é convertido pelo organismo em vitamina A. A cultivar ‘Planalto’ apresenta teor de carotenóides pró-vitamina duas vezes maior em relação à cultivar ‘Brasília’.
Com preço mais baixo que os materiais híbridos, será importantíssima junto aos pequenos produtores.
Quanto à resistência às doenças e às qualidades nutracêuticas fazem com que a cenoura Planalto conquiste um espaço destacado na agricultura orgânica. A previsão da Embrapa Hortaliças é que o novo material ocupe 70% do mercado orgânico nos próximos oito anos.
Então, para quê são mesmo necessários os transgênicos?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sebrae investe R$ 37 milhões em agricultura orgânica e agroecologia



De acordo com Luiz Carlos Barboza, diretor-técnico do Sebrae Nacional, a agricultura orgânica é um dos setores “portadores de futuro” no mundo, disse na última quarta, dia 28, durante a abertura da '7ª edição da BioFach América Latina' e da '5ª edição da ExpoSustentat'. Os dois eventos ocorrem simultaneamente no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Foram três dias de exposições, palestras, fóruns e rodadas de negócios.
Segundo Barboza, ao investir na agricultura orgânica e na agroecologia, o Sebrae também aposta no desenvolvimento de um Brasil mais sustentável. A Instituição participa dos dois eventos com estandes e no apoio à presença de pequenos produtores de diferentes regiões do país.
A realização de feiras, como a Biofach e a Expo Sustentável são importantes para reforçar o trabalho que o Sebrae desenvolve com o objetivo de mostrar o potencial do mercado orgânico. O esforço maior tem sido com relação ao Comércio Justo. Temos trabalhado para mostrar que sozinho o pequeno produtor não chega no mercado — diz a coordenadora nacional da carteira de Orgânicos no Sebrae, Newman Costa.
Para saber mais acesse o Canal Rural.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Orgânicos não são mais nutritivos que convencionais. Será??


No Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos 452, há um texto interessantíssimo sobre o estudo inglês que concluiu que "os alimentos orgânicos não são mais nutritivos que os convencionais". O texto aborda com clareza os falhos argumentos utilizados pelos autores. Vale lembrar que foi no Reino Unido que o governo escondeu campos experimentais de transgênicos.
Abaixo o texto:
Pesquisadores concluem que orgânicos não trazem benefícios à saúde. Será mesmo?
Há grande diferença entre dizer que algo não ocorre e dizer que não há evidências suficientes para saber se ele ocorre ou não. Essa sutil distinção, porém de grandes consequências, está por trás do debate recém lançado em função da divulgação de um estudo da Agência inglesa de Padronização Alimentar (FSA) sobre os alimentos orgânicos. Manchetes como a da agência BBC estampam o seguinte: “Alimentos orgânicos não são mais nutritivos do que os convencionais”. Assim, no afirmativo, a questão parece dada como encerrada. É certeza absoluta.
Há, entretanto, considerável diferença entre o que diz o estudo e o que foi publicado sobre ele na imprensa -- inclusive através da assessoria de imprensa da própria FSA. E, curiosamente, há também algumas diferenças entre dados que o estudo revela e as conclusões dos autores.
A pesquisa foi feita em duas partes e analisou os estudos realizados nos últimos 50 anos sobre efeitos dos orgânicos à saúde. Os critérios de filtragem foram definidos de acordo com os padrões estabelecidos pela equipe da London School of Hygiene and Tropical Medicine e os pesquisadores consideraram aceitáveis apenas os estudos cujos resultados apresentaram relevância clara e direta para a saúde humana.
As análises compararam níveis de determinados “nutrientes e outras substâncias” em alimentos orgânicos e convencionais. Logo no sumário executivo do estudo pode-se ler que “foram encontradas diferenças significativas entre alimentos produzidos de forma orgânica ou convencional no conteúdo de alguns minerais (mais nitrogênio em produtos convencionais; mais magnésio e zinco em produtos orgânicos), fitonutrientes (mais compostos fenólicos e flavonoides em produtos orgânicos) e açúcares (mais em orgânicos).
Mesmo assim, os autores concluem que “não há atualmente declaração definitiva independente sobre a natureza e importância de diferenças de conteúdo de nutrientes e outras substâncias nutricionalmente relevantes (nutrientes e outras substâncias) entre alimentos produzidos de forma orgânica ou convencional.”
Porém, mais importante do que isso é destacar que o estudo desconsiderou em suas análises os componentes contaminantes, como resíduos de herbicidas, inseticidas e fungicidas e seus efeitos de longo prazo na saúde humana (além, é claro, de ter ignorado os impactos ambientais das práticas orgânicas e convencionais).
Desconsiderar o uso de venenos parece um critério no mínimo curioso para uma revisão tão pretensiosa, cujos autores chegam a declarar que “Este estudo não significa que as pessoas não devem comer alimentos orgânicos. O que ele mostra é que existe pouca, se é que alguma, diferença nutricional entre alimentos produzidos de forma orgânica e convencional e que não há evidência de benefícios adicionais à saúde ao se consumir alimentos orgânicos”.
Além disso, os autores ressaltam em diversos momentos a falta de dados disponíveis para a realização do estudo e, em muitos casos, a baixa qualidade das pesquisas.
Na palavra dos autores: “Concluindo, considerando a limitação dos dados disponíveis e o fato de eles serem altamente variáveis, e a preocupação em relação à confiabilidade de algumas das descobertas relatadas, não há atualmente evidências de um benefício à saúde resultante do consumo de orgânicos quando comparados aos produtos produzidos convencionalmente. Deve-se notar que esta conclusão diz respeito à base de evidências atualmente disponíveis sobre os nutrientes presentes nos alimentos, que apresentam limitações em seus desenhos e na comparação entre estudos”.
Ou seja: na verdade, com base no método adotado para a seleção dos estudos e depois para a comparação entre eles, a pesquisa só concluiu que hoje não se consegue concluir nada. Bastante diferente de afirmar que “orgânicos não são mais nutritivos do que os convencionais”.
Vale observar ainda uma declaração da Soil Association, uma das mais importantes organizações do setor orgânico no Reino Unido, dizendo que a FSA falhou ao não incluir no estudo os resultados de uma enorme pesquisa financiada pela União Européia que encontrou níveis maiores de “compostos nutricionalmente desejáveis” em alimentos orgânicos.
Bem, queiram ou não os ingleses da FSA, continuaremos preferindo os alimentos orgânicos por mil e um motivos, inclusive os de saúde.
Fonte: AS-PTA

