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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CTNBio e o arroz nosso de cada dia

Muito bom o artigo de Geraldo Hasse, no Século Diário, lembrando a todos que este mês está marcada uma audiência para tratar do arroz transgênico da Bayer, LL62, resistente ao glufosinato de amônio. Atenção a este detalhe: nem entidades normalmente a favor dos transgênicos (como a Embrapa) e outras empresariais (Irga, Fedearroz) querem a liberação deste.
Mas qual o problema deste arroz? O principal problema é a resistência ao glufosinato de amônio. Este herbicida é usado para controlar o arroz vermelho, o principal mato do arroz. A preocupação é a transferência de resistência para o arroz vermelho que ocorrerá num futuro, comprometendo o controle desse mato.
O artigo fez bem em chamar a atenção a mais falsa promessa dos transgênicos: diminuir a quantidade de 
agrotóxicos. Nada mais mentiroso, principalmente quando confrontado com as quantidades compradas pelo Brasil.
Não só as atitudes da CTNBio são escandalosas, mas também a existência da mesma. É um absurdo uma só entidade ser "responsável" pela liberação ou não dos transgênicos. Ainda mais quando se analisa o histórico/currículo da maior parte de seus integrantes.
Muito bom o artigo!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Parece que o algodão transgênico não era assim tão transgênico...

Abaixo, tradução livre da reportagem da Ecotextile ao Laboratório Impetus. Parece que o algodão não era assim tão transgênico.
As amostras da C&A e da H&M têm grande chance de terem sido contaminadas acidentalmente com o nível aceitável de transgênicos (até 0,9%) dentro das normas orgânicas. A questão é... como que as mídias modificaram tanto assim os comentários do Dr. Lothar Kruse do Impetus? e por quê?
Será que foi uma tentativa de colocar em dúvida a produção orgânica.
Houve uma enorme quantidade de controvérsias e rumores no setor têxtil global depois que um relatório recente da FT alegou que as principais marcas européias que vendiam roupas certificadas orgânicas, mas que continham vestígios de organismos geneticamente modificados (GM ) de algodão da Índia. Algodão transgênico é proibido segundo as normas orgânicas. 
O ponto mais notável do relatório, informa que o Laboratório Impetus da Alemanha, disse que "30% das amostras que foram testadas apresentaram positivos para OGM." Quando entramos em contato com o Dr. Lothar Kruse do Impetus, que era a fonte para a citação acima, ele disse à Ecotextile Notícias, que era "necessário retificar algumas das afirmações que tenho lido em diferentes mídias. A maioria deles distorceram os fatos de seu contexto." 

Ele passou a dizer que o laboratório não tinha sido encomendado pelo jornal Financial Times Deutschland (FTD) para analisar os produtos de algodão da Índia, mas que era um trabalho diário. A maioria de suas amostras eram provenientes da indústria têxtil e de outros laboratórios que não são capazes de realizar esta análise. "Nós não sabemos a origem das amostras", disse ele. 
Dr. Kruse afirmou que cerca de 30% de todas as amostras "rotulados como 'orgânicos', 'verde' ou 'bio' tinham sido analisadas nos últimos cinco anos continham traços de modificação genética. "Mas - e isto é muito importante - eu também deixou claro que, muito provavelmente, estas amostras positivas foram "casos suspeitos ", e que esta elevada taxa não reflecte a realidade", disse ele.
Ele também confirmou que o laboratório tinha testado cerca de 500 amostras nos últimos cinco anos e que "o nível de OGM de aproximadamente 80% das amostras positivas foi inferior a 2%." É provável que a fraude deliberada renderia teores mais elevados de material OGM 

Ken Ross, CEO da US GM - laboratório de testes do Global ID Grupo concorda, "A grande questão para se perguntar é se 100% dos 30% do algodão era OGM ou 30% continham traços de OGM? Se fosse 30% de material contaminado com 0,1% de OGM, então este é geralmente aceito como razoável em padrões orgânicos." 
Existe uma cláusula nas Normas de Produção Orgânica e legislação da UE, que diz que um certo nível (0,9% para a UE) de "contaminação acidental 'com OGM é aceitável. No entanto, esta definição também é muito complexa.

