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sábado, 18 de julho de 2009

Governo de Obama e de Lula: decepção quanto aos transgênicos

O Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos Nº450 traz notícias com relação ao governo de Obama e os transgênicos. Altamente recomendada a leitura! Aliás, quem ainda não se cadastrou para receber os informativos deveria fazê-lo logo... é um trabalho muito sério e muito bem feito.
Abaixo, tomo a liberdade de reproduzir um trecho do informativo:
Obama põe lobista da Monsanto na FDA
A porta giratória entre a indústria e o governo continua rodando nos EUA. Em 06 de junho Barack Obama nomeou Michael R. Taylor para o cargo de Assessor Sênior de Margaret Hamburg, Presidente da Food and Drug Administration (FDA), órgão do governo americano que regulamenta alimentos e medicamentos.
Taylor é um antigo conhecido daqueles que acompanham a novela dos transgênicos. Sua história está intimamente ligada à aprovação dos transgênicos nos EUA (e, em consequência, no mundo).
Fazendo uma retrospectiva. Em 1991, após os cientistas da FDA concluírem que não havia segurança suficiente para a liberação de alimentos transgênicos no país, o governo de Bill Clinton criou um posto no órgão especialmente para Taylor, que trabalhara por sete anos como advogado da Monsanto.
No cargo de “deputy commissioner for policy”, uma espécie de conselheiro para políticas, Taylor comandou a criação do famoso conceito da “equivalência substancial” para comparar plantas transgênicas e convencionais. Segundo o método, fazendo-se uma comparação química grosseira entre uma planta transgênica e sua similar convencional, pode-se concluir que a transgênica é “substancialmente equivalente” à convencional e portanto, por princípio, é segura. Mais ainda, se ela é quimicamente equivalente e portanto segura, não é necessária a realização de testes exaustivos para verificar sua segurança. Brilhante, não?
Importante notar ainda que, segundo este incrível conceito, além de se comparar uma lista bastante limitada de elementos (como as quantidades de proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais, entre alguns outros), em nenhum lugar são estabelecidos os níveis de similaridade que uma planta transgênica deve ter em relação à sua contraparte convencional para ser considerada equivalente.
E como se não bastasse a precariedade científica do conceito, ele costuma ser aplicado da forma mais tosca possível. Vejamos, por exemplo, o caso da soja tolerante ao herbicida glifosato. Conforme descreveram três renomados cientistas na revista Nature em 1999, “Embora nós saibamos há cerca de dez anos que a aplicação de glifosato na soja altera significativamente sua composição química (por exemplo, o nível de componentes fenólicos como isoflavonas), a soja resistente ao glifosato usada nos testes de composição cresceu sem a aplicação de glifosato. Isto apesar do fato de que as lavouras comerciais de soja tolerante ao glifosato seriam sempre tratadas com o produto para eliminar plantas invasoras. Os grãos testados eram, portanto, de um tipo que jamais seria consumido, enquanto aqueles que seriam consumidos não foram avaliados.”
Já naquela época os cientistas alertavam: “A equivalência substancial é um conceito pseudo-científico porque é um julgamento comercial e político mascarado de científico. Ele é, além disso, inerentemente anti-científico, porque foi criado primeiramente para fornecer uma desculpa para não se requererem testes bioquímicos e toxicológicos.”
Mas foi a partir deste princípio de Taylor que os transgênicos foram autorizados nos EUA, dispensando-se as análises de risco. O conceito foi difundido pelo mundo e possibilitou a liberação dos transgênicos em diversos países -- inclusive no Brasil.
Em sua passagem pela FDA, Taylor também foi responsável pela liberação nos EUA do hormônio de crescimento bovino transgênico (rBST ou rBGH, nas siglas usadas em inglês), da Monsanto. O produto é injetado em vacas para aumentar a produção de leite, mas diversos estudos apontam evidências de que ele produz efeitos colaterais nas vacas (como aumento da incidência de mastite) e que provoca no leite o aumento do nível de outro hormônio associado ao surgimento de câncer de mama, próstata e colo. Além disso, o uso de hormônio transgênico pode estar relacionado ao alto nível de nascimentos de gêmeos (Boletim 307).
Taylor não só conseguiu que o hormônio do leite fosse aprovado nos EUA, como impediu que a informação sobre o uso do produto aparecesse nos rótulos de embalagens de leite e derivados (a Monsanto chegou a processar os produtores que rotularam seu leite como “livre de rBST”; recentemente um grande movimento de consumidores conseguiu, em alguns estados americanos, impedir a aprovação de leis para proibir os rótulos “livre de hormônio de crescimento”) (Boletim 384). [1]
Após cumprir estes serviços Taylor saiu da FDA, em 1994. Foi para o Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos (FSIS) do USDA (ministério de agricultura dos EUA) e, em 1998, tornou-se um dos vice-presidentes da Monsanto, atuando na área de “políticas públicas” (espécie de “lobista-chefe” da empresa). Taylor ocupou este cargo por dois anos.
Agora de volta à FDA, Taylor enterra qualquer esperança que se poderia ter de que o governo de Obama conseguiria manter independência das indústrias de biotecnologia e promover mudanças importantes na precária política para a segurança dos alimentos no país.
Muda-se o piloto, mas mantém-se o resto da tripulação, que se encarrega de não permitir alterações de rota. Aliás (e infelizmente) este fenômeno é também bastante comum por aqui, especialmente nesta área -- afinal, quem diria, há dez anos atrás, que o Brasil escancararia as portas aos transgênicos justamente sob o PT de Lula?
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[1] No Brasil o hormônio de crescimento bovino é liberado. Dois produtos comerciais são vendidos aqui: o Lactotropin, da Elanco, e o Boostin, da Schering-Plough. Nenhuma das empresas informa que o produto é transgênico e o Ministério da Agricultura não fiscaliza seu uso.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Monsanto defende hormônio do leite através de ONG nos E.U.

