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quinta-feira, 26 de março de 2009

PCB é encontrado em leite materno de brasileiras

Pesquisa da Unicamp avaliou o leite de 200 mulheres e encontrou o PCB (Bifenil policlorado) que é um dos 10 poluentes com alto grau de toxicidade.
Começou a ser utilizado na década de 30, por empresas como a Monsanto e a Bayer por causa de suas vantagens químicas e físicas: era um composto não-inflamável, de alta resistência elétrica e grande estabilidade. Depois da produção de milhões de toneladas, viu-se que permanecia no ambiente por muito tempo.
Em adultos pode provocar irritações cutâneas, em crianças há o perigo da anemia, da redução de crescimento, de menor QI, entre outros.
Fonte: Revista Época

quarta-feira, 18 de março de 2009

Brasil deixa claro que não quer arroz transgênico

Hoje ocorreu a audiência pública sobre o arroz transgênico. Foram 12 palestrantes com 15 minutos para fazer sua defesa ou crítica.
Ambientalistas e cientistas mostraram os perigos do arroz transgênico e a falta de estudos da Bayer.
A empresa não respondeu o que vai fazer para evitar a contaminação das outras lavouras, não apresentou estudos sobre resíduos de agrotóxicos nos grãos e, teve seus fracos argumentos rebatidos por cientistas.
Para saber mais o que ocorreu na audiência pública entre no site do Greenpeace ou no Twitter do GreenBrasil.
Em uma semana foram 15 mil assinaturas contra o arroz transgênico. Se você ainda não assinou, acesse a petição. É muito importante a sua participação, a votação do arroz transgênico da Bayer será esta quinta-feira (19/03) na CTNBio.

ATUALIZAÇÃO (20/03):
A votação sobre o arroz transgênico foi adiada para o 2º semestre do ano. Porém, o algodão Bt da Dow foi liberado.

terça-feira, 10 de março de 2009

Arroz transgênico: Ser cobaia não é bom!

O Greenpeace iniciou uma petição contra o arroz transgênico da Bayer, tolerante ao glufosinato de amônio. A petição é endereçada à CTNBio e à Bayer.
Para pedir que o arroz transgênico (LLRice62) não seja produzido no Brasil, entre no site do Greenpeace e assine a petição (Ser Cobaia Não é Bom), a audiência pública está marcada para 18 de março! Para fazer mais, mande email para as empresas deixando clara a sua opinião.
Os produtores só produzem o que o mercado compra. Nós, consumidores, temos o poder de decidir o futuro dos alimentos no Brasil. Não se esqueça, fazer compras, é fazer política. Faça a sua parte, diga NÃO ao arroz transgênico!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Agrotóxico da Bayer usado no arroz GM não poderá ter sua licença renovada na Europa

O glufosinato de amônio, produzido pela Bayer, usado no seu arroz transgênico, não poderá mais ter sua licença renovada, junto com outros 21 agrotóxicos. A notícia vem do site do Greenpeace.
Abaixo um trecho do artigo:

"A Comissão Européia anunciou hoje a nova lei de pesticidas, que impede a renovação da licença de mercado do agrotóxico glufosinato de amônio - usado em lavouras de algodão, milho e arroz transgênicos, dentre outras culturas - em seus países membros. Outros 21 pesticidas também entraram na lista.

Apesar da boa notícia, a lei só vale para as futuras licenças de uso e suas renovações. Com isso, algumas substâncias perigosas permanecerão sendo utilizadas até 2020, colocando em risco populações e o meio ambiente.

A conclusão do corpo de cientistas consultados pela Comissão é de que o glufosinato apresenta alto nível de toxicidade, considerado impróprio para uso em lavouras e para consumo humano, mesmo em quantidades mínimas.

O glufosinato é produzido pela Bayer, que também desenvolve transgênicos resistentes a este tóxico. Um exemplo de transgênico resistente a glufosinato é o arroz Liberty Link 62, que, no Brasil, aguarda audiência pública antes de ser votado na CTNBio."
Para saber mais: Greenpeace e OutraAgricultura

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Resultado da reunião da CTNBio

A CTNBio aprovou na quinta-feira a liberação comercial de duas novas variedades de milho e de um tipo de algodão geneticamente modificado no país. O milho " Roundup Ready " , produzido pela multinacional americana Monsanto, e a variedade " GA21 " , desenvolvida pela européia Syngenta - maior empresa de sementes e defensivos do mundo -, foram aprovados por 16 votos favoráveis e quatro contrários. Ambos os produtos são tolerantes ao herbicida glifosato. O colegiado também aprovou a liberação comercial do algodão transgênico " Roundup Ready " , outro produto da Monsanto." Havia dois processos de 2004 e um de 2006. Então, o que fizemos foi nivelar as liberações aos tempos de entrada dos processos " , afirmou o presidente da CTNBio, o médico bioquímico Walter Colli. " É razoável que agora a CTNBio passe a analisar processos de 2006 para cá " , disse.