Pós-descarroçamento
Curiosamente, cerca de metade das 500 amostras de algodão testadas pelo Impetus foram pós-descaroçamentoKruse diz que seu laboratório pode testar amostras de algodão por determinados OGM. Este está em um estágio muito mais tarde do que alguns na indústria têxtil esperado. "Nós somos capazes de extrair DNA de matérias-primas como fibras (algodão lavado, penteado, branqueado), fios e uma roupa muito poucos casos", disse ele à Ecotextile News, mas ressaltou que não é simples para extrair DNA de matérias-primas ou fibras de algodão processadas e que a extração de DNA (ou mesmo a detecção de modificações genéticas) de tecidos é a excepção e não a regra." 
"Desde que é nossa tarefa diária de lidar com o problema das substâncias inibidoras de co-extraídos com o DNA e sabemos que cada etapa de processamento irá reduzir a qualidade e quantidade de DNA 'adequado'  recomendamos aos nossos clientes para análise de amostras o mais cedo possível, ou seja, no início da cadeia de transformação ", afirmou Kruse. 
Heather Secrit, cientista sênior do Global Group ID: "Podemos detectar OGM em sementes de algodão ou em certos casos, em linters (fibras residuais aderidas à semente de algodão), mas geralmente não há vestígios de sementes de algodão ... onde o material genético está. Uma vez que as fibras tenham sido branqueadas, secas e processadas todos os vestígios do material genético das sementes serão perdidos."
Testar ou não testar?
Esta opinião foi partilhada por Lee Holdstock da Associação do Solo do Reino Unido."Laboratórios de testes de OGM concordam que as fibras processadas, particularmente aqueles sujeitos a calor ou processos químicos, não contém material suficiente de ácidos nucleicos para um resultado confiável. A fibra menos processada têm, a maior possibilidade para a detecção de GM. Portanto, se você deve testar para a GM, o método mais eficaz continua a ser o teste de sementes de algodão ". 


Holdstock também questiona se só os testes GM estão no caminho certo: "Se os produtores de algodão orgânico estão seguindo práticas orgânicas e verificavelmente não utilizam sementes geneticamente modificadas, então provavelmente regimes de testes de sementes são um encargo desnecessário para colocar no sistema." 
Mas ele disse que a confiança na produção e na entidade de fiscalização, contudo, não eliminam a possibilidade de contaminação acidental. "O algodão GM está agora espalhado e o risco de deriva de pólen é real. Potencial para este tipo de contaminação destaca como importante é que o movimento orgânico define claramente o que constitui um teste pertinente e qual o nível de resultados positivos para fraude ou imperícia ", concluiu. 


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Linha orgânica da H&M e C&A está contaminada com algodão transgênico

"A C&A e a Tchibo tiveram suas roupas com algodão orgânico contaminadas com algodão transgênico da Índia, de acordo com a edição alemão do Financial Times.
Cerca de 30% das amotras continham algodão transgênico, informou Lothar Kruser, um diretor da Impetus, um laboratório independente em Bremerhaven, que analisou o algodão em questão. O algodão transgênico foi trazido da Índia, a qual é responsável por mais da metade do suprimento de algodão orgânico global, com uma exportação de aproximadamente 107.000 toneladas da fibra em 2009, segundo o Organic Exchange.
Contudo, Sanjay Dave, a chefe da autoridade agrícola da Índia, Apeda, informou o jornal que a fraude ocorreu em uma "escala gigantesca" e as multas foram emitidas para as entidades certificadoras como a EcoCert e Control Union.
Mas quem culpar?
Com a difusão das culturas biotecnológicas em todo o mundo, a polinização cruzada com orgânico não é inédito. A culpa, no entanto, pode cair em cima das marcas e em seu acompanhamento inadequado das suas cadeias de abastecimento no exterior."As cadeias de moda não eram vigilantes o suficiente", Monika Buening da Agência Federal das Cadeias de Consumo, disse ao jornal Frankfurter Rundschau, acrescentando que tanto a H&M e a C&A precisam agir o mais rápido possível para minimizar os danos.

Um porta-voz da H&M disse à AFP que teve conhecimento do problema no ano passado e admitiu que o algodão GM poderia ter "escorregado" em coleções orgânicas. A C&A, entretanto, informou estar investigando o assunto.

Em um email para a Ecouterre,um representante da H&M insiste que a companhia não tem razão para acreditar que o algodão orgânico tenha sido cultivado com sementes GM.c
A entidade Control Union continua conduzindo auditorias em todas as propriedades de algodão orgânico certificadas da Índia. "Nenhuma das propriedades usaram sementes GM"."