A Afact, sigla em inglês que significa “Agricultores americanos para o avanço e conservação da tecnologia”, se autodenomina uma “organização de base”, criada para defender o direito dos agricultores/pecuaristas de usar o hormônio de crescimento bovino transgênico, chamado somatotropina (ou rBST, ou ainda rBGH).

O que a Afact não diz é que possui laços estreitos com a Monsanto, que produz o rBGH, comercializado nos EUA com o nome Posilac. O grupo foi organizado pela própria Monsanto e por um consultor de Colorado que tem a empresa na sua lista de clientes. A organização também teve o apoio da firma de marketing Osborn & Barr, que inclui um ex-executivo da Monsanto entre seus fundadores, e trabalhou para a empresa na campanha do Posilac.

Como cada vez mais consumidores americanos estão optando por comprar leite que não contenha hormônios de crescimento artificiais, a Afact começou uma contra-ofensiva buscando impedir que os rótulos de leite informem a ausência do hormônio. Essas informações foram publicadas pelo jornal New York Times, edição de 09 de março deste ano.

O hormônio transgênico desenvolvido pela Monsanto é injetado nas vacas para aumentar a produção de leite. Diversos estudos indicam que o hormônio produz efeitos colaterais nas vacas, como o aumento da incidência de mastite (inflamação nas mamas), e que provoca no leite o aumento do nível de outro hormônio associado ao surgimento de câncer de mama, próstata e colo.

O rBGH é proibido na maior parte dos países, mas liberado nos EUA e no Brasil. Dois produtos comerciais são vendidos aqui: o Lactotropin, da Elanco, e o Boostin, da Schering-Plough. Nenhuma das empresas informa que o produto é transgênico e o Ministério da Agricultura não fiscaliza seu uso.

Fonte: Conselho de Fiscalização do Cumprimento da Lei de Transgênicos

Obs: Essa história de querer impedir a rotulagem de transgênicos se parece muito com a que ocorre aqui no Brasil...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Wal-Mart veta leite com hormônio transgênico nos EUA

A rede de supermercados Wal-Mart declarou na última quinta-feira que o leite da sua marca-própria chamada Great Value está sendo adquirido somente de vacas que não tenham sido tratadas com hormônios artificiais de crescimento, como o hormônio transgênico somatotropina (rBST).

A rede varejista disse que a sua cadeia Sam’s Club também está oferecendo apenas leite de fornecedores que garantiram não tratar suas vacas com o rBST.

Embora o FDA (agência governamental americana que regulamenta alimentos e medicamentos) tenha dito que o leite de vacas tratadas com o rBST não apresente riscos para a saúde humana, o Wal-Mart disse que fez a mudança em resposta à demanda dos clientes.

Outra rede varejista, a Kroger Co., com 2.500 lojas nos Estados Unidos, começou no mês passado a vender somente leite produzido sem o uso de hormônios como o transgênico rBST. A Safeway Inc. com mais de 1.700 lojas, também mudou seus produtos de marca própria para oferecer leite sem rBST, embora também venda leite de outras marcas produzido por vacas tratadas com o hormônio. E, desde janeiro, a Starbucks Corp. também só está usando leite sem rBST em suas lojas.

Fontes:
Reuters, 21/03/2008.
ReportonBusiness.com, 22/03/2008.
Figura: John Hannah