sábado, 16 de maio de 2015

Senado Federal: Não ao PL 4148! que tira o símbolo de Transgênico do rótulo das embalagens

Associação dos Servidores do Ministério do Meio Ambiente acaba de divulgar uma carta aberta contra o PL 4148 que desobriga a rotulagem de transgênicos. 
Se você também é contra, assine a petição no Avaaz para dar mais força quando forem entregar a carta no Senado.


CARTA ABERTA CONTRA O PL 4148 DA (DES)ROTULAGEM TRANSGÊNICA. 

Senhores e Senhoras Senadores(as) da República, 

Contamos com vossas excelências para representar os direitos do povo brasileiro, uma vez que a Câmara dos Deputados não o tem feito. Após aprovar o PL 4330 (terceirização), aprova-se também, com grande facilidade (320 votos a 130), o PL 4148/2008 que intenta retirar a obrigatoriedade da rotulagem de alimentos que tenham a presença de transgênicos. Na prática é a retirada do direito da população de saber o que está comprando e consumindo, é um retrocesso ambiental, social e econômico. Em benefício da indústria de venenos e de sementes geneticamente modificadas, a desobrigação da rotulagem impactará de vez na agricultura familiar e orgânica, que já sofre imensas dificuldades por conta do lobby do agronegócio. 

Além disso, impactará toda a população, ferindo o direito constitucional a uma alimentação saudável e o direito à informação, que estão sendo sumariamente desconsiderados exatamente no momento em que o país clama por transparência e o mundo começa a banir diversos agrotóxicos e transgênicos por trazerem mais prejuízos sociais e econômicos do que se acreditava. 

O relator do projeto 4181 na Câmara usa como argumento que 69% das pessoas não sabem o que significa o símbolo “T” nas embalagens. Porém, a conclusão deveria ser o oposto, pois isso demonstra que 31% das pessoas já tem consciência do seu significado e que a outra parcela deve se melhor informada. O outro argumento em prol do retrocesso é que 90% da soja e 82% do milho plantados no Brasil são transgênicos. Ora, esse é outro argumento que deveria ser utilizado contra o projeto, pois significa que a parcela da produção que é considerada mais saudável e com menor risco para consumo humano ficará ainda mais comprometida sem a rotulagem. Significa que o diferencial que os produtores livres de transgênicos e agrotóxicos tem será ainda menos percebido! 

Os setores orgânico e agroecológico já encontram imensa dificuldade para a certificação de produtos como soja e milho justamente por conta da contaminação proveniente da produção de transgênicos, em escala megafundiária, monocultural e com a permissão de pulverização aérea de veneno. 

Não é o intuito dessa carta nos aprofundar na questão dos agrotóxicos pois muitas instituições já estão nessa luta e recentemente o INCA (Instituto Nacional do Câncer) publicou nota classificando alguns produtos como possíveis e prováveis cancerígenos para seres humanos, dentre os quais o glifosato, principal produto utilizado nas lavouras de soja pelo país. 

Nosso intuito é saber se ainda há alguma credibilidade no legislativo brasileiro ou se 2015 será o ano em que o golpe de misericórdia será dado nessa instituição. Não é só pelo “triangulo com T” nas embalagens, é pelo dever que vossas excelências tem de defender os direitos da sociedade e das gerações futuras, é em favor de melhor qualidade de vida, é por direitos, é contra o retrocesso. 

Da mesma forma que aguardamos ansiosamente pela derrubada do PL da Tercerirização, que causará um retrocesso de décadas na legislação trabalhista, agora confiamos a última esperança de que não retrocederemos nos direitos sobre alimentação, informação e do meio ambiente saudável, necessário para o bem estar do povo. 

Brasília, 04 de maio de 2015.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Esta é uma postagem de divulgação do Boletim Por Um Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos (recomendo a todos!) e do Movimento Occupy Monsanto:

