domingo, 21 de junho de 2009

Agrotóxicos: causa de mielomas múltiplos

Pesquisa envolvendo 678 agricultores que aplicam agrotóxicos, descobriu que a exposição a determinados pesticidas dobra o risco de desenvolver uma condição sanguínea anormal chamada de “gamopatia monoclonal de significância indeterminada” (GMSI). 
"O distúrbio, caracterizado por um nível anormal de uma proteína plasmática, exige acompanhamento e é uma condição que pode levar ao mieloma múltiplo, um doloroso câncer de células plasmáticas na medula óssea. A pesquisa foi publicada na Blood, a revista oficial da Sociedade Americana de Hematologia.
O sangue dos participantes do estudo, todos com autorização e registro para aplicação agrotóxicos de uso restrito pesticidas, foi avaliada para prevalência de GMSI . A média da idade dos participantes foi de 60 anos (intervalo 30-94 anos) e todos viviam mos estados de Iowa e Carolina do Norte. Os participantes
também completaram questionários fornecendo informações completas de exposição profissional para uma vasta gama de agrotóxicos, incluindo informações como o número médio de dias de utilização de pesticidas por ano, os anos de uso, a utilização de equipamentos de proteção e métodos de aplicação. Informações sobre tabagismo e uso de álcool, histórico familiar de câncer e outras bases de dados demográficos e de saúde também foram obtidas. Os indivíduos com história prévia de doenças como o mieloma múltiplo ou linfoma foram excluídos. Incidência e mortalidade por câncer foram monitorados anualmente e, após cinco anos de acompanhamento, entrevistas foram conduzidas para atualizar as informações sobre os participantes, exposições ocupacionais, anamnese, e estilo de vida.
O artigo “Pesticide exposure and risk of monoclonal gammopathy of undetermined significance in the Agricultural Health Study”, publicado na revista Blood, 18 June 2009, Vol. 113, No. 25, pp. 6386-6391, Prepublished online as a Blood First Edition Paper on April 22, 2009; DOI 10.1182/blood-2009-02-203471, apenas está disponível para assinantes da revista."
Fonte e maiores informações acessem o Ecodebate.
Para maiores danos dos agrotóxicos: Agrotóxicos = câncer, danos ao sistema nervoso, poluição ambiental

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Regras para plantio de milho transgênico (ogm) - CTNBio


Os Serviços de Defesa e Fiscalização Agropecuária da Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SFA/MS), alertam os produtores sul-matogrossenses sobre a necessidade de observar as regras de distanciamento entre as lavouras de milho geneticamente modificado (milho GM) e as lavouras de milho convencional, estabelecidas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio por meio da Resolução Normativa CTNBio Nº 4, de 16 de agosto de 2007.
De acordo com essa legislação, a lavoura com milho GM deve estar localizada a uma distância mínima de 100 (cem) metros de outras lavouras com milho convencional localizadas em propriedades vizinhas ou, alternativamente, a uma distância de 20 (vinte) metros, desde que o produtor plante junto à lavoura de milho GM uma bordadura com, no mínimo, 10 (dez) fileiras de milho convencional de porte e ciclo vegetativo similar ou igual ao milho GM cultivado. Essa é a regra básica para permitir a coexistência entre os diferentes sistemas de produção.
As cultivares de milho e linhagens geneticamente modificados, BT 11, Guardian e BTCry1F507, que propiciam resistência ao ataque de lagartas (lepidóptera), inscritos no Registro Nacional de Cultivares (RNC/MAPA), estão devidamente autorizadas para plantios comerciais em todo o País.
Fonte : SFA/MS

Comentários ao artigo "Transgênicos: plantio de milho ogm beneficia ambiente da UE", do site Último Segundo