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Testemunhos da Contaminação - Relatório sobre a contaminação na Espanha

Este é um relatório que descreve os impactos humanos e sócio-econômicos da contaminação de organismos geneticamente modificados na Espanha. O relatório, "Testemunhos da Contaminação" é baseado em testemunhos, coletados em 2007, de produtores que tenham sido prejudicados direta ou indiretamente como resultado da contaminação do milho modificado MON810 da Monsanto. Esta coleção de depoimentos retrata uma realidade preocupante: grave contaminação de culturas não-modificadas está acontecendo no único país da União Européia cujo governo permite plantio em escala comercial do MON810.

Testimonies of Contamination - Why Co-existence of GM and Non-GM Crops Remains Impossible.pdf

sábado, 15 de agosto de 2009

Controle de transgênicos não funciona - conclui o Estado do Paraná


O secretário da Agricultura do Estado do Paraná, Valter Bianchini, entregou levantamento ao governo federal que concluiu que as regras de segregação das lavouras de milho transgênico Bt determinadas pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) para todo o país não funcionam na prática.

Aexigência é de uma faixa de 20 metros entre uma lavoura de milho transgênico e outra convencional nas regiões onde predomina a pequena propriedade. Porém, após a avaliação do resultado da primeira safra comercial de milho transgênico (a safrinha, na qual o Paraná colheu 4,7 milhões de toneladas -1,1 milhão de toneladas de milho geneticamente modificado), o Estado do Paraná concluiu que o governo federal foi incapaz de fiscalizar o cumprimento das regras de plantio definidas pela CTNBio.

A contaminação dos transgênicos ocorre acima da faixa de 20 metros entre as culturas. As regras não garantem a convivência entre lavouras convencionais e transgênicas, uma das exigências da Lei de Biossegurança. 

"As suspeitas foram confirmadas. Precisamos agora discutir com o governo federal formas mais eficientes de controlar e confinar o milho Bt. Uma das medidas é uma redefinição do espaçamento exigido hoje, é isso que queremos discutir agora com o governo federal", disse Bianchini. 
Para o Paraná os efeitos que isso pode provocar na produção de frango e na exportação do produto, caso as autoridades não busquem minimizar os problemas no plantio da safra de verão,serão desastrosos.

A nota técnica do Paraná foi enviada a diversos ministérios e é a primeira vinda de uma instituição pública condenando o modelo de plantio e controle do milho geneticamente modificado. Em junho, 86 organizações civis enviaram uma carta aberta à ministra Dilma solicitando a imediata suspensão da autorização para o plantio de milho transgênico no país. As alegações foram as mesmas apontadas agora pelo Paraná.

domingo, 10 de maio de 2009

Milho contaminado no Paraná

Reportagem da Folha de hoje mostra a contaminação do milho convencional pelo milho transgênico.
Não há condições de colher, transportar e estocar a primeira safra de milho transgênico do Brasil de maneira que ela fique segregada da produção convencional.
Não podemos esquecer que a Lei de Biossegurança exige o controle de todos os processos. (Alguém acreditava mesmo, que isso fosse acontecer?)
A segregação será uma tarefa a mais a ser feita pela indústria alimentícia (pelos menos aquelas empresas que se comprometeram a não usar transgênicos). Além disso, há o risco de as exportações dos produtos agrícolas diminuírem.
Essa contaminação está ocorrendo no processo de beneficiamento. Nem foi cogitada ainda a contaminação pela polinização cruzada do milho. Nesta cultura, o pólen de uma planta através do vento poliniza a outra planta. Não há controle.
É de se pensar quem sai ganhando com essa contaminação? De quem a Europa vai comprar milho convencional? Ou ela terá que aceitar os transgênicos?

É incrível o descaso das autoridades com o direito do consumidor, o direito de escolher o que consumir.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Soja do PR está contaminada com transgênicos!

Saiu hoje, no canal Invertia, a contaminação da soja no Paraná está prejudicando os produtores, que além de pagarem royalties, não podem vender sua soja como convencional (ganhando cerca de R$2,00 a mais por saca).
Falta pouco para não haver mais soja convencional...

E de acordo com o ingênuo diretor da PGP Consultoria e Assessoria, as empresas de sementes não estão agindo de má fé. (!) 
Para quem não se lembra, no início, as empresas diziam que era quase impossível a contaminação da soja convencional pela transgênica. Pelos tantos casos que vão surgindo, talvez não seja assim tão impossível. Pode ser que seja até bem fácil... isso, apesar da soja ter autopolinização (isto é, a própria flor da soja se fecunda, não há necessidade do pólen de outra planta). A maior parte da contaminação deve estar ocorrendo devido à utilização de máquinas e de equipamentos para processamento mistos. Agora, imagine como será com o milho, que tem polinização cruzada (isto é, o pólen - através do vento - fecunda outra planta). 