terça-feira, 9 de junho de 2009

Vem aí a Bio Brazil Fair

Grande Feira de Orgânicos acontece de 23 a 26 de julho de 2009.
A Feira é aberta ao público e tem entrada franca. É considerada uma vitrine do mercado que cresce de 20-30% ao ano só no Brasil.
Haverão produtores apresentando e vendendo seus produtos.

O evento ocorrer das 11 às 20 horas, no Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera (entrada pelo portão 3).
Para maiores informações acesse o site da Bio Brazil Fair.

A importância do setor aumenta a cada ano. Na Alemanha, apesar da crise, o consumo de orgânicos aumento 10% e a área plantada, 5%. O país é o segundo maior importador de produtos orgânicos. Será que realmente vale a pena o Brasil continuar aberto aos transgênicos? Quais são os interesses que a CTNBio defende? da população ou das multinacionais?
Sugestão de leitura: A sustentabilidade perde para a crise e para a hipocrisia, de Wilson Bueno.

domingo, 31 de maio de 2009

Orgânicos são regulamentados

As regras da produção orgânica no Brasil, são baseadas em 3 Intruções Normativas, publicadas sexta-feira (29) no "Diário Oficial da União".
São 13 páginas que descrevem como deve ser a forma de produção e define produtos orgânicos como "todos aqueles extraídos ou coletados em ecossistemas nativos ou modificados", em processos nos quais a manutenção da sustentabilidade "não dependa do uso sistemático de insumos externos". Além da conservação dos recursos naturais e da diversidade biológica também fazerem parte dos requisitos exigidos do produtor.

Mais informações sobre a regulamentação dos produtos orgânicos no Brasil.

domingo, 24 de maio de 2009

5ª Semana dos Alimentos Orgânicos

Para confrontrar os transgênicos, é só incentivar os orgânicos. Esse é o objetivo de 2 projetos de lei que visam acabar com o consumo de produtos transgênicos nas merendas escolares em Porto Alegre e em Fortaleza.
Em Porto Alegre, o projeto do vereador Beto Moesch (PP) busca beneficiar 56 mil estudantes, de 95 escolas municipais, priorizando o consumo de produtos orgânicos. O projeto de João Alfredo (PSOL), de Fortaleza, também prioriza os produtos orgânicos em detrimento dos transgênicos.

