terça-feira, 25 de agosto de 2009
Danos às crianças na Argentina - glifosato é o responsável
terça-feira, 9 de junho de 2009
Glifosato pode ser proibido na Argentina
O glifosato é a base, por exemplo, do agrotóxico Roundup, da Monsanto, para o qual foram criadas variedades de soja geneticamente modificada (Soja RR). Essa soja transgênica, resistente ao glifosato, é muito plantada na Argentina e também no Brasil, principalmente na região Sul. Segundo investigação feita pelo instituto de pesquisas Conicet, o glifosato pode causar má-formação embrionária em rãs, por exemplo. E pode ter implicações sérias para seres humanos.
Pesquisadores do instituto suspeitam que a classificação de toxicidade do glifosato esteja muito abaixo do que deveria ser. Há registro de vários casos de residentes próximos das regiões produtoras de soja na Argentina que relataram problemas de saúde a partir de 2002, dois anos após as primeiras safras de soja transgênica. Pesquisas conduzidas por cientistas argentinos e evidências levantadas por outros ativistas do país indicam elevada incidência de defeitos de nascença e câncer em pessoas que vivem perto das regiões de pulverização de glifosato em lavouras.
A Argentina é o maior exportador mundial de óleo de soja e segundo maior na exportação de milho, terceiro em soja, e sétimo em trigo. O glifosato é o agrotóxico mais usado e os produtores gastam com ele cerca de US$ 450 milhões por ano, usando anualmente 150 milhões de litros nas lavouras. As informações partem do Greenpeace.
domingo, 24 de maio de 2009
Para controlar resistência causada pelo glisofato (soja RR), vem aí a soja resistente ao 2,4-D (extremamente tóxico - agente laranja): CTNBio e Dow tentam disfarçar
Uma matéria publicada no jornal Gazeta Mercantil em 18 de maio informa que a Dow AgroSciences, subsidiária da americana Dow Chemical, vai entrar no mercado brasileiro de sementes de soja transgênica com uma nova variedade tolerante à aplicação de herbicidas. O pedido para testes de campo já foi encaminhado à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).A matéria não informa especificamente a qual herbicida a nova soja será tolerante. O diretor de sementes e biotecnologia da empresa apenas informa que “serão novos eventos tolerantes aos auxínicos, um regulador de crescimento que quando aplicado em doses adequadas atua como um herbicida”. A Dow é fabricante o herbicida 2,4-D, um herbicida auxínico considerado muito mais tóxico do que o glifosato (também tóxico).Curiosamente, a pauta da 123a reunião ordinária da CTNBio, onde consta o pedido para liberação planejada (teste de campo) para esta soja, também não informa a qual herbicida ela é tolerante. Genericamente, diz apenas “soja geneticamente modificada tolerante a herbicidas”.
O “lançamento” desta soja tolerante ao 2,4-D é um escândalo! Todos sempre souberam que o uso intensivo de glifosato nas monoculturas de soja transgênica provocaria o desenvolvimento de mato resistente ao herbicida. À época da liberação da soja transgênica no Brasil, alertamos exaustivamente que isto já estava ocorrendo nos países que já cultivavam soja transgênica havia mais tempo, o que estava levando os agricultores a procurar herbicidas mais antigos e mais tóxicos como o 2,4-D.
A empresa e a CTNBio estão agora tentando “disfarçar” que a nova soja é tolerante ao 2,4-D justamente porque sabem que este herbicida é extremamente tóxico!Fonte: Boletim 442- Por um Brasil Livre de Transgênicos
Para se ter uma idéia, o glifosato, cujos males ao meio ambiente e à saúde humana vêm sendo alerdeados aos quatro ventos, é classificado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como de “Classe Toxicológica IV - Pouco Tóxico”. Já o 2,4-D é um herbicida “Classe I - Extremamente Tóxico”.O 2,4-D é um dos dois componentes do famoso “agente laranja”, desfolhante utilizado na Guerra do Vietnam que provocou milhares de casos de cânceres, leucemias e patologias neurológicas, além do nascimento de bebês com deficiências físicas e mentais.