 Assim, para se garantir, o agricultor terá que pedir análise do lote de sementes convencional, para caso sua produção seja contaminada, poder provar que não plantou soja transgênica. O correto seria o produtor processar (e ganhar) as empresas pela contaminação de sua lavoura. O foco está sendo dado em soja convencional, pense no produtor de soja orgânica, o quanto ele não perde com a contaminação. Contudo, quando se trata dos interesses das multinacionais, você é culpado até que prove (a muito custo) ser inocente.


Fonte e maiores informações: Invertia

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Mais um estudo comprova a contaminação do milho criolo no México

Abaixo, a tradução livre do artigo de Joëlle Stolz, publicado no Jornal Le Monde de hoje, sobre a contaminação do centro de origem do milho com os transgênicos.
milho crioloA biosegurança do milho no México está em alerta. Um estudo molecular feito por pesquisadores mexicanos, americanos e holandeses demonstrou a presença de genes provenientes de organismos geneticamente modificados (OGM) entre as variedades de milho tradicionais cultivadas na região de Oaxaca, no sul do país. Deve-se lembrar que o governo mexicano manteve até agora uma moratária sobre a utilização de sementes transgênicas.
Durante o Conselho europeu de 4 de dezembro, os ministros do mei ambiente fixaram 5 ações para controlar os OGM. As ações visavam reforçar a avaliação dos impactos ambientais e sociais econômicos dessas culturas, melhorar a perícia associada aos Estados membros e à Autoridade Européia da Segurança dos Alimentos (AESA). Além de, fixar a presença dos OGM, para garantir "uma real livre escolha entre as sementes OGM, convencionais e biológicas", permitindo a definição de zonas sensíveis ou de culturas orgânicas excluídas dos transgênicos. A França considera uma separação de 50 metros para isolar as parcelas de OGM.
Os resultados deste estudo leva os pesquisadores a questionarem medidas de segurança bem mais restritivas, o tipo de agricultura mais tradicional praticada no México -  onde a polinização do milho é feita pelo vento, e onde os agricultores têm o costume de trocar suas sementes - parece agravar os riscos de uma contaminação rápida pelos OGM.
O artigo que publicará em detalhes as conclusões sairá no próximo número da revista Molecular Ecology. Foi redigido por Elena Alvarez-Buylla, do Instituto de Ecologia da Universidade Nacional Autônoma do México, a UNAM, com a colaboração de uma dezena de outros pesquisadores.
Este trabalho pode relançar a polêmica causada em 2001 por um artigo publicado na revista Nature, onde os autores, os biólogos David Quist e Ignacio Chapela, da Universidade de Berkeley na Califórnia, revelou que o milho criolo (tradicional) da região de Oaxaca, um dos centros de origem deste cereal, estavamcontaminados pelos genes Roundup Ready e Bt, propriedades da firma americana Monsanto.
Na sua obra, O Mundo Segundo Monsanto (Ed. Radical Livros), Marie-Monique Robin conta sobre a armação que M. Chapela foi vítima, graças a empresa dominante no mercado dos trasgênicos. Nature publicou uma retratação, dizendo que o artigo dos dois biólogos era insuficientemente apoiado.
Sete anos mais tarde, o trabalho dirigido por Elena Alvarez-Buylla confirma as conclusões do trabalho anterior, conforme um relatório publicado na Nature em 13 de novembro. Os pesquisadores descobriram os transgenes em 3 dos 23 campos da serra norte de Oaxaca, onde as amostras tinham sido tirados em 2001.
A americana Allison Snow, da Universidade da Califórnia, autora de um estudo preliminar, em 2005, que parecia invalidar as descobertas de Ignacio Chapela e David Quist (e havia sido também explorada pelos partidários dos OGM), publica no mesmo número da Molecular Ecology um nota complementária elogiando, onde ela julga que a análise molecular conduzida pela equipe da UNAM é "muito boa" e coloca em evidência "os sinais positivos dos transgenes".
"Faz 2 anos que estamos batalhando para publicar os resultados denosso estudo", declara Elena Alvarez-Buylla. "Nunca eu tinha encontrado tantas dificuldades no curso de minha carreira! Estão tentando frear a difusão desses dados científicos". O biólogo José Sarukhan, pesquisador da UNAM e membro da Acadêmia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, tinha recomendado o artigo para a revista desta instituição. Este foi rejeitado em março, pelo motivo de que ele poderia provocar "a atenção excessiva da imprensa, por razões políticas no tema ambiental"...
Como, apesar da moratória, os transgenes dos OGM emigraram até o final das montanhas de Oaxaca, mas também no Estado de Sinaloa, o maior produtor de milho para consumo humano, no Norte, ou à Milpa Alta, um distrito da periferia do México? Eles são encontrados em 1% dos terrenos analisados, o que é muito no contexto mexicano, onde 75% do milho plantado vêm de grãos selecionados pelos próprios agricultores.
A primeira hipótese é que certos agricultores tenham importado ilegalmente sementes transgênicas. Fortes suspeitas pesam também na empresa da Pionner, grande provedora de sementes de milho híbridas, compradas pelo México dos Estados Unidos e distribuídas aos pequenos agricultores através de programas de ajuda governamentais.
Mas dados preliminares indicam que um terço das sementes Pioneer está contaminado pelos OGM, e a Monsato conseguiu impedir qualquer tipo de rotulagem para distinguí-las na venda.
Os autores do estudo pedem que as "medidas de segurança" sejam reforçadas para preserva as espécies nativas do milho, sobretudo no México, seu "centro de origem". É necessário deixar os laboratórios realmente independentes, e adaptar os critérios de análise molecular à realidade mexicana, ao invés de se fixar "nos métodos utilizados nos países como os Estados Unidos, que têm um sistema agrícola bem diferente do nosso".
Mas a principal preocupação dos pesquisadores hoje, consiste nos projetos das empresas farmacéuticas, que querem rentabilizar a biomassa do milho, e a utilizar como um bioreator para as vacinas e anticoagulantes. "Em função dos incidentes que já aconteceram nos Estados Unidos, onde eles tiveram dificuldade em separar estes bioreatores dos OGM, nós tememos que o milho se transforme em lixo da indústria farmacêutica, em detimento de sua vocação alimentar", avisa Elena Alavrez-Buylla. "O que faremos quando os anticoagulantes chegarem às tortillas dos mexicanos?"
Fonte: Le Monde