Artigo do Último Segundo, "Transgênicos: plantio de milho ogm beneficia ambiente na UE", se baseia em estudo de Graham Brookes, da PG Economics, para afirmar que houve diminuição da aplicação de agrotóxicos e melhoria da qualidade do milho. Este artigo merece ser comentado.
Para quem não sabe, Graham Brookes é um consultor inglês habitualmente procurado pelas empresas da engenharia genética, por isso não é de estranhar a avaliação parcial necessariamente favorável aos OGM. Convém pois adicionar informações, bastando as mais recentes, que demonstram os prejuízos e perdas com o cultivo dos transgênicos.
O estudo não contempla certamente os prejuízos com a contaminação das culturas convencionais e biológicas (e consequente perda de certificação) e os custos para evitar a contaminação, pois se o fizesse teria de chegar à mesma conclusão de um relatório alemão publicado pela INTERBIO Alemã que contabiliza os custos e benefícios económicos associados ao cultivo de OGM. As conclusões: no curto prazo, e em condições limitadas, alguns agricultores podem receber benefícios económicos reduzidos. De resto, e em termos gerais e macro-econômicos, os únicos vencedores são as empresas (essencialmente a Monsanto) que produzem e inventam estas sementes, enquanto que toda a sociedade é chamada a cobrir os prejuízos que atingem já os milhares de milhões de dólares. Um bom negócio, portanto, mas só para muito poucos (GM agriculture incurs more costs than benefits, German BÖLW, Press Release, Berlin, 20 March 2009 http://www.boelw.de/uploads/media/BOELW_Schadensbericht_Gentechnik090318.pdf)
Para além disto na análise do cultivo dos OGM temos de ter sempre em consideração outros efeitos colaterias, e farão cair por terra eventuais benefícios a curto prazo, tais como:
- O aparecimento de resistências ao Bt que já começaram a verificar-se (Mari N. Jensen, UA entomologists have published a report on their discovery of Bt-resistant bollworms in Mississippi and Arkansas, College of Agriculture and Life Sciences, February 7, 2008, http://uanews.org/node/18133)
- Os danos ambientais com a toxina produzida pelas culturas Bt. (Effect on Soil Biological Activities Due to Cultivation of Bt. Cotton, Navdanya, 2009. www.navdanya.org/report1.pdf;  Rosi-Marshall E.J. et al. (2007), « Toxins in transgenic crop byproducts may affect headwater stream ecosystems », Proceedings of the National Academy of Sciences,104(41):16204-16208. Contact: erosi@luc.edu)
- Quebras de produção (Doug Gurian-Sherman, Failure to Yield - Evaluating the Performance of Genetically Engineered Crops, UCS, March 2009, http://www.ucsusa.org/food_and_agriculture/science_and_impacts/science/failure-to-yield.html ).
Mais de uma década de cultivos de transgênicos no Mundo já nos dão sinais suficientes de que os transgênicos não são o caminho, o futuro para a agricultura, pelo contrário, sugem evidências de que maior biodiversidade agrícola e o modo de produção biológico poderão responder melhor face às alterações climáticas.
Alexandra Azevedo
Este comentário é de Alexandra Azevedo, que tentou fazê-lo no site do Último Segundo, mas não conseguiu. Dessa forma, decidi publicá-lo aqui, com autorização da autora.

Sorvete transgênico

O texto abaixo é um tradução livre do artigo: OGM: VIA LIBERA UE A GELATO DIETETICO CHE NON SI SCIOGLIE
Sorvete dietético que não derrete. Esta é a promessa da multinacional Unilever que já a partir deste ano pode entrar na mercado transgênico com 50% menos de gordura. Tudo graças a uma proteína sintética, a ISP, Ice Structuring Protein - isolada originadamente de um peixe do ártigo e reproduzida em laboratório através da fermentação de uma levedura geneticamente modificada. A proteína acabou de receber aprovação da Comissão Européia e poderá ser utilizada para a preparação de sorvetes nos 27 países da União Européia já em 2009. A aprovação do Executivo se baseia no parecer positivo de julho passado da EFSA (autoridade européia para a segurança alimentar, similar à CTNBio no Brasil) que excluiu o risco de alergias devido à ingestão de produtos que contém a proteína.
Contudo, os pesquisadores INDEPENDENTES do Painel Científico Independente (ISP - Independent Science Panel) já em 2006 demonstraram que a proteína da Unilever não apresenta equivalência substâncial àquela produzida pelo peixe ártico - comenta Nicoletta de Cillis, Fundação Direitos Genéticos -e que constitui sim uma substância que causa alergia, próprio de sua derivação de leveduras transgênicas.
A aprovação da "Novel Foods" (ACNFP), apesar de favorável ao produto, tinha convalidado a tese da possível alergenicidade, propondo rotulagem obrigatória - continua De Cillis - mas a opção foi excluída pela recentedecisão da Comissão Européia.
O novo ingrediente - conclui - será rotulado simplesmente como "proteína ISP", baseado na atual normativa da UE que não coloca o sorvete da Unilever na mesma regulamentação prevista para os organismos geneticamente modificados.

Fonte: ASCA.It