Também na reunião de quinta-feira, a comissão aprovou, ainda, a comercialização da vacina transgênica contra a circovirose suína desenvolvida pela companhia Intervet Veterinária.

Além das duas variedades de milho transgênico aprovados pela CTNBio, outros três tipos já haviam sido permitidos no Brasil: o milho tolerante ao herbicida glufosinato de amônia, desenvolvido pela alemã Bayer CropScience, além do milho " Bt Yieldgard " , da Monsanto, e da semente " Bt11 " , da Syngenta, ambos resistente a insetos.

A CTNBio também aprovou nesta movimentada reunião de quinta-feira sete pedidos de liberação planejada no meio ambiente, destinados a pesquisa de campo. Os integrantes da comissão aprovaram, ainda, uma resolução normativa para disciplinar essas liberações planejadas.

Serão exigidas das empresas interessadas, entre outras medidas de precaução, a utilização de curva de nível a cada metro de terreno experimental, além de declividade mínima para garantir o escoamento da água das chuvas. O colegiado da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança também aprovou alterações em Comissão Interna de Biossegurança (CIBio) e em Certificado de Qualidade em Biossegurança (CQB) de empresas de biotecnologia.

Fonte: Mauro Zanatta - Valor Econômico

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

UE autoriza a importação de soja transgênica


Há falta de matéria-prima como fonte protéica para alimentação animal na Europa, assim sendo, ocorre a importação desses alimentos de países produzem transgênicos, como os EUA, a Argentina e o Brasil. Excesso de soja transgênica nos mercados mundiais, como resolver o problema? Existe duas formas possíveis para solucioná-lo. A primeira seria estimular os mercados à ofertarem soja não-transgênica, favorecendo a produção local para diminuir a importação de soja na Europa, respondendo assim às expectativas dos consumidores (que não querem soja transgênica) e baseando-se num desenvolvimento rural mais sustentável. Outra opção é adotar o que o lobby das multinacionais da biotecnologia querem... mais dinheiro para o bolso (deles) e menos saúde para os consumidores e para o ambiente. E foi a 2ª opção que a União Européia adotou hoje em Bruxelas:
Fonte: Agência AFP

BRUXELAS - A União Européia (UE) autorizou nesta segunda-feira a importação de produtos que incluem uma variedade de soja transgênica (A2704-12) utilizada na alimentação de animais.

A autorização é válida por 10 anos e todo produto que contenha soja modificada deverá estar estritamente etiquetado e seguir as regras européias de rastreamento.

Os países da UE não conseguiram em julho passado fechar um acordo sobre pedidos de autorização de distintas variedades de soja e algodão transgênicos, submetendo assim a decisão à Comissão Européia.

O procedimento de confiar a decisão a Bruxelas é habitual há anos no caso dos pedidos de comercialização de um OGM (Organismo Geneticamente Modificado) e evita que os países europeus se exponham ao discutir o tema dos transgênicos, de grande sensibilidade pública.

O tipo de soja autorizada, conhecida como A2704-12, foi testado em agosto de 2007 pela Autoridade Européia da Segurança Alimentar (EFSA). O órgão considerou improvável que esta soja tenha efeitos indesejados para a saúde humana, a saúde animal e o meio ambiente.

O pedido de autorização havia sido apresentado em 2005 pelo grupo alemão Bayer CropScience para o mercado holandês.

A UE não deu licenças para o cultivo de plantas transgênicas, mas aceita a comercialização de espécies importadas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Abelhas buscam refúgio nas cidades

O Jorge (O Escriba) me enviou esta notícia muito interessante sobre o desaparecimento das abelhas e resolvi fazer um post a respeito.

A desordem de colapso das colônias (Colony Collapse Disorder) das colônias das abelhas é uma epidemia inimaginável, de um amplitude jamais vista,
iniciou-se primeiramente nos EUA e no Canadá, porém, já chegou à Europa. Na Alemanha, um quarto das colônias foram dizimadas. O desaparecimento das abelhas é um sinal de alarme para a sobrevivência da espécie humana, já que cerca de 1/3 dos alimentos do mundo são polinizados pelas abelhas. Aumentando, assim, a quantidade e qualidade das frutas, sementes e verduras, como maçã, pera, melão, nozes, abacates, soja, aspargos, brócolos, aipo, abóbora e pepino, laranjas, limões, pêssegos, kiwi, cerejas, morangos etc.

Mas o que está causando isso? Por que as abelhas estão morrendo? São os agrotóxicos? São os transgênicos? Um novo patógeno? Com certeza, a resposta está na combinação de vários agentes. E há tempos as abelhas vêm sofrendo com o uso, principalmente do agrotóxicos...
Em São Paulo, o uso de agrotóxicos para o vetor do "greening" está dizimando as colméias, a Alemanha proibiu o uso de 8 agrotóxicos devido à morte maciça das abelhas, e nos EUA, a Agência de Proteção Ambiental foi acusada de oculta informações sobre a toxicidade dos defensivos químicos nas abelhas. Contudo, infelizmente, o lobby dos defensivos é muito forte ($$$) e aqui no Brasil, enquanto a Anvisa queria reavaliar os estudos e dados científicos de 99 agrotóxicos, uma liminar do Sindag (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola) surgiu com acusações contra essa reavaliação.

Como já dizia Einstein: “Se as abelhas desparecessem da face da Terra, o Homem teria apenas quatro anos de vida”.


"Apicultores alemães estão levando suas abelhas para centros urbanos para evitar que o mel seja contaminado pelo milho transgênico. Em 2007, morreram cerca de 30% de sua população na Alemanha. Atualmente, 330 das 550 variedades de abelhas silvestres são consideradas espécies em perigo. Nos EUa, em 2007, em regiões de 24 Estados, até 70% da população de abelhas morreram em circunstâncias estranhas.
BERLIM – Para as abelhas alemãs, o campo já não é apenas o que costumava ser. Fugindo dos inseticidas e dos cultivos transgênicos, agora buscam abrigo nas cidades. No dia 15 de julho, seis apicultores alemães levaram suas abelhas até Munique para salvá-las do milho geneticamente modificado que foi plantado perto de sua aldeia, Kaisheim, a 80 quilômetros da cidade. “Se nossas abelhas entrarem em contato com o milho geneticamente modificado, e o mel for contaminado por ele, não poderemos vendê-lo”, disse à IPS Karl Heinz Bablock, um dos seis apicultores. Na Alemanha os transgênicos são legais, mas não podem ser destinados ao consumo humano.

Meses atrás, Bablock e vários colegas seus apresentaram uma demanda judicial contra os cultivos geneticamente modificados, mas o tribunal determinou que, com essas plantações são legais, eram os apicultores que deveriam levar suas colméias para outro lado. ‘É sabido que as abelhas passam 90% de seu tempo de vida em um perímetro de três quilômetros. Mas, podem voar até 10 quilômetros sem problema. Estamos realmente felizes pelo fato de a cidade de Munique ter dado abrigo às nossas abelhas”, disse o apicultor.

Thomas Radetzki, diretor da união de apicultores Millifera, disse que as abelhas permanecerão em Munique “até o fim do verão” (boreal”). “Em meados de agosto termina o período de crescimento do milho e poderão voltar para casa”, acrescentou. Estes movimentos de abelhas se tornaram comuns por toda a Alemanha. “mas, em algumas regiões, como Brandenburgo, próximo a Berlim, é quase impossível escapar dos transgênicos. Estão por todos os lados e as abelhas entram em contato com eles”, afirmou Radetzki à IPS. Mas, não é a única ameaça que enfrentam.

As mudanças climáticas na agricultura, com a introdução de monoculturas e o uso intensivo de pesticidas, obrigam as abelhas a buscar refúgio nas cidades. Peter Rozenkranz, entomologista na Universidade de Stuttgart, disse à IPS que as monoculturas estão privando as abelhas de seu habitat natural. “Após algumas boas semanas na primavera, as abelhas se vêem ameaçadas pela fome, porque avançando o ano quase não restam flores”, acrescentou. Imagens obtidas via satélite mostram que “em vastas regiões, especialmente na zona oriental do país, não há nada que sirva de alimento para as abelhas”, ressaltou.

E, se não bastasse isso, os cultivos estão saturados de inseticidas e pesticidas, que quase em sua totalidade resultam ser fatais para as abelhas. Apicultores do Estado de Baden Wurttemberg informaram sobre a morte de centenas de abelhas em maio. Culparam um componente químico do inseticida Poncho Pro, usado para proteger das larvas as sementes do milho. Mnafred Raff, diretor da associação regional de apicultores, disse à IPS que mandou analisar suas abelhas depois das mortes em massa. “Encontramos em seus corpos abundantes traços desse produto químico”, afirmou.

Como conseqüência de uma demanda judicial apresentada por Raff e outros 700 apicultores de BadenWurtemberg, a gigante da indústria química e farmacêutica Bayer admitiu que Poncho Pro causou a morte, mas culpou os produtores de sementes pelo uso indevido desse produto. Viver nas cidades se tornou mais atraente para as abelhas, “porque as áreas verdes recreativas e os jardins têm uma vegetação variada e exuberante, que floresce ao longo de vários meses, desde o começo da primavera até o fim do verão”, afirmou Rosenkranz.

“Nas cidades, as abelhas só precisam voar algumas centenas de metros, de um parque público a uma sacada e dali até um jardim para encontrarem suculentas flores, em sua maioria livres de inseticidas”, acrescentou Rosenkranz disse que as abelhas estiveram sob ameaça de extermínio durante anos. Em 2007, morreram cerca de 30% de sua população na Alemanha. Atualmente, 330 das 550 variedades de abelhas silvestres são consideradas espécies em perigo. O panorama se repete em outros países, especialmente nos Estados Unidos: em 2007, em regiões de 24 Estados, até 70% da população de abelhas morreram em circunstâncias estranhas.

O desaparecimento dessas polinizadoras por excelência teriam profundas conseqüências ambientais, que iriam muito além da falta de mel. A escassez de alimentos se agravará se as colônias de abelhas deixarem de polinizar frutas e vegetais. (IPS/Envolverde)."

Fonte: Carta Maior

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Notícia triste.... CTNBio aprova algodão transgênico da Bayer


SÃO PAULO (Reuters) - A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira o plantio comercial de uma variedade de algodão transgênico da Bayer, tolerante ao herbicida glufosinato de amônia.

Com aval da comissão formada por cientistas, o próximo passo é a liberação do produto pelo Ministério da Agricultura.

No entanto, se houver recursos contra a decisão da CTNBio no prazo de 30 dias --como ocorreu nas últimas liberações de milho transgênico--, o processo tem que ser encaminhado para o Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), órgão formado por representantes de 11 ministérios, que analisa a questão sob o ponto de vista sócio-político.

A decisão da CTNBio teve 18 votos a favor. Três integrantes da comissão votaram contra. Houve duas abstenções.

Foi a primeira aprovação de transgênico pela CTNBio desde setembro de 2007, quando autorizou o milho Bt11 da Syngenta, resistente a insetos.

"Estamos trabalhando desde fevereiro em pareceres e outras atividades, e só agora conseguimos votar", disse o presidente da CTNBio, Walter Colin, em comunicado.

O Brasil já planta comercialmente há alguns anos outras duas variedades de produtos agrícolas transgênicos, a soja (resistente ao herbicida glifosato), e o algodão (resistente a insetos), ambos com patente da Monsanto .

Três varidades de milho já aprovadas pelos órgãos governamentais e com registro no Ministério da Agricultura --da Syngenta, Bayer e Monsanto-- estão em processo de multiplicação de sementes.

Para a próxima safra, estima-se que algumas lavouras de milho transgênico já possam ser semeadas comercialmente.


Fonte: Yahoo Notícias

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Milho transgênico a caminho

25/05/2007 - AGÊNCIA CHASQUE. Com a liberação do milho transgênico os casos de contaminação continuarão acontecendo só que de forma muito mais acelerada. Além da mistura no maquinário, o milho transgênico se dispersará muito mais rápido pois sua polinização é aberta e feita pelo vento.


Neste mês de maio o governo liberou uma variedade de milho transgênico para plantio comercial. É o milho chamado de Liberty Link, da multinacional alemã Bayer. A mesma empresa também venderá o herbicida (mata mato) de nome Liberty para ser aplicado sobre o milho. É o mesmo caso da soja transgênica Roundup Ready da Monsanto resistente ao herbicida Roundup (glifosato).

É importante destacar que esta decisão ainda não é final e pode ser alterada. Órgãos como Ibama e Anvisa podem contestar a decisão. E o governo ainda deverá avaliar os impactos sociais e econômicos desta liberação. Depois disso, se for mantida a decisão, o Ministério da Agricultura deverá registrar a semente, o que leva mais de um ano. Ou seja, qualquer plantio de qualquer tipo de milho transgênico hoje em dia é ilegal e deve ser denunciado.

A liberação do milho transgênico coloca em risco toda a diversidade de variedades crioulas que é cultivada e conservada por agricultores e camponeses de todo o país. Não há como evitar que o milho transgênico se misture e contamine as variedades crioulas. Não há nenhum caso conhecido de país que tenha liberado o plantio do milho transgênico e que não tenha prejudicado a agricultura ecológica e mesmo a convencional não transgênica.

Na Europa já foi reconhecido que a contaminação irá acontecer. Agora se discute qual será a porcentagem de transgênicos permitida em produtos orgânicos e convencionais. Aceitar essa situação é um grande desrespeito a consumidores que desejam alimentos mais saudáveis e livres de agrotóxicos e transgênicos. Também é um desrespeito aos agricultores, que têm todo o direito de cultivar suas sementes sem serem prejudicados.

Vários agricultores vêm sofrendo prejuízos no Brasil com a soja transgênica. Mesmo aqueles que não plantam essas sementes. O governo do Paraná já detectou contaminação com até 9% de transgênicos nas sementes convencionais de soja que são comercializadas no estado. E o Paraná vem desde 2003 combatendo o plantio de transgênicos e fiscalizando as lavouras. Também há casos de produtores orgânicos que tiveram que vender a produção como convencional porque ela foi misturada na colhedora ou no caminhão com soja transgênica plantada por vizinhos. Dependendo do nível de contaminação a Monsanto, no caso da soja, ainda pode cobrar uma taxa do agricultor por ele ter usado sua tecnologia.

Com a liberação do milho tudo isso continuará acontecendo só que de forma muito mais acelerada. Além da mistura no maquinário, o milho transgênico se dispersará muito mais rápido pois sua polinização é aberta e feita pelo vento.

A única saída para evitar a contaminação é não plantar o milho transgênico e mobilizar os vizinhos para também não plantarem. Este debate deve ser levado para dentro das associações, sindicatos e demais organizações dos agricultores. Mesmo um canteiro plantado só para conhecer a semente já é suficiente para contaminar plantações vizinhas.

A pressão das empresas e do agronegócio para a liberação dessas sementes é muito grande. Tanto é que o milho Liberty Link foi aprovado mesmo sem estudos para comprovar que ele não faz mal à saúde.

Quando começar a ser plantado, o milho transgênico entrará na nossa alimentação. Isso pode acontecer via farinha, fubá, bolos e outros produtos. Também pode entrar indiretamente através de aves, suínos e outros animais que comeram milho transgênico. Tudo deverá ser rotulado. Mas infelizmente sabemos que pode acontecer o mesmo que acontece com a soja e nada ser rotulado.

Novamente, é importante que essa discussão seja levada adiante. O trabalho de resgate, multiplicação, melhoramento e troca de sementes deve ser reforçado. Além de ser uma fonte mais garantida de sementes este trabalho permite que o agricultor tenha uma produção ecológica pouco ou nada dependente de insumos externos. A semente transgênica é o caminho oposto. Prende o agricultor ao manejo convencional e altamente dependente de insumos caros.

Gabriel Fernandes é assessor técnico da ASPTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa).

Governo libera comercialização de milho transgênico

http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3488

13 fevereiro 2008

NO PRATO DO POVO

Por sete votos a quatro, conselho de ministros decide liberar duas variedades de milho transgênico produzidas por empresas transnacionais. Decisão sacramenta opção do atual governo pelos transgênicos e contraria o movimento socioambientalista.

RIO DE JANEIRO – Reunido na terça-feira (12), o Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) aprovou a liberação comercial de duas variedades de milho transgênico produzidas pelas empresas transnacionais Bayer e Monsanto. Esta é a primeira vez que o milho transgênico é liberado no país. Antes, o governo federal já havia liberado a soja e o algodão transgênicos. Com esta decisão, o CNBS, colegiado composto por onze ministérios, confirma a opção do atual governo pelos transgênicos e coloca o Brasil como um dos poucos países do mundo a se abrir para esse tipo de produção.

O placar apertado da votação no CNBS _ sete votos a quatro _ demonstra que o tema ainda é alvo de intensas divergências no seio do governo Lula. Na reunião, presidida pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, votaram contra a liberação das duas variedades de milho transgênico os ministérios da Saúde, do Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente, além da Secretaria Especial da Pesca. A favor dos transgênicos, votaram a Casa Civil e os ministérios da Agricultura, da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento, da Justiça, da Defesa e das Relações Exteriores.

Principal opositora da liberação dos transgênicos no CNBS, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, não pôde comparecer à reunião do conselho, pois havia sido convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acompanhá-lo na viagem à Guiana Francesa, onde o presidente brasileiro foi encontrar o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Do lado pró-transgênicos, o mais entusiasmado era o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende: “Essa decisão histórica vai colocar o Brasil entre os países mais modernos na área agrícola”, repetia, após a votação.

Rezende também dava garantias aos repórteres de que “o milho transgênico é seguro para o consumo humano”. A opinião do ministro é idêntica à da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão subordinado ao MCT, que já havia aprovado a liberação comercial do Liberty Link (Bayer) e do MON810 (Monsanto) há dois anos. A decisão da CTNBio, no entanto, foi contestada na Justiça e também dentro do governo, sobretudo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa, subordinada ao Ministério da Saúde) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama, subordinado ao MMA), fato que fez com que a decisão final fosse remetida ao CNBS.

A Anvisa havia solicitado ao CNBS “a imediata suspensão da liberação do milho MON810”, por avaliar que “os dados apresentados pela Monsanto não permitem concluir sobre a segurança de seu uso para consumo humano”. O Liberty Link, por sua vez, teve a anulação de sua liberação pedida pelo Ibama “em razão da inexistência de estudos ambientais sobre o produto”. O Ibama também alertou aos ministros que “caso a liberação comercial do milho transgênico seja aprovada, a contaminação das variedades crioulas, orgânicas e ecológicas ocorrerá inevitavelmente”.

O fato de os dois ministérios com maior especialização sobre questões ligadas à saúde humana e ao meio ambiente se posicionarem claramente contra a liberação do milho transgênico não impediu a vitória do grupo pró-transgênicos no CNBS. Assim sendo, o governo brasileiro marcha na contramão de diversos outros países que recentemente proibiram o Liberty Link e o MON810 em seus territórios _ como, por exemplo, a Hungria (2006), a Áustria (2007) e a França (2008) _ justamente por considerar que estes produtos podem trazer risco à saúde humana e ao meio ambiente.

“Decisão vai marcar mandato”

Em nota pública divulgada logo após a reunião do conselho de ministros, as organizações do movimento socioambientalista que compõem a Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos afirmaram que “a decisão política do governo Lula, de colocar o agronegócio acima da saúde da população, do meio ambiente e da agrobiodiversidade, é uma grande irresponsabilidade que marcará seu mandato”.

Para Isidoro Revers, que é dirigente da Comissão Pastoral da Terra e da Via Campesina, a decisão do CNBS “foi absurda” e deve ser contestada: “As duas autoridades competentes para avaliar os impactos à saúde humana e ao meio ambiente se posicionaram contra as liberações comerciais. É muito contraditório que os outros ministros, que não têm competência sobre a saúde e o meio ambiente, tenham passado por cima desta decisão”, diz.

Revers também afirma considerar a decisão do governo um ataque aos pequenos agricultores: “Essa decisão atenta contra o direito dos agricultores, que perderão suas variedades tradicionais e crioulas, e dos consumidores, que não terão opção de uma alimentação saudável e não transgênica, já que não haverá controle da contaminação”, diz.

Coordenadora do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Andréa Salazar considera “um absurdo que as empresas de biotecnologia continuem negando-se a realizar os estudos exigidos pelas autoridades da área de saúde”. Ela também promete que a luta contra a liberação do milho transgênico não se esgotará após a derrota no CNBS: “Vamos continuar alertando os consumidores brasileiros sobre os riscos do milho transgênico. A Anvisa deixou bem claro que estas variedades não são seguras à saúde humana”, diz Andréa.