terça-feira, 8 de abril de 2008

Monsanto perde processo por contaminação

O agricultor canadense Percy Schmeiser conseguiu na semana passada uma vitória nos tribunais contra a Monsanto. Ele e sua esposa, Louise, ficaram mundialmente conhecidos após terem suas plantações contaminadas por canola transgênica e serem processados pela Monsanto acusados de violarem suas patentes biotecnológicas.

No acordo recente, a Monsanto irá pagar 660 dólares canadenses ao casal para pôr fim a uma ação de pequenas causas que eles moveram contra a multinacional em função dos custos que tiveram para remover a canola transgênica de suas lavouras.

“Após dez anos, finalmente justiça foi feita”, disse Schmeiser em entrevista após a decisão. “De fato eu sinto que se um agricultor for contaminado ele tem o direito de ir atrás da Monsanto e cobrar sua responsabilidade e a limpeza da contaminação”.

Já em 2005 a empresa havia concordado em pagar os custos referentes à limpeza da canola transgênica, desde que o casal assinasse um termo de sigilo em que se comprometesse a nunca revelar o conteúdo do acordo. “Esse acordo era uma verdadeira mordaça”, disse Schmeiser. “Jamais abriríamos mão de nossa liberdade de expressão para uma corporação”. De acordo com a negociação feita o casal Schmeiser não está impedido de falar sobre o termo assinado.

Segundo a Monsanto Canadá, 16 agricultores canadenses assinaram o termo de sigilo em 2007. Em 2005, foram 5 casos de agricultores contaminados que procuraram reparação dos danos. Em nota, a empresa afirma não assumir responsabilidade sobre o caso.

A partir de 1995 o cultivo da canola transgênica Roundup Ready (resistente ao herbicida Roundup, assim como a soja transgênica da Monsanto) se espalhou pelo Canadá. E como a canola é uma planta de polinização aberta (como o milho), é impossível conter a contaminação.

Percy alerta que o que está em jogo não são esses 660 dólares, mas sim milhões de dólares em compensação a agricultores que viram suas terras serem contaminadas por material transgênico e o direito dos agricultores de produzir lavouras livres de transgênicos. “Isso poderá custar à Monsanto milhões e milhões de dólares mundo afora”, conclui Percy.