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        POR UM BRASIL ECOLÓGICO,
        LIVRE DE TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS
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        Ocupar a Monsanto
        Car@s Amig@s,
        "Goste você ou não, é provável que a Monsanto tenha contaminado a comida que você comeu hoje com agrotóxicos e transgênicos. A Monsanto controla a maior parte do suprimento global de alimentos às custas da democracia alimentar ao redor do mundo", diz o site do movimento.
        Na última terça-feira (20/03), manifestantes do Occupy Monsanto colocaram faixas em 13 passarelas sobre rodovias que cruzam a cidade de St. Louis, nos EUA, onde está a sede da empresa. Elas traziam dizeres como "O FDA* está contaminado pela Monsanto", "Biorrisco Genético: Defenda-se", "99% vs. Mon$anto" e "Presidente da Monsanto = Milionário; Consumidor da Monsanto = Rato de Laboratório". No gramado em frente à sede mundial da empresa uma faixa dizia: "Sr. Presidente, rotule os alimentos transgênicos. Com amor, Michelle", em referência à primeira dama. Até o meio-dia de terça-feira todas as faixas haviam sido removidas por autoridades locais.
        O protesto aconteceu um dia após a realização de uma marcha pelo centro de St. Louis e alguns dias depois de terem sido realizadas manifestações contra a companhia em cerca de 30 cidades americanas e em várias outras partes do mundo, incluindo a Espanha, Alemanha, Nova Zelândia, Austrália, Japão e Canadá.
        No fim de semana anterior, 150 manifestantes do movimento fecharam a unidade de pesquisa da empresa em Davis, na Califórnia. Na ocasião, a Monsanto disse aos seus funcionários que eles não precisavam ir trabalhar devido a preocupações com relação à segurança em função dos protestos.
        E os recentes protestos contra a gigante da biotecnologia não começaram por aí. No final de fevereiro, a polícia americana prendeu 12 manifestantes que estavam em frente aos escritórios da Monsanto em Washington participando do "dia nacional de solidariedade". Dois dias antes, uma ação judicial contra a empresa movida por um grupo de agricultores fora rejeitada. O grupo pedia a invalidação de patentes agrícolas da empresa, alegando o receio de que as sementes patenteadas aparecessem em suas lavouras (via contaminação). O protesto era realizado em solidariedade e em conjunto com o dia nacional de ação contra o Conselho Americano de Intercâmbio Legislativo (ALEC, na sigla em inglês), organização de lobby que defenda a criação de incentivos fiscais para as corporações.
        A Monsanto é a líder mundial de sementes transgênicas, e os vem conseguindo impor em uma série de países a despeito de crescentes evidências dos efeitos danosos que provocam sobre o meio ambiente e a saúde. Via de regra, a empresa bloqueia os esforços em prol da rotulagem dos alimentos contendo ingredientes transgênicos. Também é famosa por articular a perseguição de cientistas que publicam estudos demonstrando efeitos danosos provocados por transgênicos e agrotóxicos. A própria pesquisa independente tem sido comumente inviabilizada, pois a empresa usa a legislação de patentes para negar a utilização de seus produtos em experimentos científicos. Ela também tem tornado os agricultores reféns de suas sementes (e agrotóxicos de uso associado): detendo a maior parte do mercado de sementes, a empresa vai gradualmente eliminando a oferta de sementes convencionais não patenteadas. Como se não bastasse, é prática da multinacional processar os agricultores cujas lavouras são contaminadas pelos seus transgênicos - eles são acusados de violação de direitos de patente.

        Como se vê, já passa da hora de se articular um grande movimento internacional buscando frear o domínio da Monsanto sobre nossos sistemas agrícolas e alimentares. Ocupar a Monsanto, aí vamos nós!
        -
        * Food and Drug Administration, órgão do governo dos EUA que regulamenta os alimentos e medicamentos.
        Com informações de:
        - Monsanto protested after class-action lawsuit is dismissed - Blog Post/The Washington Post, 29/02/2012.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Efeito das toxinas Bt produzidas pelas plantas transgênicas sobre as células humanas


      Saiu esta semana no Boletim POR UM BRASIL ECOLÓGICO, LIVRE DE TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS que a revista científica Journal of Applied Toxicology (Revista A2) publicou, o primeiro estudo a analisar os efeitos combinados, sobre células humanas, das toxinas inseticidas produzidas pelas plantas transgênicas Bt e dos herbicidas à base de glifosato, usados nas lavouras transgênicas do tipo Roundup Ready (RR).
       
       Foram testados os efeitos das toxinas Bt Cry1Ab e Cry1Ac (de 10 ppb a 100 ppm) em células embrionárias de rim humano, assim como o seu efeito combinado com o Roundup, num período de 24 horas, em três biomarcadores de morte celular. Os experimentos foram repetidos pelo menos três vezes em diferentes semanas, em três meios independentes.
               
        O estudo confirma que a toxina Cry1Ab pode induzir efeitos citotóxicos (que provocam danos às células) através de um mecanismo necrótico a uma concentração de 100 ppm. Essa concentração não é tão alta quando comparada às concentrações produzidas pelas plantas transgênicas (entre 1 e 20 ppm). Contudo, deve-se ponderar a acumulação dessa toxina nos tecidos e seus danos a longo prazo, já que plantas transgênicas podem ser altamente consumidas, como por exemplo, o milho. Assim como os dados verificados confirmados em outro estudo, onde o consumo do milho MON810 produziu danos subcrônicos de alterações hepatorrenais em ratos alimentados com esse milho. 
        A acumulação dessa toxina ocorre, conforme já mostrado por um  estudo realizado no Canadá que detectou resíduos de toxina Bt no sangue de mulheres, gestantes e fetos. os  em outro estudo, em que o consumo de milho MON810 produziu sinais subcrônicos de alterações hepatorrenais quando utilizado na alimentação de ratos de laboratório.
        O milho MON 810 tem a toxina Cry1Ab e já foi banido em vários países europeus, mas continua a ser produzido no Brasil.
       
        Outros milhos liberados e produzidos no Brasil, que contém a toxina Cry1Ab são: MON810 (Monsanto - desde 2008); Bt11 (Syngenta - desde 2008); Bt11 x GA21 (Syngenta - desde 2009); MON810 x NK 603 (Monsanto - desde 2009); Bt11 x MIR162 x GA21 (Syngenta - desde 2010) e TC 1507 x MON 810 (DuPont/Pioneer - desde 2011).
       Além do milho, uma cultivar de algodão da Monsanto também contém a toxina Cry1Ab, é a Bollgard/MON531, autorizado desde 2005. 

       Incrível como após esses estudos ainda existem pessoas que têm dúvidas dos perigosos dessa tecnologia!

       Quanto tempo será que vai demorar para que a legislação entenda o perigo desses produtos? Ou será que os estudos estão errados?

      Quanto tempo será que vai demorar para as empresas pedirem desculpas àqueles que tiverem esses problemas relatados nos estudos? Será que desculpas depois vão adiantar alguma coisa?


       O link do estudo e sua referência é:
         
        R. Mesnage, E. Clair, S. Gress, C. Then, A. Székács, G.-E. Séralini. Cytotoxicity on human cells of Cry1Ab and Cry1Ac Bt insecticidal toxins alone or with a glyphosate-based herbicide. In Journal of Applied Toxicology. Article first published online: 15 FEB 2012. DOI: 10.1002/jat.2712

terça-feira, 5 de julho de 2011

Hungria diz não aos transgênicos


A Hungria, país da União Europeia conhecido por suas posições contra os organismos geneticamente modificados (OGM), vem de dar um novo passo nesse sentido. Ela incluiu na sua nova Constituição, aprovada a 18 de abril de 2011 por uma grande maioria, a proibição de OGM no território nacional.
O artigo XX da Constituição afirma assim: "Todo mundo tem o direito ao bem-estar material e mental. Para que este direito, referido na alinea n. º 1 seja aplicado, a Hungria garante uma agricultura livre de OGM, assim como o acesso a alimentos saudáveis ​​e água potável ". Este texto entra em vigor a 1 de Janeiro de 2012. Note-se que continua a ser pouco claro sobre o alcance da proibição (cultura? Importação?), o que é compreensível para uma Constituição que define os princípios gerais.

A questão é se a Comissão Europeia concorda em aceitar a nova constituição. De facto, em 1964, o Tribunal de Justiça da UE fez um decreto (Costa contra Enel), que afirma a primazia do direito europeu sobre o direito nacional, incluindo as constituições nacionais. Como indicado no site da UE: "Se uma regra nacional é contrário a uma norma europeia as autoridades dos Estados-Membros devem aplicar a norma Europeia. O direito nacional não é anulado ou revogado, mas a sua força de obrigação fica suspensa.[...] O Tribunal de Justiça considerou que as constituições nacionais estão também sujeitas ao princípio do primado. Compete assim ao juiz nacional não aplicar as disposições de uma constituição contrária ao direito europeu. ". Difícil de acreditar que a Hungria ignora estes textos. Então, a que jogo político joga ela com este novo acto de desobediência Europeia? Estará ela a antecipar a futura "subsidiariedade" das culturas OGM anunciado pelo Comissário Dalli em 2010?

Além disso, essa Constituição desencadeou uma polêmica importante na sociedade civil. A esquerda e os ambientalistas boicotaram a eleição. Com efeito, a Constituição refere-se a Deus. E em nome da defesa da vida que permite proibir os OGM, há também a possibilidade de proibir o aborto. Em seguida, encontramos os argumentos polacos para proibir os OGM no seu território, argumentos esses que tinham sido considerados inválidos pela Comissão Europeia. Como escrevemos na altura, "a Polónia apresentou uma visão cristã da vida" que se opõe a que os organismos vivos criados por Deus sejam manuseados e processados ​​como simples materiais, meros objetos de direitos de propriedade industrial "," redução dos organismos vivos ao nível do produto para fins comerciais e sendo particularmente provável que venha minar os alicerces da sociedade. " O Tribunal não aceitou esses argumentos visto que as finalidades éticas e religiosas da medida não foram suficientemente demonstradas ". A Constituição húngara arrisca-se, provávelmente, a ser vista como incompatívei com a lei europeia ...

Convém lembrar também que a Hungria é hoje o Estado-Membro que exerce a Presidência da Presidência da UE, e que será rendido, a partir de 1 de Julho de 2011, pela Polónia.


Fonte: Inf'OGM

Tradução Livre: ZLO