A fórmula soja transgênica + glifosato representa um desastre para os agricultores e uma ameaça à saúde dos consumidores (amplamente descrita no livro Roleta Genética, de Jeffrey Smith). E todos sabiam que sua eficácia agronômica duraria poucos anos. Substituí-la por outro pacote tecnológico muito mais nocivo para resolver os problemas causados pelo primeiro seria um crime sem precedentes das autoridades da CNTBio, que sabem, tanto como nós, dos efeitos devastadores que uma produção como estas em larga escala poderá provocar.Com informações de:- Gazeta Mercantil, 18/05/2009.- Boletim da Frente Parlamentar da Agropecuária, 05/02/2009.- Pauta da 123a. Reunião Ordinária da CTNBio
terça-feira, 14 de abril de 2009
Glifosato causa deformações em fetos (mesmo em doses ínfimas)
Estudo realizado pela Faculdade de Medicina da UBA de Buenos Ayres, com glifosato em doses ínfimas, em embriões anfíbios (que são totalmente comparáveis com os que ocorreriam no desenvolvimento do embrião humano) causou deformações neuronais, intestinais e cardíacas. Andrés Carrasco, um dos pesquisadores disse que "isso tem a ver com a forma como essas células se dividem e morrem". Além critcou a atitude das empresa "que dizem que beber um copo de glifosato é mais saudável do que beber um de leite, mas o certo é que nos usaram como cobaias".Na Argentina, a soja transgênica ocupa 17 milhões de hecatres e é comercializada pela Monsanto, assim como o glifosato.
O estudo recorda que o uso de agrotóxicos na soja obedeceu a uma decisão política, que não foi baseada em pesquisas científicas-sanitárias e "que a ciência está sendo guiada pelos interesses econômicos e não pela verdade e para o bem-estar das pessoas".
Abaixo, texto retirado do jornal El País de 13 de abril, reportagem de Darío Aranda.
Las comunidades indígenas y los movimientos campesinos denuncian desde hace una década los efectos sanitarios de los agrotóxicos sojeros. Pero siempre chocaron con las desmentidas de tres actores de peso, productores (representados en gran parte por la Mesa de Enlace), las grandes empresas del sector y los ámbitos gubernamentales que impulsan el modelo agropecuario. El argumento recurrente es la ausencia de “estudios serios” que demuestren los efectos negativos del herbicida. A trece años de fiebre sojera, por primera vez una investigación científica de laboratorio confirma que el glifosato (químico fundamental de la industria sojera) es altamente tóxico y provoca efectos devastadores en embriones. Así lo determinó el Laboratorio de Embriología Molecular del Conicet-UBA (Facultad de Medicina) que, con dosis hasta 1500 veces inferiores a las utilizadas en las fumigaciones sojeras, comprobó trastornos intestinales y cardíacos, malformaciones y alteraciones neuronales. “Concentraciones ínfimas de glifosato, respecto de las usadas en agricultura, son capaces de producir efectos negativos en la morfología del embrión, sugiriendo la posibilidad de que se estén interfiriendo mecanismos normales del desarrollo embrionario”, subraya el trabajo, que también hace hincapié en la urgente necesidad de limitar el uso del agrotóxico e investigar sus consecuencias en el largo plazo. El herbicida más utilizado a base de glifosato se comercializa bajo el nombre de Roundup, de la compañía Monsanto, líder mundial de los agronegocios.
El Laboratorio de Embriología Molecular cuenta con veinte años de trabajo en investigaciones académicas. Funciona en el ámbito de la Facultad de Medicina de la Universidad de Buenos Aires (UBA) y del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet). Es un espacio referente en el estudio científico, conformado por licenciados en bioquímica, genética y biología. Durante los últimos quince meses estudió el efecto del glifosato en embriones anfibios, desde la fecundación hasta que el organismo adquiere las características morfológicas de la especie.
“Se utilizaron embriones anfibios, un modelo tradicional de estudio, ideal para determinar concentraciones que pueden alterar mecanismos fisiológicos que produzcan perjuicio celular y/o trastornos durante el desarrollo. Y debido a la conservación de los mecanismos que regulan el desarrollo embrionario de los vertebrados, los resultados son totalmente comparables con lo que sucedería con el desarrollo del embrión humano”, explica Andrés Carrasco, profesor de embriología, investigador principal del Conicet y director del Laboratorio de Embriología.Para saber mais sobre os transgênicos na Argentina, acesse o Partido Pirata Argentino
El equipo de investigadores dice que las diluciones recomendadas para la fumigación por la industria agroquímica oscilan entre el uno y el dos por ciento de la solución comercial (cada un litro de agua, se recomienda 10/20 mililitros). Pero en el campo es sabido –incluso reconocido por los medios del sector– que las malezas a eliminar se han vuelto resistentes al agrotóxico, por lo cual los productores sojeros utilizan concentraciones mayores. El estudio afirma que en la práctica cotidiana las diluciones varían entre el diez y el treinta por ciento (100/300 mililitros por litro de agua).
Utilizando como parámetros de comparación los rangos teóricos (los recomendados por las compañías) y los reales (los usados por los sojeros), los resultados de laboratorio son igualmente alarmantes. “Los embriones fueron incubados por inmersión en diluciones con un mililitro de herbicida en 5000 de solución de cultivo embrionario, que representan cantidades de glifosato entre 50 y 1540 veces inferiores a las usadas en los campos con soja. Se produjo disminución de tamaño embrionario, serias alteraciones cefálicas con reducción de ojos y oído, alteraciones en la diferenciación neuronal temprana con pérdida de células neuronales primarias”, afirma el trabajo, que se dividió en dos tipos de experimentación: inmersión en solución salina y por inyección de glifosato en células embrionarias. En ambos casos, y en concentraciones variables, los resultados fueron rotundos.
“Disminución del largo del embrión, alteraciones que sugieren defectos en la formación del eje embrionario. Alteración del tamaño de la cabeza con compromiso en la formación del cerebro y reducción de ojos y de la zona del sistema auditivo, que podrían indicar causas de malformaciones y deficiencias en la etapa adulta”, alerta la investigación, que también avanza sobre efectos neurológicos graves: “(Se comprobaron) Alteraciones en los mecanismos de formación de neuronas tempranas, por una disminución de neuronas primarias comprometiendo el correcto desarrollo del cerebro, compatibles con alteraciones con el cierre normal del tubo neural u otras deficiencias del sistema nervioso”.
Cuando los embriones fueron inyectados con dosis de glifosato muy diluido (hasta 300.000 veces inferiores a las utilizadas en las fumigaciones), los resultados fueron igualmente devastadores. “Malformaciones intestinales y malformaciones cardíacas. Alteraciones en la formación y/o especificación de la cresta neural. Alteraciones en la formación de los cartílagos y huesos de cráneo y cara, compatible con un incremento de la muerte celular programada.” Estos resultados implican, traducido, que el glifosato afecta un conjunto de células que tienen como función la formación de los cartílagos y luego huesos de la cara.
“Cualquier alteración de forma por fallas de división celular o de muerte celular programada conduce a malformaciones faciales serias. En el caso de los embriones, comprobamos la existencia de menor cantidad de células en los cartílagos faciales embrionarios”, detalla Carrasco, que también destaca la existencia de “malformaciones intestinales, principalmente en el aparato digestivo, que muestra alteraciones en su rotación y tamaño”.
La soja sembrada en el país ocupa 17 millones de hectáreas de diez provincias y es comercializada por la empresa Monsanto, que vende las semillas y el agrotóxico Roundup (a base de glifosato), que tiene la propiedad de permanecer extensos períodos en el ambiente y viajar largas distancias arrastrados por el viento y el agua. Se aplica en forma líquida sobre la planta, que absorbe el veneno y muere en pocos días. Lo único que crece en la tierra rociada es soja transgénica, modificada en laboratorio. La publicidad de la empresa clasifica al glifosato como inofensivo para al hombre.
Como todo herbicida, está conformado a partir de un ingrediente “activo” (en este caso el glifosato) y otras sustancias (llamadas coadyuvantes o surfactantes, que por secreto comercial no se especifican en detalle), cuya función es mejorar su manejo y aumentar el poder destructivo del ingrediente activo. “El POEA (sustancia derivada de ácidos sintetizados de grasas animales) es uno de los aditivos más comunes y más tóxicos, se degrada lentamente y se acumula en las células”, acusa la investigación, que describe el POEA como un detergente que facilita la penetración del glifosato en las células vegetales y mejora su eficacia. Investigadores de diversos países han centrado sus estudios en los coadyuvantes (ver aparte) y confirmado sus consecuencias.
En el estudio experimental del Conicet-UBA (según sus autores, el primero en investigar los efectos del herbicida y el glifosato puro en el desarrollo embrionario de vertebrados), se focaliza en el elemento menos estudiado y denunciado del Roundup. “El glifosato puro introducido por inyección en embriones a dosis equivalentes de las usadas en el campo entre 10.000 y 300.000 veces menores, tiene una actividad específica para dañar las células. Es el responsable de anomalías durante el desarrollo del embrión y permite sostener que no sólo los aditivos son tóxicos y, por otro lado, permite afirmar que el glifosato es causante de malformaciones por interferir en mecanismos normales de desarrollo embrionario, interfiriendo los procesos biológicos normales.”
Carrasco rescata las decenas de denuncias –y cuadros clínicos agudos– de campesinos, indígenas y barrios fumigados. “Las anomalías mostradas por nuestra investigación sugieren la necesidad de asumir una relación causal directa con la enorme variedad de observaciones clínicas conocidas, tanto oncológicas como de malformaciones reportadas en la casuística popular o médica”, advierte el profesor de embriología.
La investigación recuerda que el uso de agrotóxicos sojeros obedeció a una decisión política que no fue basada en un estudio científico-sanitario (“es inevitable admitir la imperiosa necesidad de haber estudiado éstos, u otros, efectos antes de permitir su uso”), denuncia el papel complaciente del mundo científico (“la ciencia está urgida por los grandes intereses económicos, y no por la verdad y el bienestar de los pueblos”) y hace un llamado urgente a realizar “estudios responsables que provengan mayores daños colaterales del glifosato”.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Monsanto quer manter o lucro no glifosato.
"O setor agropecuário promete marcar presença nesta semana em Brasília, quando será avaliado pedido de taxação sobre as importações de glifosato. O Grupo Técnico de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento avalia a recomendação do Decom sobre a taxação de 35,8% do glifosato importado da China.
Pedido da Monsanto: O aumento da taxação foi pedido pela Monsanto. Segundo dados dos representantes do setor agrícola, a empresa detém 98% do mercado nacional de glifosato e em 2007 a demanda pelo produto movimentou R$ 1,2 bilhão no Brasil.
Decisão justa: Já a Monsanto considera que a ação antidumping sobre o glifosato importado da China se justifica para garantir a concorrência justa entre o produto fabricado no Brasil e o importado da China.Fonte : Folha de S. Paulo."
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Importação de milho e algodão transgênicos para testes
Uma multinacional aguarda liberação da Comissão Técnica Nacional de Biosegurança para importação de 16,96kg de sementes de milho geneticamente modificadas resistentes a insetos e tolerante ao glifosato MON 89034x MON 88017. O produto, oriundo dos Estados Unidos será destinado às
unidades operativas da empresa, localizadas em Não-Me-Toque (RS), Rolândia (PR), Santa Cruz das Palmeiras (SP), Santa Helena de Goiás (GO), bem como Sorriso.
As sementes serão utilizadas no plantio da liberação planejada no meio-ambiente. Em trinta dias a comissão deve julgar o pleito. A mesma empresa também requer da CTNBio parecer técnico para liberação planejada de milho geneticamente modificado e resistente a insetos, tolerante ao glufosinato de amônio e ao glifosato MON 89034 x TC1507 x MON88017x DAS-59122-7 e suas combinações. A proposta tem como objetivo testar a eficácia do material, no controle de lepidópteros praga e larva alfinete.
Os experimentos serão conduzidos nas estações experimentais nas mesmas cidades dos respectivos Estados. A área total da liberação planejada será de 0,54 hectares, sendo que a área com o organismo geneticamente modificado será de 0,46 ha. A
A importação de 14,46kg de algodão geneticamente modificado também encontram-se em análise.
As empresas e instituições de pesquisa, em sua maioria, não têm como intenção ajudar os agricultores... sua intenção principal é produzir cultivares que possam ser vendidas para depois cobrar royalties, aumentando assim o volume de dinheiro de suas próprias carteiras. Afinal, se a intenção é ajudar o produtor, veriam que a área de transgênicos e o interesse dos produtores no Mato Grosso está diminuindo, e se focariam em algo mais útil à agricultura:
Alto custo do glifosato e logística em favor das regiões oeste e noroeste do Estado fazem variedade retroceder na lavoura a cada safra. Tecnologia OGM que já foi vista como ‘salvação da lavoura’ se revela agora em MT, uma variedade cheia de ‘poréns´.
Vedete das lavouras nas safras de 2004, 2005 e 2006, os transgênicos ou OGMs (organismos geneticamente modificados) começam a perder espaço para a soja convencional em Mato Grosso, principalmente na região oeste e noroeste, em lavouras localizadas em Campos de Júlio e Sapezal, por exemplo, onde a presença do
grão OGM recua para cerca de 5% da área plantada. A elevação de até 70% nos preços do litro do glifosato – químico específico para este tipo de variedade – e a logística favorecida por meio dos portos de Itacoatiara e Santarém, fizeram com que os sojicultores retrocedessem no planejamento da cultura e optassem pela soja convencional, a isenta de trangenia.
...“O produtor está fazendo as contas antes de plantar e está chegando à conclusão de que trabalhar com OGMs hoje sai muito caro”, aponta o diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Marcelo Duarte Monteiro...
Fonte: Circuito Mato Grosso e 24h News
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Capim massambará é resistente ao glifosato
O Sorghum halepense L., no Brasil conhecido como capim massambará ou erva de São João (nos EUA conhecido como Johnsongrass), uma das ervas invasoras mais problemáticas do mundo, se tornou resistente ao herbicida glifosato (princípio ativo do Roundup da Monsanto) em alguns lugares do Arkansas e do Mississipi. O capim massambará é a mais recente em uma lista de ervas invasoras já resistentes que colocam em questão o amplo uso de lavouras transgênicas resistentes a herbicidas.
Este ano os agricultores americanos aplicarão o Roundup em mais de 40 milhões de hectares de soja, milho e algodão geneticamente modificados para tolerar o herbicida. Estas e outras lavouras transgênicas foram vendidas com a promessa de diminuir o uso de agrotóxicos, mas o uso excessivo de qualquer herbicida leva inevitavelmente as ervas invasoras a desenvolverem resistência ao produto, assim como está acontecendo com o capim massambará.
Para saber mais:
FEED - Food & Environment Electronic Digest -April 2008
http://www.ucsusa.org/food_and_environment/feed/feed-april-2008.html#1
Leia mais sobre este caso (em inglês) em:
http://deltafarmpress.com/soybeans/johnsongrass-scott-0319/
Em http://www.weedscience.org há um banco de dados sobre ervas invasoras resistentes ao herbicida em todo o mundo.
Fonte: Boletim Por um Brasil Livre de Transgênicos - Boletim 389 - 18 de abril de 2008
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Glifosato não consegue eliminar ervas daninhas que atacam soja transgênica
http://www.transgenicos.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=13
As plantas transgênicas tolerantes à aplicação do glifosato (princípio ativo do herbicida Roundup, da Monsanto) representam 68% dos transgênicos cultivados hoje o mundo (como a soja RR - Roundup Ready cultivada no Brasil).
Os herbicidas são os agrotóxicos cuja função é eliminar o mato das lavouras. O glifosato é um herbicida de amplo espectro, capaz de matar todas as plantas - inclusive a soja, o milho, o algodão etc. Usando as sementes RR, o agricultor pulveriza o herbicida sobre a lavoura e todo o mato morre, mas a plantação transgênica permanece intacta.
Esse é o paradigma dos cultivos totalmente "limpos". As plantas espontâneas são fonte de néctar, pólen e abrigo para insetos benéficos que ajudam na polinização do cultivo ou no controle de outros insetos herbívoros (pragas). Além disso, a presença da vegetação espontânea, evidentemente sob manejo, aumenta a quantidade de matéria orgânica produzida na área e suas raízes ajudam na estruturação do solo, o que acaba por beneficiar o próprio cultivo. A adoção de sementes transgênicas resistentes a herbicidas elimina a biodiversidade associada aos cultivos agrícolas e todos os benefícios ecológicos que ela proporciona. Os agroecossistemas com sementes RR são mais artificializados e instáveis.
Mas deixando de lado este aspecto e todos os riscos decorrentes da utilização da transgenia em si, a utilização de plantas tolerantes ao glifosato produz um efeito óbvio e inevitável: repetidas aplicações de um mesmo herbicida em uma mesma área fazem com que as plantas espontâneas acelerem o desenvolvimento de resistência ao produto.
No início da utilização das sementes RR, a eliminação do mato podia ser feita com uma ou duas aplicações do herbicida. Mas agora, graças a uma maior pressão de seleção, mesmo após repetidas aplicações de glifosato plantas invasoras resistentes ao herbicida insistem em crescer. Segundo informações divulgadas pela UCS, sete espécies de plantas invasoras resistentes ao glifosato já foram documentadas nos Estados Unidos. E como o glifosato não mais produz o efeito esperado, agricultores estão voltando a usar agrotóxicos antigos e mais tóxicos como o Paraquat e o 2,4-D, ambos causadores de sérios problemas de saúde.
Em muitos casos, agricultores americanos estão voltando à prática de eliminar as plantas mecanicamente com o uso de tratores, revertendo todos o benefícios em termos de conservação do solo alcançados após anos de utilização da técnica do plantio direto (em que o plantio é feito sobre a palhada da lavoura anterior, sem o revolvimento mecânico do solo).
Uma técnica que é vendida como o supra-sumo da tecnologia agrícola, na verdade está causando forte retrocesso. Em um levantamento realizado em 2004, técnicos de extensão rural nos Estados Unidos concluíram que as plantas espontâneas resistentes ao glifosato foram responsáveis pela redução do plantio direto no estado do Tennessee em 18%, e que a porcentagem de agricultores fazendo plantio direto nos maiores distritos produtores de algodão do Tennessee caiu de 80% para 40%.
Cientistas do estado do Arkansas estimam uma redução de 15% na utilização do plantio direto, também em decorrência da resistência do mato ao glifosato. Tendências similares foram relatadas no Mississippi e no Missouri.
Como não poderia deixar de ser, os resultados no Brasil seguem na mesma direção. Aqui já há registro de pelo menos 6 espécies de mato que não são mais controladas pelo Roundup.
Lamentavelmente não foram até hoje publicados dados oficiais sobre o consumo de agrotóxicos nas lavouras de soja transgênica no Brasil. O que existe é um levantamento feito pelo Ibama sobre o uso geral do glifosato. Esses dados mostram que entre 2000 e 2004, período de forte expansão da soja transgênica, o uso de glifosato cresceu 95% no País, enquanto o de todos os outros herbicidas somados cresceu 29,8%. No mesmo período, o uso de glifosato no Rio Grande do Sul, maior produtor da soja RR, cresceu 162%.
Há também o caso relatado no Boletim 236, em que as próprias culturas transgênicas passam a aparecer nos campos como plantas indesejadas. Isso acontece, por exemplo, em rotações de milho e soja Roundup Ready, onde as sementes que ficam no solo após a colheita brotam no meio do cultivo subseqüente e não podem ser controladas pelo Roundup, já que são resistentes.
Estes (tão exaustivamente anunciados) fenômenos mostram que a agricultura baseada no uso de sementes transgênicas se apresenta como alternativa para superar os problemas criados pelo próprio modelo que a originou, o da modernização da agricultura baseado em pacotes tecnológicos, monoculturas e elevada dependência da indústria. E, ao contrário de resolvê-los, termina por agravá-los.
Fonte: AS-PTA