Fonte: Por um Brasil Livre de Transgênicos, nº 386

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Milho transgênico a caminho

25/05/2007 - AGÊNCIA CHASQUE. Com a liberação do milho transgênico os casos de contaminação continuarão acontecendo só que de forma muito mais acelerada. Além da mistura no maquinário, o milho transgênico se dispersará muito mais rápido pois sua polinização é aberta e feita pelo vento.


Neste mês de maio o governo liberou uma variedade de milho transgênico para plantio comercial. É o milho chamado de Liberty Link, da multinacional alemã Bayer. A mesma empresa também venderá o herbicida (mata mato) de nome Liberty para ser aplicado sobre o milho. É o mesmo caso da soja transgênica Roundup Ready da Monsanto resistente ao herbicida Roundup (glifosato).

É importante destacar que esta decisão ainda não é final e pode ser alterada. Órgãos como Ibama e Anvisa podem contestar a decisão. E o governo ainda deverá avaliar os impactos sociais e econômicos desta liberação. Depois disso, se for mantida a decisão, o Ministério da Agricultura deverá registrar a semente, o que leva mais de um ano. Ou seja, qualquer plantio de qualquer tipo de milho transgênico hoje em dia é ilegal e deve ser denunciado.

A liberação do milho transgênico coloca em risco toda a diversidade de variedades crioulas que é cultivada e conservada por agricultores e camponeses de todo o país. Não há como evitar que o milho transgênico se misture e contamine as variedades crioulas. Não há nenhum caso conhecido de país que tenha liberado o plantio do milho transgênico e que não tenha prejudicado a agricultura ecológica e mesmo a convencional não transgênica.

Na Europa já foi reconhecido que a contaminação irá acontecer. Agora se discute qual será a porcentagem de transgênicos permitida em produtos orgânicos e convencionais. Aceitar essa situação é um grande desrespeito a consumidores que desejam alimentos mais saudáveis e livres de agrotóxicos e transgênicos. Também é um desrespeito aos agricultores, que têm todo o direito de cultivar suas sementes sem serem prejudicados.

Vários agricultores vêm sofrendo prejuízos no Brasil com a soja transgênica. Mesmo aqueles que não plantam essas sementes. O governo do Paraná já detectou contaminação com até 9% de transgênicos nas sementes convencionais de soja que são comercializadas no estado. E o Paraná vem desde 2003 combatendo o plantio de transgênicos e fiscalizando as lavouras. Também há casos de produtores orgânicos que tiveram que vender a produção como convencional porque ela foi misturada na colhedora ou no caminhão com soja transgênica plantada por vizinhos. Dependendo do nível de contaminação a Monsanto, no caso da soja, ainda pode cobrar uma taxa do agricultor por ele ter usado sua tecnologia.

Com a liberação do milho tudo isso continuará acontecendo só que de forma muito mais acelerada. Além da mistura no maquinário, o milho transgênico se dispersará muito mais rápido pois sua polinização é aberta e feita pelo vento.

A única saída para evitar a contaminação é não plantar o milho transgênico e mobilizar os vizinhos para também não plantarem. Este debate deve ser levado para dentro das associações, sindicatos e demais organizações dos agricultores. Mesmo um canteiro plantado só para conhecer a semente já é suficiente para contaminar plantações vizinhas.

A pressão das empresas e do agronegócio para a liberação dessas sementes é muito grande. Tanto é que o milho Liberty Link foi aprovado mesmo sem estudos para comprovar que ele não faz mal à saúde.

Quando começar a ser plantado, o milho transgênico entrará na nossa alimentação. Isso pode acontecer via farinha, fubá, bolos e outros produtos. Também pode entrar indiretamente através de aves, suínos e outros animais que comeram milho transgênico. Tudo deverá ser rotulado. Mas infelizmente sabemos que pode acontecer o mesmo que acontece com a soja e nada ser rotulado.

Novamente, é importante que essa discussão seja levada adiante. O trabalho de resgate, multiplicação, melhoramento e troca de sementes deve ser reforçado. Além de ser uma fonte mais garantida de sementes este trabalho permite que o agricultor tenha uma produção ecológica pouco ou nada dependente de insumos externos. A semente transgênica é o caminho oposto. Prende o agricultor ao manejo convencional e altamente dependente de insumos caros.

Gabriel Fernandes é assessor técnico da ASPTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa).