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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Crise alimentar: Transgênicos não são a solução

Fonte: Quiosque aeiou

A hipotética liberalização da utilização de organismos geneticamente modificados (OGM), como solução para o actual aumento dos preços dos bens alimentares, foi hoje descartada por associações de industriais e ambientalistas.
"Não é a questão dos OGM que vai resolver o problema do aumento dos preços das matérias-primas", afirmou o director-geral da Federação das Industrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA), Pedro Queiroz, à Lusa.
"O problema está nas matérias-primas, no comércio internacional, nas questões climáticas e também na especulação que existe nos mercados de futuros", explica o dirigente das indústrias agro-alimentares.
"Não há propriamente uma adesão da indústria aos OGM. Pelo contrário", sublinhou o director-geral da FIPA, salientando que os industriais continuam a preferir as matérias-primas convencionais, porque "não vêem razão para utilizar produção tecnológica".
Pedro Queiroz, que é também docente nas áreas de segurança e engenharia alimentar na Universidade Lusófona e no Instituto Piaget, defendeu, todavia, a continuação da investigação na área da biotecnologia como objectivo de encontrar novas soluções seguras para a produção alimentar.
A indústria alimentar está receptiva à utilização de novas tecnologias, "desde que sejam comprovadamente seguras", frisou, mas acrescenta que, em Portugal, ainda não há utilização regular de OGM.
"Que eu tenha conhecimento, não há nenhuma indústria em Portugal que esteja a usar regularmente OGM", afirmou, mas admite que poderá haver alguma utilização esporádica de espécies aprovadas pela União Europeia, nomeadamente "algumas variedades de milho e soja usadas para alimentação animal".
Pedro Queiroz referiu que "há alguns mitos" sobre os OGM, realçando que "o animal não vai ficar geneticamente modificado" por ter sido alimentado com transgénicos, no entanto é da opinião "que este é um tema que deve voltar a ser discutido, nomeadamente no actual contexto [de aumento dos preços], mas não são os OGM, por si só, que vão resolver o problema", sustentou.

"Os OGM não resolvem nada"

Para Margarida Silva, ambientalista da Quercus especializada em OGM, "os OGM não resolvem nada. Os países que cultivam mais OGM em todo o Mundo estão a passar exactamente pelo mesmo problema", afirmou à Lusa.
De acordo com a ambientalista, "mais de 90% dos OGM são cultivados em seis países - EUA, Canadá, Argentina, Brasil, China e Índia", que estão a enfrentar problemas graves em consequência da crise alimentar mundial.
"A solução não são os OGM. O vice-presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse há poucos dias que 70% do aumento dos custos é indirectamente imputável aos biocombustíveis. É aí que temos de intervir", sublinhou.
E salientou ainda que apenas 5% da produção mundial de alimentos está a ser canalizada para biocombustíveis, mas "os EUA e a UE estabeleceram metas muito ambiciosas" de aumento deste tipo de produção energética, que transformaram os alimentos num produto de especulação bolsista.
"Do ponto de vista bolsista, o produto alimentar passa a ser como o petróleo, porque é visto como energia. O problema está na política energética. É uma questão de oferta e procura no mercado", explicou a especialista em OGM.
Segundo Margarida Silva, os preços dos bens alimentares "vão inevitavelmente subir", porque "a comida passa a valer tanto como o petróleo", ao ser vista como matéria-prima para a produção de energia.

Fonte: Quiosque aeiou

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A Inflação Mundial dos Produtos Agrícolas, os Transgênicos e o Roundup.

Inflação Mundial dos Produtos Agrícolas: preço do Roundup

O aumento dos preços dos gêneros agrícolas provocou estes últimos meses uma importante elevação do preço do herbicida Roundup da Monsanto. Nos Estados Unidos, onde os OGMs resistentes ao Roundup são cultivados há mais de 10 anos, o preço do herbicida dobrou ao longo do ano passado. Os agricultores reclamaram deste aumento do preço do herbicida, ao qual se acrescenta um sobrecusto da compra das sementes transgênicas.
Monsanto, ao contrário, tira as substâncias benéficas desta inflação e se esconde atrás do contexto mundial para justificar o aumento de preço de seu produto-chave.

Em alguns mercados mundiais, entre os quais o Brasil e a Argentina, o herbicida Roundup é negociado ainda mais caro que nos Estados Unidos. Monsanto aumentou 25% a expansão de Roundup nos Estados Unidos, no entanto, sem aumento de produção, para controlar os preços e as reclamações do agricultores americanos. Monsanto prevê elevar a capacidade de produção de Roundup em suas 2 usinas americanas.

Roundup, marca da Monsanto, não é mais coberto por patente, existe numerosos genéricos, às vezes menos caros, entretanto os agricultores que cultivam as sementes da Monsanto se comprometem à utilizar seu herbicida e não um genérico. Apesar da Monsanto ganhar dinheiro também sobre os genéricos, pois a empresa continua uma das principais fornecedoras de glifosato, o agente ativo do herbicida. Monsanto justifica o aumento de preço do Roundup através de um alinhamento com so preços praticados por seus concorrentes. Mas o rumor diz que a empresa de St. Louis não é mais capaz de produzir glisofato suficiente para cobrir as necessidades de sua própria marca Roundup e fornecer ao mesmo tempo os produtos do herbicida genérico, o que provoca uma limitação da oferta e um aumento do preço.

Mas nada de preocupante para a Monsanto, que espera acumular um lucro líquido sob o Roundup de 1,7 à 1,8 milhões de dólares para 2008, seria mais que o dobro do ano passado.

Nós assistimos à uma crise mundial que é o resultado das aberrações da política agrícola mundial, uma política desde muito denunciada por todos os participantes de uma agricultura sustentável e equitativa. No contexto de globalização, os países do Sul foram encorajados a se especializar na agricultura industrial e na monocultura afim de nutrir o gado do Norte. Países como a Argentina ou o Brasil perderam sua autosuficiência alimentar para o proveito da monocultura de soja transgênica para exportação. Há dezenas de anos, esta cultura intensiva é a causa do desflorestamento e de transtornos ambientais consentidos em nomde do lucro, mas hoje nós estamos abordo de uma catástofre humana.

Adicionando a este lastimoso quadro, os especuladores e outros aproveitadores de crise veêm se enriquecer às custas do aumento dos preços agrícolas que se aceleram ainda mais através de suas manobras financeiras. Se nada for feito para controlar o entusiasmo do mercado, estes especuladores vão provocar a formação de uma bolha artificial sobre o preço dos gêneros agrícolas. Isto terá como consequência a curto prazo o aumento da fome e a médio prazo arruinará os agricultores quando esta bolha especulativa arrebentar provocando o desabamento dos preços. O retorno dos "motins da fome" em numerosos países onde a população, como no Haiti, têm que comer lama, é uma situação inaceitável.

Onde estão as plantas geneticamente modificadas que devem salvar da fome as populações desfavorecidas? Elas estão cruelmente ausentes, ao contrário dos benefícios para a Monsanto e especuladores, que não faltam. Além da propaganda falsamente humanista da Monsanto, os OGMs agrícolas são apenas uma nova etapa da industrialização dos modos de produção agrícolas que se inserem em uma dinâmica puramente mercantil e não durável. O produtivismo incontrolável e o desdém dos organismos internacionais para a agricultura local já provocou a crise atual. Apenas através de uma melhor gestão dos recursos naturais mundiais que nós conseguiremos. Nós devemos encorajar uma agricultura sustentável e responsável visando nutrir pessoas e não mais as contas bancárias de grupos agro-industriais, mas isso requer coragem política.

Fonte: Tradução livre de http://www.combat-monsanto.org/spip.php?article127