Para incentivar os produtos orgânicos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) promove a 5ª Semana dos Alimentos Orgânicos, de 25 a 31 de maio.  Haverão palestras e painéis sobre a  produção orgânica e certificação de produtos. Confira a programação do seu estado no site do MAPA.



Fonte: O Povo  e Último Segundo

sexta-feira, 13 de março de 2009

Escolha do Selo do Produto Orgânico Brasil

Até o dia 19 de março está aberta a votação para o selo do Produto Orgânico Brasil (Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica). São 3 selos para escolha, é necessário apenas cadastrar email e nome. 
O selo vencedor está previsto para entrar em vigor em 2010. Para votar é só entrar no site do Ministério da Agricultura.

  
  
Eu votei no primeiro... acho que dá mais destaque para a palavra ORGÂNICO.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Visitante ilustre

Dia 03/02/2009 um visitante ilustre acessou o blog, o IP da máquina vinha da Monsanto de Saint Louis, EUA. O programa de estatísticas, o Sitemeter, mostrou que os termos procurados no google foram: "preço roundup". Abaixo, as imagens:

Quero aproveitar a visita para indicar o artigo Food security ang global warming: Monsanto versus Organic (Segurança Alimentar e Aquecimento Global: Monsanto versus Orgânico) - Agricultura orgânica vence milho geneticamente modificado para aumento de temperatura do aquecimento global.
A conclusão do artigo é (tradução livre): "O futuro da segurança alimentar face ao aumento da temperatura não pode ser baseado num sistema de lucros e pesquisa que não atendem as reais necessidades dos produtores. Nós precisamos de soluções reais que capacitarão os agricultores a manter e aumentar as produções com aqueles materiais e técnicas já disponíveis e com um mínimo custo extra: esterco animal, aumento de oportunidades de irrigação, composto, sistemas de manejo integrado de pragas. A agricultura orgânica reduz, minimiza e se adapta aos impactos da mudança do clima, mantendo acessíveis os bilhões de produtores da agricultura familiar e de subsistência no mundo todo. Se nós realmente queremos lutar contra a crise dos alimentos, vamos começar a investir e promover a produção orgânica HOJE, para garantir melhor adaptação ao clima no futuro."

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Transgênicos, solução para a fome? Não, a resposta é a Agricultura Orgânica!

Um estudo realizado pelo Programa Ambiental das Nações Unidas (United Nations Environment Programme - UNEP) concluiu que a agricultura orgânica é a melhor opção para quebrar o longo ciclo de pobreza e má nutrição da África.
A pesquisa sugere que a produção orgânica em pequena escala possa aumentar a produção, além de reverter os prejuízos ambientais e sociais, garantindo uma maior segurança alimentar.
O estudo completo pode ser baixado no site das Nações Unidas.

Fonte: UNEP

domingo, 9 de novembro de 2008

Alimentos orgânicos têm mais substâncias funcionais que os convencionais

O que há muito tempo atrás já era dito pelos consumidores de orgânicos, agora está comprovado. Os alimentos orgânicos têm mais substâncias funcionais que os convencionais. Essa foi a pesquisa da Maria Rossetto do Instituto de Biociências (IB) da Unesp:

alimentos organicos"Os alimentos cultivados de maneira orgânica possuem maiores concentrações de substâncias que apresentam propriedades funcionais como ação antioxidante, anticancerígena e estimulante do sistema cognitivo se comparados aos produzidos de maneira convencional.

Esses foram os resultados de estudos desenvolvidos no Instituto de Biociências (IB) da Unesp, câmpus de Botucatu, pela pós-doutoranda Maria Rosecler Miranda Rossetto, que analisou beterraba, brócolis, oura e couve, convencionais e orgânicos, obtidos por meio de seis produtores do município de Botucatu, e pela doutoranda Suraya Abdallah da Rocha, que avaliou partes de 20 vegetais, geralmente descartadas, como cascas, folhas e talos.

Entre as substâncias estudadas pelas pesquisadoras estiveram os compostos fenólicos e flavonóides que servem para “seqüestrar” os radicais livres encontrados em excesso no organismo humano, modular enzimas do processo inflamatório e quelar metais. Além da propriedade antioxidante, que contribui na prevenção de uma série de doenças crônicas degenerativas, eles são benéficos ao sistema cognitivo e atuam como agentes anticancerígenos.

Suraya destaca que os fenóis totais foram mais elevados nas folhas de mandioca e de uva cultivadas de modo orgânico, enquanto que, no cultivo convencional, os talos, a casca de berinjela, as folhas de brócolis e rabanete, apresentaram maiores teores dessa substância.

Ainda segundo ela, em relação à quantia de flavonóides totais, algumas espécies não apresentaram diferenças significativas entre os modos de cultivo estudados, como as cascas de abóbora, berinjela, laranja e maracujá; a folha de rabanete; e os talos de brócolis e couve. Ainda, segundo ela, apenas a casca de banana, a folha de cenoura e a de uva, cultivadas de modo orgânico, apresentaram maiores teores de flavonóides.

Na couve, os níveis de flavonóides foram significativamente maiores na produção orgânica e, na beterraba, a tendência foi de mais acúmulo de compostos fenólicos na casca, talo, polpa e folha.

Sobre essas substâncias, Maria Rosecler salienta ainda que, nas ramas de cenoura a quantia de flavonóides supera em cem vezes o teor presente na polpa desse alimento.

Outra análise foi em relação aos carotenóides, pigmentos responsáveis pelas cores de frutas, raízes, tubérculos e folhas de hortaliças, que são importantes fontes de vitamina A e não têm ação cumulativa no organismo humano, além de prevenir contra o câncer.

Nesse caso, segundo a pós-doutoranda, os brócolis oriundos de sistema de produção convencional apresentaram 42% a mais de carotenóides totais em relação aos produtos de origem orgânica.

“Entretanto, quando comparados com a curva de beta-caroteno (pró-vitamina A), os brócolis orgânicos contêm cerca de 50% a mais dessa substância. O mesmo é observado para polpas de cenoura convencionais e orgânicas”, explica Maria Rosecler.

Ainda de acordo com ela, esse tipo de substância foi encontrado em maior quantidade nas folhas de cenouras orgânicas, que superam em aproximadamente 25% o valor presente no produto convencional.

Os teores de glicosinolatos, substâncias com alto potencial anticancerígeno, também foram avaliados. Os ensaios realizados apontaram que brócolis e couve cultivados sob o sistema orgânico possuem maior quantidade de glicosinolatos totais.

Também compuseram as análises as poliaminas, principalmente, putrescina, espermidina e espermina. Segundo Maria Rosecler, a alta ingestão desses tipos de poliaminas está associada à proliferação de células cancerígenas, porém, ela destaca que o consumo em doses adequadas, apresenta efeito contrário, desempenhando ação preventiva.

Nos trabalhos realizados pelas pesquisadoras, foi possível observar que os alimentos orgânicos detêm maiores quantidades de poliaminas no geral, mas esses níveis foram encontrados em valores inferiores à quantia tóxica e ao teor presente em carnes.

Para a pós-doutoranda, essas maiores concentrações nos tecidos de vegetais orgânicos podem estar associadas à resistência que essa substância confere às plantas, preservando-as dos diferentes tipos de estresse.

As pesquisas desenvolvidas por Maria Rosecler e Suraya que tiveram, respectivamente, supervisão e orientação da professora Giuseppina Pace Pereira Lima, do Departamento de Química e Bioquímica do IB, ainda identificaram menor concentração de nitrato, substância altamente carcinogênica, em plantas oriundas do sistema orgânico.

Cozimento
Maria Rosecler também analisou se há perda de carotenóides após o cozimento de beterraba, brócolis, cenoura e couve. Ela descobriu que, depois desse processo, alguns produtos orgânicos perderam menos ou passaram a apresentar maior teor dessa substância.

“Um exemplo é a polpa de cenoura que teve um aumento de 39,22%, enquanto as convencionais acumularam apenas 4%”, explica.

Em brócolis, foi constatado um aumento proporcional de carotenóides nos dois modos de cultivo. No caso da beterraba, as perdas foram menores no sistema de produção orgânico, sendo que o nível de redução de carotenos foi maior com a ampliação do tempo de aquecimento do vegetal."

Fonte: Entrelinhas

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Orgânicos X Transgênicos - A gente não quer só comida

29/10/2006 - FOLHA DE SÃO PAULO. Seria ingênuo supor que a polarização entre transgênicos e orgânicos esteja fundada em uma disputa apenas técnico-científica. Trata-se, mais do que tudo, de uma questão de poder. A agroecologia, por suas características concretas, não facilita a concentração de poder assim como não favorece o estabelecimento de monopólios, patentes e pacotes tecnológicos.

Orgânicos X Transgênicos - A gente não quer só comida

Por JOSÉ AUGUSTO PÁDUA, professor do departamento de história da Universidade Federal do RJ e autor de "Um Sopro de Destruição".

Publicado na Folha de São Paulo em 29/10/2006.


"A ciência descobre, a tecnologia executa, o homem obedece". As palavras escritas no portal da Feira Mundial de Chicago, em 1933, sintetizam a postura submissa que ainda caracteriza a relação de importantes setores da opinião pública contemporânea com as inovações tecnológicas.

No vazio das antigas certezas religiosas, a ciência tornou-se para muitos a única fonte confiável de verdade. É irônico observar, porém, que o próprio movimento da modernidade global age no sentido de dissolver a aura de devoção construída em torno do complexo ciência & tecnologia.

O número cada vez maior de pessoas escolarizadas, a velocidade e a intensidade dos meios de comunicação, o estabelecimento de múltiplos espaços para o confronto de opiniões vêm contribuindo para gerar sociedades que discutem cada vez mais seu presente e futuro.

O que está sendo discutido, na verdade, não são os limites da ciência, mas sim o alcance da democracia na alta modernidade. Nesse sentido, a surpreendentemente forte reação de diversos atores sociais aos alimentos transgênicos, especialmente dos consumidores europeus, representa um caso paradigmático.

A pressão democrática para que a produção de organismos geneticamente modificados seja debatida de forma intensa e transparente, com uma moratória no seu uso, contribui para dar visibilidade aos condicionantes econômicos que controlam grande parte da atual pesquisa técnico-científica.

E serve também para expor o uso da ideologia da pureza do progresso científico como instrumento para justificar decisões empresariais fundadas em objetivos bem menos etéreos, tais como o aumento dos lucros e o controle dos mercados.

Princípio de precaução

Não se trata de coibir a pesquisa acadêmica. O esforço de politização das novas tecnologias, com exceção de algumas poucas vozes especialmente radicais, não passa pela defesa de uma censura da investigação teórica ou experimental.

O problema está na difusão social precoce, por motivos calcados essencialmente na busca por poder econômico, de técnicas perigosas que ainda estão sob intenso debate científico. Ou seja, uma clara violação empresarial do chamado "princípio da precaução", que estabelece, diante da incerteza, que não se devem adotar atividades ou técnicas cujas conseqüências, se negativas, podem ser irreversíveis ou além da nossa capacidade de controle.

Os organismos geneticamente modificados, na medida em que são seres vivos, podem mesclar-se com outros organismos e penetrar nas cadeias ecológicas planetárias, reproduzindo-se de forma descontrolada. É tolice, pois, associar os transgênicos à modernidade e os orgânicos ao arcaísmo.

No setor da produção orgânica, por exemplo, que está crescendo como uma alternativa ao modelo transgênico, existe hoje um grande investimento científico. Não se trata de aceitar passivamente os movimentos da natureza, mas sim de buscar ativamente, por meio de um conhecimento ecológico fino e sofisticado, formas de potencializar a produtividade e a capacidade de sustentação das lavouras.

Mas seria ingênuo supor que a polarização entre transgênicos e orgânicos esteja fundada em uma disputa apenas técnico-científica. Trata-se, mais do que tudo, de uma questão de poder. A agroecologia, por suas características concretas, não facilita a concentração de poder assim como não favorece o estabelecimento de monopólios, patentes e pacotes tecnológicos.

A gestão ecológica da agricultura requer desenhos locais, que dialoguem com as condições específicas de cada domínio do território. Seus insumos, além disso, são renováveis e recicláveis.

No núcleo da pressão pelos transgênicos se encontra a fome de poder de um número restrito de enormes conglomerados empresariais, que, no limite, buscam usar as novas tecnologias para dominar a oferta de sementes e reduzir a autonomia dos agricultores e, por extensão, das sociedades.

É assustador imaginar um futuro em que algo tão vital como as sementes -assim como as fontes da alimentação em geral- estejam nas mãos de pouquíssimas corporações. O consumidor, ao optar pelo que comer e por qual modelo favorecer, pode estar fazendo política no mais alto grau.

http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/artigos/organicos-x-
transgenicos-a-gente-nao-quer-so-comida-artigo-de-jose-augusto-padua